Chelsea precisa evoluir e desapegar da 'Hazardependência'

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Caballero fez excelentes defesas e salvou o Chelsea da eliminação na FA Cup


Willy Caballero impediu uma noite que tinha tudo para ser trágica ao Chelsea: gol sofrido no último lance do jogo, prorrogação, expulsões e disputa de pênaltis.



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Os Blues seguem vivos na FA Cup, mas o futebol apresentado é horrível e pobre. Se não fosse o gol solitário de Batshuayi, o Chelsea chegaria ao quarto jogo consecutivo sem balançar as redes adversárias - empates em 0 a 0 diante do próprio Norwich City no jogo de ida, Arsenal e Leicester City. 


Esses últimos resultados ilustram bem o que se tornou o Chelsea nas últimas rodadas. A parte defensiva, por exemplo, continua boa, inclusive com as ótimas aparições de Ampadu, que promete seguir os passos de Christensen. Ofensivamente, por outro lado, a equipe caiu muito de produção. 


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Ampadu pode seguir os mesmos passos de Christensen no Chelsea


Álvaro Morata segue perdendo gols inacreditáveis - já são seis jogos de jejum. Batshuayi, por mais esforçado que seja, não tem condições de sequer ameaçar a titularidade do espanhol. Pedro continua a correr mais que a bola e Willian é o único que arrisca algo diferente no ataque. Sobra Hazard, sem sombra de dúvidas o dono do time.


A tal da 'Hazardependência' é algo que preocupa em dois aspectos muito claros: 1) um time como o Chelsea não pode depender de um único jogador e 2) que é referente ao próprio belga, que, sendo assediado constantemente pelo Real Madrid, pode enxergar seu futuro longe dos Blues a fim de atuar ao lado dos grandes jogadores e o sonho de vencer a Champions. Imagina você, torcedor, vendo o Chelsea jogar esse futebol pobre e sem Hazard? Preocupante. 


Essa discussão levanta alguns pontos interessantes sobre a postura do clube em termos de elenco e mercado de transferências. De uns anos pra cá, comparado aos clubes de Manchester, o Chelsea adotou uma postura cautelosa no mercado: gastou relativamente pouco - Diego Costa, Fàbregas, Kanté e Courtois vieram praticamente de graça tendo como comparação os valores inflacionados desta temporada e a relação de custo-benefício. Foram contratações pontuais e que funcionaram muito bem.


Para 2017/18, o clube manteve a cautela e trouxe nomes bem modestos, apostando na ideia que não era preciso contratar grandes jogadores e reforçar o elenco estava de bom tamanho - a falsa ilusão que o time titular era bom o suficiente.


Diante deste choque de realidade, em que o Chelsea claramente não está no mesmo nível dos demais rivais, fica o questionamento: chegou a hora de investir pesado no mercado e sondar nomes de peso, que cheguem para vestir a camisa e resolver em campo? 


O City, por exemplo, tem Kevin De Bruyne como craque do time. Se ele não joga, no entanto, o restante do time tem totais condições de resolver os confrontos, tais como Sterling, David Silva, Gündoğan, Bernardo Silva e Agüero - isso sem mencionar que o centroavante da Seleção Brasileira é, na maioria das vezes, reserva. Evidente que não foram apenas as contratações de peso que fizeram os Citizens comer a bola nessa temporada - tem um tal de Pep Guardiola à beira do gramado. 


A impressão é que o Chelsea poderia trilhar o mesmo caminho, uma vez que tem condições de competir financeiramente com os rivais, mas opta por ser uma espécie de rico suave, isto é, poderia investir pesado, porém mantém a humildade.


Em determinados momentos tal estratégia pode funcionar, mas é sempre arriscado - e a atuação diante dos Canaries expôs as fragilidades do elenco dos Blues. Afinal, e digo isso com o maior respeito ao brasileiro, mas quando Kenedy e Caballero são os destaques contra uma equipe da segunda divisão é porque as coisas não caminham bem. Hazard, que veio do banco, não brilhou, mas é inegável que o time evolui quando está em campo - daí a tal 'Hazardependência'.


O confronto mais aguardado da temporada - oitavas de final frente ao Barcelona - acontecerá praticamente daqui um mês. Será o tempo necessário para que Antonio Conte faça com o que o time jogue de forma equilibrada tanto na parte defensiva como ofensivamente. Caso contrário, a eliminação é certa.


Quanto ao futuro, vale a pena a reflexão: chegou a hora do Chelsea investir pesado no mercado e fazer frente aos rivais, principalmente no caso do City? Antonio Conte, mesmo com elenco médio nas mãos, poderia fazer melhor? As respostas virão à tona - e tomara que por meio de um futebol bem jogado e, quem sabe, com elencos mais competitivos pela frente.