Uma temporada em chamas: a implosão de Antonio Conte

Há quase dois anos, eu escrevia no Chelsea Brasil que a chegada de Antonio Conte reforçaria a volta dos valores éticos e morais ao maior de Londres. Naquela época, o treinador italiano assumiu um Chelsea com problemas depois de Guus Hiddink substituir José Mourinho no meio da temporada. A minha citação, abaixo, funcionou por uma temporada.



Com a chegada de Conte, acredito que este tempo acabou. O jovem treinador é reconhecido por implementar uma metodologia de compromisso e vontade dos jogadores para com a instituição. Os valores éticos e morais que haviam sido perdidos com Mourinho já seriam retomados com esta temporada sem participação na UEFA Champions League.


Contudo, a chegada de um treinador responsável por fazer um elenco demasiadamente fraco, como o da seleção italiana, chegar às quartas de final da Eurocopa frente ao país atual campeão do mundo, mudou todo o panorama. Agora, poderá existir deficiência técnica, fraqueza tática, dentre outros problemas; entretanto, não teremos e não veremos nenhum desrespeito ao clube.



Depois do título inglês, John Terry recebeu uma inesquecível homenagem em sua despedida. Fomos campeões da Premier League após uma temporada surpreendente, e nasceu uma relação de muito amor e carinho entre Antonio Conte e a torcida azul. Todavia, pouco mais de três semanas depois do fim daquela temporada vitoriosa, Diego Costa revelou que Conte não queria mais trabalhar com ele. O problema com o atacante naturalizado espanhol poderia ser apenas o único da passagem do treinador italiano pelo Chelsea, mas foi o primeiro passo para o inferno.


Após a grande polêmica com o jogador, que segundo rumores não confirmados da época, gostaria de ter sido vendido para a China pelos Blues, veio a questão dos ‘treinamentos pesados’. Com a inserção da Champions League no calendário azul, de acordo com o The Times, houve uma manifestação dos jogadores quanto a carga de treinamentos comandada pela equipe de Antonio Conte. Segundo a publicação, os atletas argumentavam que o crescente número de lesões tinham como origem o treino pesado.


Em seguida, o suposto desentendimento, por questões táticas, com David Luiz, ocorrido no começo de novembro, foi apenas a solidificação de um vestiário em chamas. 


Ao passo que os resultados ainda davam uma breve estabilidade ao Chelsea na primeira metade da temporada, o mercado de janeiro veio, os reforços pedidos pelo treinador não vieram e o atrito entre a direção, representada por Marina Granovskaia, e o italiano chegaram ao ápice. Ao ponto do comandante azul, em uma entrevista para João Castelo-Branco, não saber se Emerson Palmieri e Olivier Giroud, récem-contratados, adicionariam algo ao elenco.



A maioria dos veículos ingleses apontava que uma eventual eliminação para o Barcelona nas oitavas de final da Champions resultaria na demissão de Antonio Conte. Porém, não foi isto que aconteceu. Com um elenco mal formulado, a rotação entre os jogadores ocorreu e o nível, obviamente, caiu. Os últimos três meses foram melancólicos para o torcedor Blue. O término vexaminoso da Premier League ofuscou grandes eventos dos últimos dias, como o lançamento da nova camisa e o Chelsea Awards. 


Ganhar a FA Cup não apagará o fracasso da Premier League. Ao que tudo indica, após o jogo deste sábado (19), Chelsea e Conte irão romper os laços. A grande questão fica por conta da multa: se os Blues demitirem o técnico, o pagamento gira em torno de mais de 10 milhões de libras.


Diante de toda a situação apresentada, julgo ser uma medida sensata a sua provável saída. Para aqueles que ainda duvidam do vestiário tóxico que existe no momento, recomendo o vídeo abaixo com as palavras de Willian sobre o relacionamento do técnico com os jogadores - para bom entendedor, meia palavra basta.



Sem explicação: A temporada do Chelsea é patética e por mais que Conte tenha grande parcela de culpa, ele não pode ser responsabilizado sozinho. Da mesma maneira que ocorreu com Mourinho, desta vez em menor escala, os jogadores também não ajudaram. A questão tática, de 3-4-3 até 3-5-2, é irrelevante a partir do momento que o técnico não tem mais o comando do vestiário.


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Dica de blue: Lá no Chelsea Brasil tem todas as informações sobre encontros para a final deste sábado. Partiu! 


Corneta da semana: Tic-tac, tic-tac. O tempo corre e é importante que o clube de Roman Abramovich decida rapidamente, após o fim da temporada, o nome do novo comandante para a temporada 2018/19 - mesmo que este nome seja Antonio Conte.