Querer mais é o dever da Chape (e nosso DNA)

Sempre que alguém debate sobre a Chapecoense de hoje, sobre o rápido ascenso nacional, vem a questão inevitável: “qual o segredo?”. Não sei qual o gabarito da questão, nem se existe uma resposta exata, mas há uma característica no jeitão de mato da Chapecoense - enquanto time e enquanto paixão - que joga alguma luz sobre o assunto: é sobre aprender se realizar com pequenas vitórias, mas é muito mais sobre jamais se contentar com pouco.


Deveria ser natural a cada time de futebol, cada atleta, cada técnico - cada ser humano - a qualidade de querer buscar algo a mais, algo além da própria realidade. Sair do próprio aquário. Mas nem todo mundo assim age, e quem desconhece essa forma de ver o mundo pode confundir com pequenez. Vi a Chapecoense sofrer muito mais derrotas do que gostaria de ter visto, mas sempre se levantar e seguir correndo quantas vezes fosse possível.


Há algumas semanas, a Chapecoense entrou em campo contra um Figueirense jogando na retranca, e ainda assim conseguiu se soltar e assustar o adversário mais vezes. Faltava o último passe e faltava um aproveitamento melhor em ligações, por exemplo, da parte de Nadson e mesmo de Caíke, mesmo que no fim Gilson Kleina tenha visto em Guilherme e Bruno Silva boas opções para desenrolar o ataque com mais qualidade. Nada de grave, né? Mas foi divertido perguntar no Twitter se o que faltava na Chapecoense era só "ajeitar ali".


Sirli Freitas/Chapecoense
Sirli Freitas/Chapecoense


Faltava só acertar o passe e ter mais qualidade no meio de campo. E logo faltava também ensaiar mais. E aí precisava também uma reserva boa para Wellington Paulista. E depois precisava também "um tempero a mais". E alguém falou que precisava também ter mais poder ofensivo. E precisava mais isso e mais aquilo e tantas lapidações foram sugeridas que eu nem lembrava mais da pergunta. Depois de algo arrumado, sempre tinha outro algo para arrumar. Algo a mais.


Veio na semana seguinte a notícia de que o jogo contra o Avaí poderia ser a portas fechadas por questões relacionadas a segurança - nebulosas, uma vez que não há histórico de invasão ou de problemas maiores na Arena Condá inclusive em jogos internacionais. Mas a presença do público foi confirmada e desconfirmada por quatro ou cinco vezes, mas desde a primeira já havia atitude por parte da torcida da Chapecoense: de sair de casa e cantar e ESTAR ALI de fora para dentro. Nada de ver o jogo de casa, queríamos mais.


Terminou que em campo não foi diferente. A Chapecoense se viu diante de um Avaí retrancado, jogando por uma bola e com medo de se expor demais. O controle do jogo veio ao natural, com a inteligência de Kleina em explorar as laterais e dar condições para transições mais rápidas. Com Canteros de volta, então, a expectativa era de ditar o ritmo e dar volume, o que se concretizou. Em campo, a Chapecoense queria muito mais jogo do que o recuo do Avaí permitia.


Chega agora o segundo turno do Campeonato Catarinense e não é pecado a Chapecoense inaugurá-lo querendo mais. Querendo jogo, querendo coesão. Querendo dos adversários que mantenham a competitividade alta. Querendo sair da zona de conforto e tirar os demais dela também.


Querer mais sempre foi a tônica e vai continuar sendo. Querer mais nos levou ao lugar onde estamos. Nos levou para a América, e nos levará para a final! 


Um ótimo returno para todos nós!