Bom mercado de transferências resulta em ótimo começo do Chelsea

Kepa, Jorginho, Kovacic e Maurizio Sarri. O que esse quarteto tem em comum? Chegaram na última janela de transferências e estão entre os responsáveis pelo começo de ouro do Chelsea na temporada. Sim, o modo ‘empolgou’ não estará ativado neste texto, até porque a amostragem ainda é muito pequena. Porém, é impossível não ficar animado com o excelente começo de Maurizio Sarri e seu elenco.


É óbvio que os resultados conquistados até então dão estabilidade e segurança para a troca de estilo, que ainda vai levar tempo. O próprio Sarri em suas entrevistas faz questão de enfatizar que levará algum tempo, dois a três meses, para o time ter a sua cara. Ao longo dessas três vitórias na Premier League, vimos muitas virtudes no novo Chelsea e alguns problemas, que deverão ser corrigidos com o passar dos meses.


Antes de entrar no gramado, é necessário bater palma para a direção: há muito tempo não se via um mercado tão decente como o que foi feito nesta janela. Os quatro atletas enumerados na primeira linha deste texto e presentes de maneira oculta no título tem a sua parcela de ‘culpa’ nos 100% de aproveitamento.


Kepa Arrizabalaga não é nem sobra do que Courtois foi, mas isso não é motivo para pânico, pelo contrário. Quando van Der Sar se aposentou, quem chegou para o gol do United? De Gea. E levou algum tempo para o então jovem espanhol amadurecer e se consolidar, ainda sob o comando de Ferguson, no gol dos Red Devils.


Acredito que Kepa irá trilhar este caminho e teremos, ao menos, uma temporada com alguns problemas e falhas do jovem ex-Athetic Bilbao. A grande sacada é perceber que ele é um investimento a longo prazo e que, com certeza, não nos dará o desprazer de viver o que presenciamos com Thibaut, visto que o contrato é longo.


Jorginho é a cereja do bolo. Segundo o Squawka, o camisa 5 completou 158 passes de 173 diante do Newcastle. O que nos leva a um índice de incríveis 91,3% de acerto nos passes (!). Este dado se torna ainda mais relevante e surpreendente se consideramos que o time da casa só completo 131 passes em todo o jogo. Bizarro, para não dizer o contrário.


A sua chegada, por meio de um chapéu no Manchester City, é o coração dos 11 titulares. É ele quem dita o ritmo da equipe, acelera, desacelera, etc. Seu impacto já é medido e de maneira muito positiva, bom para nós.


Getty Images
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Essa dupla, bicho...


Kovacic veio no pacote da venda do melhor goleiro da Copa ao Real Madrid, mas já se mostra outra peça-chave neste meio-campo. Antes de falar dos pontos positivos, é necessário mostrar que a sua chegada atrapalha o crescimento de peças como Ross Barkley e Rubens Loftus-Cheek, que deveriam ganhar mais tempo em campo neste ano. Todavia, os pontos positivos vão se mostrando maiores que os negativos e o jovem croata mostra que assimila os conceitos de maneira rápida, tanto que já começou como titular logo após ter as condições físicas necessárias. A circulação da posse de bola com ele foi feita de maneira mais natural do que com Barkley, mas isso não é algo que não possa ser revisto nos treinamentos.


O construtor da obra de arte é Maurizio Sarri, o pai de todos os filhos descritos acima. É ele quem provoca a mudança radical de estilos no clube de Abramovich. Já falei do que ele seria capaz neste texto aqui, entretanto, conferir na prática o pequeno resultado existente é satisfatório.


O próprio italiano reconhece que há problemas na transição defensiva, como vimos nos três jogos. Contudo, observar que os resultados construídos a partir de desempenhos medianos, conforme falado no começo deste texto, é o ponto em destaque a ser observados.


Os três primeiros jogos apresentam características distintas entre si. No primeiro, a estreia contra o Huddersfield, o Chelsea apresentou problemas na entrada da área e na construção de jogadas. A vitória por 3-0 enganou um pouco. O segundo confronto, derby contra o Arsenal, evidenciou ainda mais os obstáculos defensivos e poderíamos ter tomado mais que dois gols. Felizmente, Hazard e Alonso apareceram e nos deram os três pontos.


A terceira e última peleja até então trouxe um cenário inexplorado: retrancas. Pela primeira vez na gestão do novo comandante, tivemos que enfrentar uma linha de handebol na equipe adversária. E se a circulação de bola ainda não está no ritmo ideal, bem como a transição defensiva, a capacidade de aparecer na hora H está mais do que nunca presente na veia de Marcos Alonso e, principalmente, Eden Hazard.


Para os próximos jogos, a primeira Data FIFA está a caminho, a tendência é de assimilarmos ainda mais os conceitos do novo estilo. Por enquanto, o resultado é melhor que o desempenho, o que também não deixa de ser uma boa coisa.