Montanha-russa de emoções mostra que devemos ter paciência com "Sarribol"

Foi uma semana atípica. Em um intervalo de pouco mais de três dias, o Chelsea foi goleado e goleou. O 4-0 para o Bournemouth não indica que está tudo errado. Da mesma maneira, o 5-0 contra o Huddersfield também não diz que está tudo certo. É preciso ponderação para analisar os impactos da derrota e, três dias depois, da vitória.



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O último texto aqui no blog foi da fatídica coletiva de Sarri, na qual ele criticava o seu elenco e pelo qual eu falei do famigerado ‘clique’ de gênio. Pois bem. A classificação nos pênaltis para a final da Carabao Cup contra o Tottenham mostrou um time que jogava pela sobrevivência, literalmente, e com bastante coração. Logo depois, tivemos a vitória sobre o frágil Sheffield Wednesday pela FA Cup, insuficiente para uma análise segura.

Antes de voltar para a ‘semana maluca’, é preciso mostrar que não houve uma quebra de compromisso com o treinador. O blogueiro que vos escreve cogitou firmemente que o elenco poderia estar querendo derrubar o treinador, porém, seria algo precoce – dado que Sarri está há apenas alguns meses no Chelsea.

Depois da surra na Premier League, as redes sociais explodiram e fui atrás de respostas para entender tamanha oscilação. Tocando em miúdos, os Blues não fizeram uma má partida. Tinha sido um primeiro tempo digno, que foi jogado no lixo com os quatro gols levados na segunda etapa. Apesar de ter sido apenas o segundo jogo de Higuaín com a nossa camisa, já havia ficado claro que o argentino compreendia melhor o Sarribol do que a maior parte do elenco.


Getty Images
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Pode não ser o melhor centroavante, mas é o que tem para hoje


O brilho do novo 9 na goleada do último fim de semana por 5-0 ajudou o time de Maurizio a melhorar o saldo de gols e a devolver, em parte, a auto-estima perdida no meio de semana. Em que pese a fragilidade do adversário, praticamente renegado à segunda divisão, é um triunfo a ser comemorado por três fatores:


1) Hazard voltou a atuar pela ponta

Pode parecer muito pouco, mas é inegável que o belga se sente mais confortável jogando pela ponta-esquerda do que como centroavante – algo que é inclusive falado pelo próprio atacante. Por mais que ele faça um gol ou outro jogando como falso 9, seu rendimento cresce muito mais atuando com um centroavante de ofício.


São 12 gols e 10 assistências para o belga, número que podia ser ainda maior se Higuaín estivesse no clube desde agosto.


2) Higuaín já faz a diferença


Não são só pelos dois gols e a estreia vitoriosa no Stamford Bridge. Trazer alguém que compreende como poucos o Sarribol é o famoso ‘plug and play’ – escalar e jogar. Sob o comando do italiano, Pipita tem 40 gols em 45 jogos, uma média de 0,89 gols por jogo.

É claro que ele não já é mais o mesmo de anos atrás, entretanto, pode ser o gás que precisávamos até o fim da temporada.


3) Sarribol está em evolução


Uma das melhores atuações da temporada. A goleada do sábado (02) mostrou que a equipe executou o famigerado Sarribol da melhor maneira possível até então. Kanté fez a sua melhor partida da temporada, as duas assistências coroaram isso, e se Barkley for um pouco mais intenso em todo o jogo, melhor para os Blues.

O eterno dilema entre Willian e Pedro na equipe titular é um problema – o melhor está sempre no banco. Alonso ainda deixa buracos na lateral-esquerda e a cobertura nem sempre é boa. Jorginho precisa refinar a sua marcação, as equipes da Premier League já aprenderam a marcar seu estilo de jogo.


Há luz no fim do túnel. Um fevereiro gigante vem pela frente e a meta do Chelsea deve continuar sendo a volta à Champions League. Enquanto o Sarribol necessita de tempo para se solidificar, não há tempo a perder para o clube de Roman Abramovich. O futuro é agora e o paradoxo de resultados vs desempenho irá continuar, pelo menos por agora.