Loftus-Cheek terá um futuro promissor - infelizmente, longe do Chelsea

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Loftus-Cheek tem se destacado com a camisa 10 da Inglaterra


Enquanto todos os olhares estavam direcionados para os comandados de Tite no amistoso entre Brasil e Inglaterra disputado na última terça-feira (14), considerado por muitos o primeiro grande teste para a Copa na Rússia, meu objetivo era outro: observar a atuação de Rubens Loftus-Cheek, camisa 10 do English Team.



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Não dei sorte. O inglês, lesionado, deixou a partida ainda na primeira etapa. Atualmente no Crystal Palace, Rubens não pôde dar sequência às suas boas atuações pela seleção - contra a Alemanha, por exemplo, foi nomeado Man of the Match.


Fruto das categorias de base, Loftus-Cheek seguiu o trágico e previsível roteiro dos jovens talentos do Chelsea: passam anos em processo de desenvolvimento, participam da pré-temporada e, se chamam atenção, são convocados para integrar o elenco principal, o significa nada mais que alguns jogos desinteressantes de Copa.


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Decepcionados com a falta de minutos em campo acabam emprestados para diversos clubes ao redor do mundo. Alguns exemplos recentes: Nathan Aké e Chalobah estão no Watford; Bertrand Traoré vai bem no Lyon; Tommy Abraham, que também faz parte da seleção, é titular no Swansea City, entre tantos outros. A lista é, de fato, gigantesca.


As presenças de Christensen, atualmente titular da equipe, e Musonda no elenco principal dão esperança, mas não convece a torcida de que a base será mais valorizada daqui para frente. Afinal, os jovens do Chelsea é que são impacientes demais para lutar por uma vaga no time titular ou o clube realmente não valoriza seus futuros talentos?


Peguemos o Tottenham como exemplo. Muita coisa mudou desde a chegada de Mauricio Pochettino aos Spurs, tais como novas ideias de jogo e esquemas táticos, mas principalmente no que se refere à filosofia do clube. O treinador argentino foi capaz de convencer Daniel Levy a desistir gastos excessivos e desnecessários para dar maior atenção às categorias de base - Harry Winks e Kane são prova disso. 


Além disso, o Tottenham meio que se especializou em contratações de jovens jogadores com grande potencial em clubes de menor expressão, para então trabalhá-los como se fossem pratas da casa, como, por exemplo, no caso de Dele Alli, um dos pilares da equipe de Pochettino. 


Essa nova filosofia nos Spurs, fortalecida após a chegada do comandante argentino, é algo praticamente impossível de se praticar no Chelsea. São mentalidades diferentes. No caso do Tottenham, a pressão por taças existe, mas nada comparado em relação aos Blues. A torcida rival abraçou essa proposta do clube e está extremamente satisfeita com o momento atual, sobretudo após a classificação antecipada na Champions num grupo com Real Madrid e Borussia Dortmund. 


No Chelsea, para o bem ou para o mal, a mentalidade é outra. A pressão por títulos é imensa a cada temporada. Antonio Conte, acredite se quiser, já é contestado no clube depois de uma Premier League praticamente irretocável na temporada passada.


Isso está diretamente relacionado ao modo como os Blues tratam seus jovens talentos. O Chelsea quer jogadores prontos para vestir a camisa, assumir a responsabilidade e dar resposta a curto prazo - caso contrário, está fora. O maior exemplo disso hoje veste a camisa dos Citizens: Kevin De Bruyne. Você consegue imaginar o estrago que Hazard e De Bruyne trariam aos nossos rivais? Os Blues não tiveram paciência. 


Harry Kane, por exemplo, era um baita caneleiro anos atrás - e quem me confidencia isso é Pedro Reinert, blogueiro do Tottenham. O clube soube ser paciente e hoje tem em mãos um dos melhores atacantes do mundo. 


A declaração do pai de Loftus-Cheek ao Sky Sports é a comprovação disso tudo, em que culpa José Mourinho por impedir seu crescimento no Chelsea e diz não ter dúvidas que seu filho, sob o comando de Pochettino, já estaria em outro patamar. 



"Ele deveria estar jogando. Todos nos bastidores estavam perguntando: 'por que ele não está jogando?' Se Ruben estivesse jogando com Mauricio Pochettino, ele já teria 70, 80, 90 aparições pela equipe principal à essa altura."



No final das contas é tudo uma questão de prioridade em que Chelsea e Tottenham se diferem. Os Blues optaram por apostar em Bakayoko e Drinkwater para a posição.


É certo dizer que Loftus-Cheek terá um grande futuro pela frente, mas, infelizmente, não no Chelsea.