O cavalo de troia chamado Thibaut Courtois

Há sete anos, um jovem belga era contratado pelos Blues. Recém-campeão com o Genk, Thibaut Courtois era altamente cotado na Europa e sua saída da Bélgica era uma questão de tempo. Naquela época, o Chelsea ainda contratava em demasia jovens promessas que poderiam vingar no plano europeu – é fácil lembrar que além de Courtois, Lukaku também foi contratado na mesma janela e De Bruyne foi comprado um ano depois.


O plano inicial era emprestar os valores do clube e dar experiência suficiente de modo que eles, ao retornarem ao Stamford Bridge, conseguissem aportar nos 11 iniciais ou fossem vendidos por alguma quantia boa. Dos três, o que mais deu certo foi o goleiro e ex-camisa 13. De Bruyne acabou sendo chutado para a Bundesliga, onde posteriormente voltaria à Premier League via City, e Lukaku foi emprestado ao Everton, onde posteriormente seria vendido aos Toffes e depois vendido pelo clube de Liverpool ao United.


Já Courtois foi emprestado por três temporadas ao Atlético de Madrid onde conquistou La Liga, Europa League, Copa do Rei e Super Copa como títulos importantes. A sua volta aos Blues de maneira definitiva se deu em 2014, época que José Mourinho era o treinador. E o português bancou o jovem arqueiro, naquele ano ele tinha 22, como titular do gol azul. A sua condição de titular fez com que Petr Cech fosse para o Arsenal ao final daquela temporada.


Até mesmo a decisão de Mourinho em efetivar o ex-goleiro do Genk foi contestada. Afinal, como abrir mão de um arqueiro que estava há 10 anos no clube e tinha ganhado tudo a nível europeu? Muitos se lembraram que o mesmo havia sido feito com Cudicini, na década passada...


Getty Images
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Cech acabou sendo negociado para o Arsenal


Pois bem. Com a efetivação definitiva de Courtois e a saída de Cech, grande parte da torcida achou que o um dos melhores jovens da Europa ficaria um grande período no clube, mas não foi isso que aconteceu. Nesta quarta-feira, 8 de agosto, o Real Madrid confirmou a contratação do melhor goleiro da Copa da Rússia e o empréstimo de Kovacic por um ano ao Chelsea.


De maneira alguma podemos considerar que não houve profissionalismo durante o período do belga no Chelsea. Há, entretanto, uma falta de amor clara em comparação aos seus dois antecessores. Ele não vestiu a camisa, de fato. O leitor que está acompanhando esta parte do texto pode se perguntar: ‘mas ele quer que o jogador tenha amor à camisa?! Que século ele vive?’.


Uma pergunta válida e que pode ser respondida com: quem acompanha o Chelsea nas duas últimas décadas se acostumou com jogadores amando o clube. Passamos por Essien, Joe Cole, Drogba, Ashley Cole, Lampard, Cech e por fim Terry... A fase atual reserva alguns jogadores como Azpilicueta e David Luiz. Atletas que estão há mais tempo no plantel geram uma empatia no fã e isto faz parte da magia do futebol. E se você, leitor, considerar que a posição de goleiro é extremamente longa e os Blues passaram por dois goleiros que ficaram muito tempo, seria natural considerar que Courtois era o terceiro desta linha sucessória.


Fechando os parênteses, a saída por estimados 40 milhões de euros foi bastante comemorada pela torcida no Brasil e na Inglaterra. O fator família pesa, obviamente. Mas não acredito que tenha sido o grande motivo para a sua saída forçada. Não é difícil procurar nas redes sociais e encontrar termos como ‘cobra’ e ‘frio’ em referência ao belga.


Thibaut Courtois foi um bom goleiro e profissional. Sua saída para o Real Madrid é apenas o encerramento de mais um ciclo.