Entre tropeços e desvios, Chelsea paga caro pelo azar e futebol pobre

Getty Images
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Caballero fez o que pôde, mas não salvou o time de mais uma atuação ruim


Todos nós já tivemos o nosso dia de Antonio Rüdiger nas peladas ou campeonatos entre amigos à parte. Você se dedica, dá carrinho, sobe mais que todos numa bola aérea, não foge das divididas, mas basta um desvio sem querer que resulta num gol contra ou jogada favorável ao adversário que tudo vai por água abaixo. 



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O zagueiro alemão não é o culpado pela eliminação dos Blues na Carabao Cup. Assim como tem se repetido nas últimas rodadas, o futebol do Chelsea é muito pobre, sem repertório e extremamente previsível.


É claro que, especificamente no confronto desta quarta-feira (24), a sorte jogou ao lado dos Gunners. Gols inexplicáveis de tão bizarro: uma jogada clássica de pinball, em que a cabeçada de Monreal desvia em Alonso e Rüdiger e engana Caballero; na outra, um passe desviado que cai justamente no pé de Xhaka, que só deslocou o goleiro argentino. De fato, inacreditável. 


Isso sem falar nos lances em que o azar deu boas-vindas aos jogadores do Chelsea. Duas jogadas foram memoráveis: primeiro na enfiada de bola de Bakayoko para Hazard, que sai em direção ao gol, se desequilibra sozinho e desperdiça a chance de anotar seu segundo gol no jogo; depois, já nos momentos finais da partida, em que Alonso tenta ganhar o escanteio, cruza nas pernas do adversário, a bola rebate nele antes de sair e o espanhol cai de cara no microfone colocado à beira do gramado. 


A derrota também escancara, ainda que boa parte da torcida não admita, sobre a dependência do Chelsea em Eden Hazard. O time só leva perigo quando a bola está nos pés do belga. Quando a marcação dobrou sobre ele, a equipe não criou mais nada - e tinha cerca ainda de meia hora de jogo após o segundo gol do Arsenal. Willian, talvez o único que se esforça para dividir o protagonismo entre os titulares, ainda saiu lesionado. Dessa forma, quem dos reservas poderia chamar a responsabilidade? Batshuayi? Zappacosta? 


É hora de encarar, refletir e admitir que o elenco do Chelsea é mediano. Eu mesmo me equivoquei em acreditar que tínhamos plantel suficiente para medir forças contra Manchester City e os demais adversários da Champions - à exceção de clubes como PSG, Barça e Real Madrid. Se o time não é capaz de reagir contra o Arsenal, o que devemos esperar nos duelos contra o Barcelona? 


Os lances de infelicidade e azar tornam a eliminação ainda mais doída, mesmo porque o Arsenal não jogou tanta bola para merecer a vaga na final. Mas assim é o futebol: definido nos detalhes. Ou, neste caso, nos desvios. Faz parte. Talvez daqui alguns jogos a sorte jogue a favor dos Blues


A verdade é que o Chelsea precisa jogar mais bola. A impressão é que o time se tornou presa fácil e muito vulnerável perante seus adversários - empatar duas vezes com Norwich deixa isso bem claro. Eliminações e derrotas são normais, mas conformismo com atuações pobres e sofríveis é inaceitável.


Por fim, fica o lembrete: Chelsea e Barcelona fazem o primeiro duelo das oitavas de final, em Stamford Bridge, no dia 20 de fevereiro. Muita coisa precisa mudar até lá. Muita.