Torino x Chapecoense: site italiano fala em 'amizade de verão'

Mais de 10 mil quilômetros separam Chapecó de Turim. Calcula o Google que sejam cerca de 19 horas de vôo. No Velho Continente, a casa do Torino, time italiano que compartilha com a Chapecoense uma marca indesejável em sua história. Assim como a tragédia de Medellín, a tragédia de Superga ceifou a vida de ídolos do futebol e mudou para sempre a trajetória de um time que vivia um momento único.


No último dia 2, o portal La Stampa noticiou o encontro entre os presidentes da Chapecoense e do Torino, Plínio David de Nês e Urbano Cairo, respectivamente, que aconteceu em Milão. De acordo com o site, os presidentes conversaram, trocaram camisas e formalizaram o interesse mútuo em realizar um amistoso entre as duas equipes. A notícia não informa se a partida aconteceria em Chapecó ou em Turim, mas garante que será "na próxima estação" - entre julho e agosto, o verão europeu, nosso inverno.


Sito Ufficiale Torino FC
Sito Ufficiale Torino FC

Chapecoense e Torino: relação de respeito e sentimento


A tragédia de Superga aconteceu no dia 4 de maio de 1949, quando a delegação italiana retornava de um amistoso diante do Benfica, e o avião que trazia 31 pessoas se chocou com os muros da Basílica de Superga. Não houve sobreviventes. Talvez não seja tão concreto para quem está longe da realidade das duas equipes, mas a experiência que a Chapecoense e o Torino dividem tem semelhanças até na forma como os torcedores ainda reverenciam o acontecido.


Dizem que o tempo nublado atrapalhou a visão do piloto. O Campeonato Italiano ainda tinha quatro rodadas em curso, e para disputá-las o Torino promoveu jogadores da base - foram quatro vitórias nos quatro jogos. Foi vontade da Liga Italiana que o Torino não fosse rebaixado nos anos seguintes, e mesmo com a anistia do rebaixamento, o Toro não fechou nenhuma temporada na zona de rebaixamento. Pelo mundo todo surgiram homenagens e foram disputados diversos amistosos, inclusive em benefício às famílias envolvidas.


A história vive na Basílica de Superga. Todos os anos, no dia 4 de maio, o templo recebe uma missa em memória das vítimas, com a presença do time. Ao final, os jogadores, torcedores e fiéis se deslocam até o monumento construído no local onde o avião se chocou, e o capitão pronuncia o nome de cada um dos 31 envolvidos. Superga segue lá, pulsando dor e esperança ao mesmo tempo, todos os dias, para não permitir que vença o esquecimento.


"Tragédia não é morrer, mas esquecer. Nós não esquecemos", diz a ilustração na parede de um museu em Turim, que guarda a história do Torino e daquela equipe. E diz em cor tão grená que poderia ser alviverde. Mesmo ainda de longe, que esse encontro seja para ambos um abraço. Seja muitíssimo bem-vindo sempre, Toro.


(PS. Grazie mille, Rafael Valente!)


Leticia Sechini/Arquivo pessoal
 

Leticia Sechini/Arquivo pessoal

Átrio Davi Barela Dávi, no encontro entre as alas Norte e Oeste