O fim dos quatro mosqueteiros

Há muito tempo, em um certo clube de Londres, um atacante marfinense mágico, um meia inglês brilhante, um zagueiro inglês esplêndido e um goleiro tcheco eficiente habitavam o centro de treinamento de Cobham. Junto, o quarteto conseguiu feitos inacreditáveis, além de colocar seus respectivos nomes na história. Didier Drogba, Frank Lampard, John Terry e Petr Cech marcaram época no Chelsea e é assustador falar nesse tom, um passado nem tão recente assim.

2004 a 2012 foi o tempo que os quatro estiveram juntos. Oito anos maravilhosos, que nos fazem refletir o tamanho da importância de jogadores-chave no futebol. O torcedor Blue só sente na pele, realmente, quando tudo acaba. Já diria Falcão: "O jogador de futebol morre duas vezes. A primeira, quando para de jogar."


Primeiro foi Lampard, que se despediu para jogar nos Estados Unidos, mas acabou atuando pelo City e marcando um gol contra nós, como manda o roteiro sem direção da bola redonda. Depois veio a sua aposentadoria, antecedendo sua estreia como técnico no Derby County. Aliás, teremos o encontro entre torcida e Stamford Bridge ainda neste mês contra o maior artilheiro da história.


Getty Images
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A dupla brilhou nos Blues...


Drogba já anunciou que vai parar depois de mais uma temporada na MLS, a sua última no esporte mais popular do mundo. Sua primeira saída se deu após o toque na bola que nos deu o inédito título da UEFA Champions League. A segunda não foi tão impactante, mas foi dolorosa sim, do ponto de vista sentimental, após o título do Inglês 2014-15.


Petr Cech já não é mais aquele personagem histórico no Arsenal. O ‘goleiro do capacete estranho’ foi um símbolo por 10 anos no gol azul e também segue a caminho de uma breve e merecida aposentadoria. Um dos heróis de Munique 2012 jamais será esquecido.

John Terry resolveu parar na última segunda (8). Um movimento que já era esperado, cá entre nós, principalmente depois de ele recusar uma oferta do Spartak Moscow. Todavia, não deixa de ser estranho. Ver os principais nomes do Chelsea na década de 2000 se ‘retirando’ causa um aperto no coração. A enorme caminhada do camisa 26 no futebol teve alguns escândalos, é verdade. Mas Terry talvez seja o grande nome símbolo da gestão Abramovich. Alguém formado em casa e que sabe, como poucos, como fazer o Leão rugir – o famoso Hear The Chelsea Roar!

É nostálgico, porém a personificação de ídolos é o que faz a emoção ser presente em qualquer esporte. Mesmo de longe, a gente sofre igual aos torcedores que vão no estádio. O porquê disso? Bom, é o fator ídolo que nos faz ter essa conexão. A televisão aproxima, mas não há audiência, em nenhum cenário, sem identificação.

Hoje, temos Eden Hazard e César Azpilicueta como candidatos geracionais a novos ídolos. O primeiro por ser um craque técnico, o segundo por ser possível nos visualizar em cada pedaço do gramado. Seja naquele carrinho, naquela cabeçada... Azpilicueta carrega um pouco de cada torcedor cada vez que ele veste a camisa e entra em campo.

São culturas diferentes, línguas próximas, mas não iguais. Apesar de toda a burocracia, o que o futebol possibilitou unir, o tempo não separa. Jamais.


Não teremos quatro mosqueteiros de novo. Só existe um Drogba, Lampard, Terry e Cech. Mas novas formas de identificação sempre são bem-vindas... Porque o futuro simplesmente acontece.


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Uma era está se encerrando