A promessa da volta do jogo bonito no Chelsea

15 de maio de 2010. Há mais de oito anos, os Blues encerravam a temporada 2009-2010 conquistando o título da Copa da Inglaterra contra o Portsmouth, em Wembley. O triunfo, ao lado da Premier League, marcou o famoso Double naquela época, algo inédito até então na história azul.


O comandante era Carlo Ancelotti, que estava em seu primeiro ano no clube do oeste londrino. A importância desta data se resume ao fato de que foi neste período em que o Chelsea jogou bonito pela última vez, com goleadas épicas na Premier League e um futebol vistoso e eficiente.


Os 11 iniciais na vitória de 1-0 sobre o Portsmouth na final da FA Cup eram Cech, Ivanovic, Alex, Terry, Cole; Ballack, Lampard, Malouda; Anelka, Drogba, Kalou. Um fiel 4-3-3 encontrado por Ancelotti ao longo das partidas e que foi brilhante na condução dos trabalhos.


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Com pequenas variações - como com Zhirkov na esquerda ou Belleti, às vezes, na direita, Mikel ou Essien equilibrando o meio, Joe Cole fazendo o corredor direito e Malouda, o esquerdo-, o Chelsea conseguia ter o controle da partida e obteve um grande sucesso no conjunto final da temporada, como nunca antes visto na história dos azuis londrinos.


O ano se passou, estamos em 2010-2011, Torres é contratado por uma fortuna e David Luiz também chega. O esquema é alterado para um 4-4-2 na tentativa de um encaixe do espanhol com Drogba, que não acontece. Não ganhamos nada, Ancelotti é demitido.


2011-2012, André Villas-Boas chega aparentando ser o Novo Mourinho. Atuamos no 4-3-3 com linhas altas e a marcação sendo um desastre. Alex é afastado, Anelka também. Perdemos por 3-1 para o Napoli na Itália pela Champions League e o português foi demitido. Roberto Di Matteo assume interinamente, utiliza um 4-2-3-1 mais defensivo e chegamos a glória máxima com o título da Champions League.


Hazard, Oscar, Marin. Di Matteo ganha peças ofensivas, mantém o 4-2-3-1 e não obtém sucesso. Benítez assume e leva os Blues ao título da Liga Europa com um futebol eficiente, porém sem tanta beleza.


José Mourinho volta ao Chelsea e o ônibus é estacionado por dois anos e meio. Demissão. Hiddink volta e tenta salvar 2015-16, mas a gente termina em 10º no campeonato inglês.


Três zagueiros, Antonio Conte. Inovação, legado, títulos, Diego Costa, David Luiz, Willian, Direção. Depois de dois anos, ele não é mais técnico em Cobham.


Julho de 2018, 2018-2019. Maurizio Sarri chegou e o jogo bonito promete estar de volta depois de longos oito anos.


Getty Images
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Voltaremos a jogar bonito?


A volta do 4-3-3 e Jorginho


A chegada de mais um italiano no posto de comandante técnico é a única coincidência possível com o trabalho de Antonio Conte. Estilos completamente anacrônicos e modos distintos de se jogar futebol. Apesar do esquema ser o mesmo que na época de Ancelotti, não é possível fazer uma comparação de estilo de jogo, e talvez nem da formação.


2009-2010 está inserido em um contexto que o tiki-taka de Pep Guardiola e do seu Barcelona estava em pleno auge. E em um momento que o 4-2-3-1 era o esquema preferido por grande parte dos treinadores no futebol europeu, o Barcelona só caiu naquela Champions daquele ano para a Inter de Milão e seu ferrolho defensivo de Mourinho. O 4-3-3 com domínio local do Chelsea era uma tentativa de se aproveitar dos melhores valores daquele time a nível nacional, já que na competição europeia perdemos para a Inter.


2018-2019 é um outro momento, de novas variações táticas e aperfeiçoamentos estratégicos cada vez mais intensos e imediatos. O próprio Guardiola fez alterações em seu jogo, deixando o mais vertical em alguns momentos – na Copa, vimos a Espanha ter um tiki-taka inútil contra a Rússia e acabar eliminada.


Klopp, Mourinho, Guardiola, Sarri. Tantos estilos diferentes que os detalhes acabam os tornando únicos. O L’Equipe categoriza Sarri como um ‘tiki-taka vertical’. Mas o que seria isso?


Podemos ver a saída de bola magnífica no Sarrismo napolitano do vídeo abaixo. 




O esquema-base do nosso novo treinador é o 4-3-3. Com as peças atuais, não é difícil imaginar em um 11 inicial.


O goleiro será Thibaut Courtois, a menos que ele realmente saia. O nome mais cogitado, segundo as especulações europeias, é o de Alisson, da Roma, que não seria a melhor opção na visão deste blogueiro.


A linha defensiva seria formada por César Azpilicueta, Andreas Christensen, Antonio Rüdiger ou Kurt Zouma e Marcos Alonso. Aqui temos uma linha defensiva extremamente subestimada. Azpilicueta pode fechar como terceiro zagueiro sempre que for necessário; Christensen fez um Mundial excelente com a Dinamarca; Rüdiger ou Zouma complementam bem, pois ambos tem bastante potencial. E Marcos Alonso, na mão de Sarri, pode render ainda mais com as suas subidas pelo lado esquerdo. A imprensa inglesa especula que Rugani, zagueiro, estaria perto, mas é necessário?


No meio de campo, Jorginho é o grande símbolo da nova proposta azul. Ele vem para fazer a saída de bola e ser o grande maestro em Londres. Isso implicaria em uma saída de Kanté? Nananinanão. Os dois podem e devem jogar juntos como titulares. E se você, caro leitor, considerar que Kanté é muito melhor que Allan, que fazia este tipo de função no Napoli, então, estamos muito bem servidos. 


A terceira e última peça da meia merece uma parágrafo só seu devido a sua importância. Por ter um caráter mais ofensivo, é uma vaga totalmente aberta. Ross Barkley, Ruben Loftus-Cheek, Mason Mount disputariam em condições totalmente iguais um lugar na equipe. Não temos um Hamsik no elenco, o que nos leva a ter prudência e testar os três jovens citados nesta função em campo. Rumores nem tão quentes apontam que Golovin estaria a caminho depois de uma bela Copa com a Rússia. Porém, precisaria? Acredito que os três que disputam esta posição está de bom tamanho.


A ausência de Cesc Fàbregas nesta simulação se dá pela questão física do atleta. Ele não está mais em seu auge, o que faz com que a gente reflita sobre o seu desempenho em campo. Mas, caso Cesc fique, eu apostaria nele como uma opção ao Jorginho, pela capacidade criativa do espanhol.


O setor ofensivo talvez seja o setor que suscite mais dúvidas. Eden Hazard vai ficar? Álvaro Morata vai sair? Willian vai ficar? Caso os três fiquem, eu apostaria que este seria o trio inicial. Morata tem uma boa movimentação ofensiva, não retém a bola como Giroud, mas é mais móvel. Willian não flutua tanto, e com Azpilicueta mais preso não há a necessidade da diagonal para fazer o corredor do lado direito. Hazard adora infiltrar cortando para o meio e isso abriria bastante o corredor para Alonso. 


É claro que até o fim da janela de transferências inglesa, que se encerra no começo de agosto, muita coisa vai mudar. Mas um exercício com os nomes atuais no elenco nos mostra um bom futuro. Depois de tanto tempo querendo um futebol vistoso em seu time, Abramovich pode ter encontrado o cara certo para comandar este processo.


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