9 histórias de mães chapecoenses que vão iluminar seu dia

A Chapecoense é o time com maior número de mulheres associadas no Brasil. O levantamento é do Dibradoras, que afirma que são em torno de 7.860 mulheres em um total de pouco mais de 21 mil torcedores, ou seja, aproximadamente 37%. E o time ainda conta com um departamento de marketing somente com mulheres, quadro raro no cenário do futebol no Brasil. Entre os conselheiros o número de mulheres diminuí consideravelmente, são em torno 13 mulheres, contra 240 homens. É inegável a crescente participação de mulheres nos estádios e nos clubes, participando ativamente seja na torcida, seja na tomada de decisões. 


Para este dia tão imensamente especial, o Vamo, Verdão dá espaço para minha querida amiga Fernanda Arno, que entrevistou algumas das responsáveis por passar o DNA Chapecoense para frente! A seguir, conheça a história de nove mulheres que mui orgulhosamente estão nas arquibancadas da Arena Condá acompanhadas de seus filhotes.


Que sorte da família Chapecoense em conta com cada uma dessas mamães!


Acervo pessoal
Acervo pessoal

Ijones, Márcia e Lourdes

1 - Ijones Terezinha Rigo, mãe do Evandro, do Ednei, do Jeferson e da Jeovana



Comecei a ir ao estádio em 2009, porque minha filha Jeovana, atleta do tênis de mesa, foi convidada pela professora Suzi de Quadros e pelo Mauro e fomos a convite deles. Continuamos indo a todos jogos e só faltamos alguns por força maior. Fui torcedora apaixonada desde a fundação do clube, não ia antes por falta de condição financeira, não podia ser sócia e nem pagar ingresso. Continuo indo por ser acompanhante da minha filha Jeovana, que é portadora de necessidade especial. Para ir ao jogo deixo de qualquer coisa, não sei faltar jogo da Chape. Escolhi o nome do meu filho Ednei por ser membro da Chapecoense, Ednei De Morais De Carvalho, pelo trabalho que fez na Chape.  O incentivo para gostar de futebol veio do meu pai, que jogava e era goleiro, e meus filhos também seguiram o mesmo exemplo e todos amam futebol, meus filhos jogam o campeonato municipal e amador e meu filho Evandro já foi atleta juvenil da Chapecoense, mas não continuou por lesão e condição financeira. Também escolhi o nome do meu neto, Davi Luiz, por que sou fã do jogador David Luiz.


2 - Márcia Giombelli Salcher, mãe do Vinícius



Sempre gostei de esportes, fiz atletismo e vôlei, tinha 12 anos quando meu pai me levou ao estádio pela primeira vez. De cara me apaixonei e comecei a ir com frequência. Comecei a levar meu filho comigo nos jogos desde quando ele era bebê de colo, com seis meses. Hoje ele tem 18 anos e continua sendo meu parceiro de jogos, já que meu esposo não é fã de esportes, ele também é integrante de uma torcida organizada e toca nos jogos. Já fomos em todos os estádios de Santa Catarina em jogos com a Chape, e também para outros estados. Queria muito que meu filho fosse jogador, coloquei ele em todas as escolinhas de futebol e futsal que tem na cidade, mas infelizmente esse não foi o desejo dele.



3 - Lourdes Domeneghini Chiaradia, mãe da Louise, da Luciana e da Liana



Sou torcedora do Grêmio desde criancinha, por influência do meu irmão e por ter nascido no RS, e sou sócia torcedora assídua da Chapecoense desde 1997, quando vim morar em Chapecó. Desde criança ouvíamos jogo no rádio de pilha, pois morávamos no interior de Veranópolis-RS, não tínhamos luz elétrica e nem TV. Meu irmão e eu jogávamos bola sempre no final de tarde depois que já havíamos ido à escola e trabalhado na lavoura. A bola era confeccionada pela gente mesmo com uma meia preenchida de panos ou estopa, também tínhamos bola de esponja e alguma de plástico. O detalhe do jogo, tínhamos 2 cachorros, um chamado Gremista e o outro chamado Gaúcho, eles eram nossos goleiros, um para cada lado. Em 1997 vim para Chapecó e aí nasceu a paixão pela Chapecoense. Minhas filhas vão ao estádio quando podem, mas quem é torcedora assídua mesmo sou eu. Eu amo futebol, porque está nas veias desde a infância. Minhas filhas apoiam, meu marido me acompanha. E não tem essa de que mulher não deve ir ao estádio. Mulher faz a diferença!



Acervo pessoal
Acervo pessoal

Diana, Maria e Gracieli


4 - Diana Rodrigues, mãe da Isadora



Frequentei alguns estádios maiores em viagens de estudo e sempre tive a vontade de ir ver um jogo do meu time. Comecei a frequentar o estádio antes de ser mãe e tive a oportunidade de levar também algumas turmas de crianças da educação infantil, muito bom ver aqueles olhinhos observando e correndo pelas arquibancadas. Passamos a levar nossa filha ao estádio quando ela tinha um aninho, porque observava a empolgação da família. Os dindos também são frequentadores dos jogos, bem como seu pai. Adoramos ir ao estádio torcer pelo nosso time, ficar junto do papai que gosta tanto de futebol. Fazemos a ida ao estádio um programa em família. Estamos incentivando ela a gostar de esportes e torcer pelo nosso time do coração.



5 - Maria Guarnieri, mãe da Bianca



Sempre gostei de futebol, mas sempre preferi assistir os jogos em casa, no meu sofá e revendo os lances. Mas lembro de 2009, no Campeonato Catarinense mais precisamente, Chapecoense com vantagem na final e perdeu o campeonato para o Avaí. Aquele mesmo ano que uma chuva de granizo interrompeu o jogo Chapecoense x Araguaia ainda pela série D do Campeonato Brasileiro. Meu ex-marido era sócio, acompanhava a Chape e viajava com a torcida, mas eu até então, não! Até o dia que ganhei um ingresso de um amigo/cliente, logo depois do jogo contra o Araguaia, jogo entre Chape x Macaé. Depois deste dia comecei a assistir os jogos no estádio, até que me associei. Hoje em dia dificilmente perco um jogo em casa. Já era mãe quando comecei a ir ao estádio, inclusive minha filha já acompanhava o pai em alguns jogos. Ela é sócia e sempre que está comigo ela me acompanha nos jogos. A gente já tem aquele amor, aquela cumplicidade para todas as horas, e não é diferente na hora de apoiar o time. A gente é o espelho dos filhos, então quando a gente gosta, se dedica, tem prazer em fazer algo, eles levam isso com eles também. E como a gente sempre fala, não é só futebol, quem acompanha sabe que vai além das quatro linhas! Inclusive quando descobri a gravidez estava jogando futsal, passei mal e depois descobri a gravidez. Depois que a ganhei esperei um tempo pra voltar a jogar, mas quando voltei, ela sempre me acompanha e hoje em dia ela até joga comigo, no condomínio onde moramos ela é chamada de Cristiano Ronaldo pelos amigos, nome masculino, mas a intenção é boa. Antigamente era mais difícil, mesmo que junto com o marido/namorado, as mulheres eram desrespeitadas, hoje em dia vou sempre com uma amiga e com minha filha e nunca passei por alguma situação desconfortável. Talvez seja por esse mesmo motivo que hoje em dia as mulheres estão indo mais ao estádio, pelo fato de serem tratadas como torcedoras mesmo, e não como a namorada/esposa que acompanham seus respectivos namorado/marido ao estádio!



6 - Gracieli Jost, mãe da Gabriela (e de mais um Chapecoense vindo por aí!)



Comecei a ir ao estádio em 2007 com meu esposo, íamos a pé com 10 reais no bolso, mas estava lá gritando, comemorando cada lance. Foram muitas experiências, inclusive o bombardeio de chuva de pedras. Acompanhamos o crescimento do nosso time do coração, e não imaginávamos que chegaria tão longe, muito menos que iríamos ter tanto sofrimento anos depois. Hoje, restaurando forças, confesso que ainda não acostumei com o time novo, ainda imagino o Danilo no gol, sinto muita saudade dos nossos eternos guerreiros, mas estamos sempre lá, torcendo, chorando, vibrando. Somos sócios, inclusive minha filha é Sócia Kids. Fui mãe no ano de 2012 e o amor só aumentou, ela comemora os gols e vibra muito. Sem dúvidas amará esse time tanto quanto nós. Ser mãe e ir ao estádio é aumentar o amor pelo time. Hoje em dia está muito comum irmos a Arena e encontrar os filhos com seus pais. Tem os dias que ela se sente entediada e que ir para casa, os dias que dorme no colo, os dias que torce. Cada jogo é uma experiência nova.



Acervo pessoal
Acervo pessoal

Taijana, Nelva e Mirela


7 - Taijana da Silva, mãe do Bernardo



Eu sempre gostei de futebol, fui atleta de futsal até os 18 anos. Quando comecei a namorar, em 2004, meu namorado (hoje meu marido) também gostava muito de esporte, principalmente futebol. Na Copa Santa Catarina de 2006, ele me convidou para ir pro estádio (eu já tinha ido outras vezes, mas não tinha acompanhado um campeonato todo, apenas jogos isolados), eu estava grávida. Foi jogo contra o Próspera. No ano seguinte começamos a ir nos jogos do Campeonato Catarinense, meu filho crescia na minha barriga enquanto eu acompanhava a Chape chegar na final do campeonato e ser campeã. Fiquei um tempo sem ir quando ele nasceu, mas quando tinha um ano e meio voltei para o estádio, levando sempre o Bernardo comigo. Eu sinto que o futebol nos deixa mais próximos, pois é uma paixão em comum, mesmo sendo gerações diferentes, a paixão é a mesma. Eu vivi muitas emoções diferentes no estádio, e o Be sempre esteve junto. A gente riu e chorou junto lá no Condazão da massa. Ele sempre insiste para irmos horas antes do horário do jogo para ficarmos na grade. Em 2015, no jogo contra a Ponte Preta, estava caindo o mundo de chuva e eu tentei convencer o Bernardo a não irmos para o jogo, e ele argumentou comigo: “mas mãe, é jogo da Sulamericana, eu nunca fui num jogo de Sulamericana”, e eu cedi… ficamos encharcados o jogo todo, mas ele viu um jogo de Sulamericana. Ano passado no gol do Tulio de Melo que garantiu a permanência da Chape, ele me abraçou e deixou uma lágrima correr. Quieto, sem falar nada, mas a gente entendia, mesmo em silêncio o significado daquele gol.



8 - Nelva Conrado, mãe da Gabriela e do José Henrique



Já era mãe quando comecei a ir ao estádio, vamos desde 1993 e, com apenas cinco anos, a Gabriela viu nosso time ser campeão. Na época não tínhamos grana para comprar ingresso na geral, então tinha uma arquibancada atrás do gol que era chamada de coreia, tinha uns 5 ou 6 degraus, era o lugar mais barato, íamos lá, lembro muito bem que tinha até um pé de ariticum. Hoje continuamos a ir nas arquibancadas atrás do gol, agora Arena Condá. Quando nosso pequeno nasceu demos uma parada de frequentar os jogos, mas a Gabriela estava sempre lá. E a Chape é nosso único time. Amamos de coração. Ser mãe e torcedora é uma tarefa um tanto complicada, muitas vezes as pessoas não entendem a nossa paixão, e criticam, acham exagero, que não devemos expor os filhos as vezes emoções fortes, e assim muitas vezes como diz nosso hino, nas horas mais difíceis, sou amparada pelos meus filhos, o que eu deveria fazer eles fazem por mim. E temos a emoção a flor da pele. Então é muito lindo nosso sentimento e não vamos mudar nosso amor. Meus filhos são apaixonados pela Chape, minha filha casou em abril e foi um casamento temático da Chapecoense, da roupa dos noivos a dos casais de padrinhos. Meu filho joga futebol e sonha jogar na base da Chape, então a paixão corre nas veias. É maravilhoso passar essa herança para eles.



9 - Milena Meireles, mãe da Cecília 



Comecei a frequentar o Estádio Regional Índio Condá quando criança, acompanhada do meu pai. Minha paixão pelo clube teve início ao ver a maneira como meu pai torcia, eu adorava ir aos jogos, mesmo quando não entendia o que acontecia em campo. Então, começou meu amor pelo esporte e por aquele clube alviverde. Pelos 12/13 anos meu pai perdeu o gosto por ir ao estádio e eu continuei frequentando sozinha. Quando notei, o amor pelo time tornou-se rotina, estava na alma e na pele. Ser mãe muda sua vida em todos os aspectos. A chapecoense, por diversas vezes foi meu refúgio e meu lugar de paz quando as dificuldades em ser mãe apareciam. Quando estava pensando que não iria aguentar a nova vida, sempre passava na Arena para ver o pôr do sol e repensar. As vezes deixo de ir em alguns jogos por causa da Cecília, mas no geral, consegui conciliar bem minhas duas paixões. Em jogos oficiais a Cecília compareceu a dois. O primeiro foi contra o Corinthians, casa cheia. Também foi em alguns jogos da base. Quando a chapecoense joga fora de casa, sempre acompanhamos pela TV, sempre que há um time verde e branco nas telinhas ela já acha que é nossa Chape. A paixão por futebol e pela Associação Chapecoense de Futebol é geneticamente transmitida. Acredito que a sociedade, em todos os âmbitos, não só no futebol, ainda é muito machista. Apenas por ser mulher e frequentar o estádio já sofre com algumas coisas, imagina sendo mãe. Pelo menos até conseguir compreender algumas coisas que ela possa vir a escutar durante um jogo, escolhi esperar mais um pouco para leva-la novamente a um jogo, então, vou aos jogos sem ela. Por vezes, me deparo com comentários maldosos por estar lá sem minha filha. Nós mães, não iremos deixar nossos filhos com qualquer pessoa para ir a algum lugar, então, o bom senso é imprescindível. A Cecília já ama futebol, ama brincar com bola e adora ser a goleira. Me sinto privilegiada por estar criando alguém que possua a mesma paixão que eu e que dê valor para o time de sua cidade, pelo jeito terei uma companhia para torcer pelo resto da minha vida!