O fenômeno Andreas Christensen, 'o zagueiro adulto no corpo de um jovem'

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Fica tranquilo que aqui cuido eu


"Christensen é um adulto no corpo de um jovem". 


Daily Mail, em reportagem publicada após a vitória dos Blues sobre o Huddersfield, utilizou essas palavras para descrever o excelente início do promissor zagueiro dinamarquês, de apenas 21 anos, que aguardou pacientemente pela sua oportunidade e hoje tornou-se titular indiscutível na zaga do Chelsea. 



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Andreas, por assim dizer, representa a vitória das categorias de base pra cima da exagerada política de empréstimos. O defensor realmente suou muito nos dois anos em que passou no Borussia Mönchengladbach, sendo titular e considerado um dos melhores zagueiros da Bundesliga.


Diferentemente de outros jovens, que muitas vezes retornam não tendo alcançado o indíce técnico e físico ideal para disputar uma Premier League, Christensen voltou ao Chelsea pronto para, ao menos, ser peça constante no time titular. 


A pré-temporada do dinamarquês encheu os olhos de Antonio Conte, que não titubeou em integrá-lo ao elenco principal. Na ocasião, destaquei que o defensor preenchia todas as características necessárias para se tornar um grande zagueiro



"Agora sem Zouma e Aké, Christensen é apontado como o futuro da zaga do Chelsea. Ele preenche todos os requisitos para um bom defensor: alto (1,88m), forte e sabe trabalhar bem com a bola no pé - não é só chutão."



O futebol se reiventa a todo momento. Em todas as posições, por exemplo, se exige mais do aquilo que normalmente se espera - goleiro precisa saber jogar com os pés, volantes que só marcam são preteridos por aqueles que não apenas desarmam, mas também saem pro jogo, centroavantes são deixados de lado para dar lugar a atacantes mais flexíveis e que se sacrificam pela equipe... e por aí vai. 


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Christensen e David Luiz chegaram a atuar juntos diante do Tottenham - dinamarquês como zagueiro e o brasileiro como volante


Christensen representa exatamente essas mudanças e novas demandas do futebol. Para se ter ideia do impacto do zagueiro na Premier League, o camisa 27 é o único jogador do campeonato que alcançou a taxa de 100% em passes em três confrontos (Tottenham, Swansea e Southampton) - isso, claro, tendo disputado esses jogos desde o início sem ser substituído. 


Além da precisão nos passes, fundamento que Conte exige muito de seus defensores desde os tempos de Juventus e Itália, Andreas é um zagueiro que comete pouquíssimas faltas (total de 3 em 14 aparições) e não tomou nenhum cartão. Isso sem falar da sua qualidade no jogo aéreo, sendo um dos mais eficientes do campeonato, e o posicionamento certeiro em basicamente todos os lances de perigo do adversário. 


Como efeito de comparação, David Luiz, em oito partidas, cometeu 11 faltas, recebeu três amarelos e um cartão vermelho (vs Arsenal). Tudo isso ajuda a entender as razões para Antonio Conte tê-lo barrado para promover Christensen à titularidade.


O grande mérito do italiano, no entanto, acabou sendo mais um erro à frente do Chelsea, assim como aconteceu com Diego Costa: o problema não são suas decisões e sim a abordagem de Conte nos dois episódios. Esse comportamento do treinador será abordado no blog nas próximas semanas. 


Em relação ao defensor, não há dúvidas que Christensen, como afirmou Conte, é o futuro e presente do Chelsea. Talvez esta temporada, por inúmeras razões, não termine com títulos - mas a primeira grande vitória do clube foi a afirmação de Andreas Christensen como atleta. O futuro do zagueiro com a camisa dos Blues é extremamente promissor, inclusive com a possibilidade de prolongar seu contrato, que atualmente vence em 2020. Nada mais justo.