Quando a vontade de vencer é maior que o próprio orgulho

Como este blogueiro, o Chelsea andou oscilando nas últimas semanas. A última grande derrota foi para um Wolverhampton de maneira inacreditável, não pela qualidade do adversário – dono de investimentos grandes a nível de Premier League para quem vem da segunda divisão -, mas sim pela maneira que ocorreu.

Uma equipe apática após levar o primeiro gol e que, fatalmente, levaria o segundo, o que acabou ocorrendo mais tarde. Outrora saudado como novidade arrebatadora, o regista Jorginho passou a ser marcado cada vez mais de perto e isso tem complicado os planos de Maurizio Sarri.

Como já falado por este que vos escreve, a série invicta ajudou a mascarar um desempenho que não havia chegado ao auge. Muito por atuações espetaculares de Hazard e Jorginho, com coadjuvantes como Barkley, Willian e Pedro, os Blues se mantinham invictos por méritos próprios e pelo glamour da novidade e da presença de Sarri no comando técnico.

O italiano convicto nos seus pensamentos futebolísticos mostrou que é, acima de tudo, um homem que preza pela vitória em detrimento de si mesmo. A vitória em cima do Manchester City por 2-0 passou, acima de tudo, por uma reorganização tática do clube londrino e pela atuação completamente diferente do padrão visto nesta temporada até então.


Getty Images
Getty Images

Kanté e David Luiz brilharam contra o City


O primeiro fator: esquema tático

Esqueça o habitual 4-3-3. Sarri reorganizou a sua equipe em um 4-1-4-1 com Hazard de falso 9 e uma linha com três meias menos agressivos. Kanté, Jorginho e Kovacic ditavam o ritmo defensivamente por meio de marcações agressivas, congestionando a saída de bola do City.

Jorginho, atuando na mesma faixa de campo que nos outros jogos, teve um trabalho defensivo impecável, o seu melhor na temporada. Quando havia uma boa construção de ataque, a blitz azul impedia um prejuízo maior ao gol de Kepa. O Chelsea teve apenas 38,7% da posse de bola, desarmando 28 vezes. Não espere que este jogo reativo seja o padrão de Sarri porque não será.


O segundo fator: N’Golo Kanté e David Luiz

O passar da temporada fez cada vez mais a grande imprensa mundial falar do posicionamento de N’Golo Kanté. O próprio Sarri foi perguntado na sua entrevista coletiva, há algumas semanas, e ele reafirmou que não vê o camisa 7 jogando atrás, na posição de Jorginho. O que seria feito seriam ajustes ao posicionamento defensivo do francês, como foi feito.

Na fase defensiva, Kanté tem ficado mais perto de Jorginho em momentos que o adversário pressiona no nosso campo de defesa. Contra o City, Kanté alternava em pressionar junto com o time a saída de bola adversária e proteger, quando nos fechávamos.

O temor que ele não se adaptaria ofensivamente foi por água abaixo pela boa partida ofensiva e por sua evolução. Um ‘box-to-box’ não se faz da noite por dia. É necessário tempo para a assimilação do esquema como um todo.

Não há como falar da brilhante vitória sem citar David Luiz. Para o bem ou para o mal, o brasileiro consegue aparecer. E desta vez foi para o bem. Uma grande atuação englobando três elementos que mostram o porquê dele ser o titular absoluto da zaga ao lado de Rüdiger. Bom passe, excelente posicionamento ofensivo e ótima saída de bola são as qualidades que são apreciadas e obrigatórias no Sarribol.

Contra o City, em meio a um novo jeito de jogar desenvolvido quase exclusivamente para esse jogo, David Luiz foi um legítimo ‘quarterback’, armando o time de trás. O lançamento que originou o primeiro gol e o seu próprio tento enviam a mensagem de que se há Jorginho, antes existe David Luiz.

Para a maratona de Dezembro, que não para, é necessário manter o equilíbrio, como já falado pelo autor. Entretanto, não vai ser necessário manter o mesmo estilo todo jogo, coisa que Sarri mostrou que pode e, se precisar, vai fazer.