Primeiro trimestre de Maurizio Sarri surpreende, e é extremamente positivo

Três zagueiros. Linha de cinco. Reativo. Antonio Conte. Os leitores devem se recordar do período em que fomos campeões inglês e da Copa da Inglaterra jogando com as primeiras palavras do começo do parágrafo. A grande verdade é que sabíamos que a demissão de Conte era um fato consumado, o que nos preocupava, de fato, era o futuro. Quem seria o novo chefe? O novo encarregado de proporcionar alegrias ao torcedor azul?

Maurizio Sarri chegou sem nenhum título no currículo, e ainda permanece sem, se formos sinceros. Sua vinda proporcionaria aos Blues uma volta ao jogo bonito, como escrevi em um dos primeiros textos. Por outro lado, havia algumas incógnitas, uma delas era se o elenco se adaptaria tão rápido ao novo estilo de jogo e se o Chelsea daria respaldo ao novo técnico.

Em relação ao primeiro ponto, podemos dizer que o começo de trabalho é absolutamente bom e coerente. Temos apenas uma derrota na Supercopa inglesa, contra o Manchester City. Todavia, aquela partida era apenas o primeiro confronto de Sarri em solo inglês e estávamos muito desfalcados. Logo, entra a título apenas de estatística.


Pela Premier League, são 12 jogos invicto com oito vitórias e quatro empates. O segundo melhor ataque da competição com 27 gols e a segunda melhor defesa com apenas 8 sofridos. Na Europa League, quatro vitórias em quatro partidas pelo grupo L e classificação garantida. Estamos bem também na Carabao Cup, onde avançamos às quartas de final e enfrentaremos o Bournemouth em dezembro.

Os números referendam o brilhante trimestre do ex-técnico do Napoli até agora. Há alguns problemas dentro de campo, referentes ao estilo de jogo, como a compactação defensiva que ainda é crítica e a movimentação ofensiva, que vira e mexe, quando enfrentamos adversários fechados, não é automática. Mas dos 11 iniciais, aparentemente, 10 estão definidos.


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Um ponto em especial que gera dúvidas é em relação a rotação dos atletas durante a sequência de partidas. Temos visto pouco uso do plantel, de maneira geral. Antes da sua contratação ser confirmada, falei com o ex-blogueiro do Napoli, aqui no ESPN FC, Caio Bittencourt, sobre o estilo de Sarri e seu conceito sobre rotações:



“Essa preferência por não rodar gera as vezes uma bronca dos reservas com ele. Strinic e Giaccherini, ex-napolitanos, já saíram na imprensa pra reclamar dele, que só jogam os preferidos, e etc.
Mas aí muita gente diz que o "não rodar" é por conta do elenco do Napoli, e etc. Essa dúvida só será sanada no Chelsea.”



Não dá para fugir do que o Caio fala, porém por não estar totalmente claro ainda, talvez seja um pouco prematuro criticar.

O segundo ponto citado no começo do texto se refere ao respaldo da direção ao comandante azul. Obviamente que em qualquer lugar do mundo é o resultado que segura o cargo. Contudo, no caso do atual terceiro colocado do campeonato nacional, o desempenho está se mostrando satisfatório na maioria dos jogos.


O grande problema atualmente, se tratando de resultados, é em relação as partidas no Stamford Bridge. Dos quatro empates na competição, três foram na nossa casa (frente a United, Liverpool e Everton). O último foi o mais recente e é especial porque mostrou a dificuldade de furar retrancas neste começo do Sarribol.


Se Hazard não está inspirado, o jogo praticamente não flui. É necessário uma movimentação mais agressiva e um centroavante inspirado – apesar da melhora, Morata ainda é bastante inconsistente e isso nos atrapalha.


Getty Images
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A dupla também ainda não encontrou o melhor entrosamento


Uma outra deficiência apresentada é em relação às transições defensivas, que já foram piores, seremos justos. Nos jogos de Europa League, os reservas das laterais passaram grandes apertos cobrindo o seu setor, o que nos mostra também um dos motivos por Azpilicueta e Marcos Alonso serem praticamente absolutos como titulares.


Seguindo nesta linha, Cahill e Christensen tem grandes problemas na saída de bola e isso compromete demais a proposta sarriana, fazendo com que David Luiz e Rüdiger sejam intocáveis.

O passado e tudo que foi feito até aqui é digno de uma nota 8, mas como diria um famoso ditado popular: é agora que o bicho pega. A tabela se torna mais intensa a partir do mês que vem, e, mais do que nunca, poderemos ver em que patamar o Sarribol estará.