Champions de 2012, contra-ataque e Hazard: as armas do Chelsea para encarar o Barça

Você liga a televisão e assiste a um belo confronto entre Real Madrid e Paris Saint-Germain. Aí o Tottenham, que aparentemente tomaria uma surra da Juventus, encurrala a Vecchia Signora e por pouco não alcança uma virada histórica. Isso sem falar no Liverpool que destroçou o Porto em pleno Estádio do Dragão. 



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Após duas goleadas vexatórias sofridas em sequência contra Bournemouth e Watford e a lembrança do confronto frente ao Barcelona a exatamente uma semana, a preocupação era evidente, uma vez que o Chelsea não se encontra no mesmo nível técnico que os times mencionados. 


Ainda nessa temporada, o Chelsea se impôs pra cima dos Spurs e deixou Wembley com três pontos preciosos e jogou de igual para igual diante dos Reds em Anfield. Futebol, no entanto, é momento e, atualmente, nossos rivais têm jogado muito mais bola. Os bons resultados contra West Bromwich e Hull City, convenhamos, não é parâmetro. 


Em tempos em que o clube flerta com a instabilidade, desconfiança e a poucos dias do primeiro confronto entre as equipes, a histórica semifinal entre Chelsea e Barça em 2012 surge para dar ânimo não somente aos torcedores mais pessimistas como também aos próprios jogadores como motivação e inspiração.


Getty Images
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'Operação Messi': argentino bem que tentou, mas parou na forte marcação do Chelsea


Quando digo isso não faço menção à retranca, mas sim em relação à dedicação e comprometimento dos jogadores em busca da classificação. Foram verdadeiros duelos dentro de campo em que prevaleceu a valentia de Raul Meireles e companhia sobre Guardiola e a genialidade de Lionel Messi. 


Os Blues nunca sofreram tanto atuando em Stamford Bridge - verdadeiro sufoco com bola na trave, defesas sensacionais de Cech e Ashley Cole salvando em cima da linha. Foi preciso sofrer muito para segurar aquele 1 a 0 chorado, mas se o elenco atual repetir a mesma entrega daquela equipe as chances de seguir vivo na Champions são maiores. 


Outra arma que o Chelsea deverá colocar em prática serão os contra-ataques - justamente o ponto fraco do time espanhol como aponta Vinicius Alexandre do Blog Nou. Abro aspas:



"Ponto fraco é que principalmente no primeiro tempo o time sofre um pouco pra controlar o jogo, e quando começa a tentar subir a marcação pra ficar mais tempo no ataque acaba ficando muito exposto ao contra-ataque."



O contra-golpe definitivamente será a estratégia de Antonio Conte. Seja no 3-4-3 ou 3-5-2, a expectativa é que os Blues forcem a marcação no meio-campo em busca de um desarme que possa pegar a defesa adversária desprevenida - exatamente como fizeram Lampard e Ramires tanto em Stamford Bridge quanto no Camp Nou. Nesse quesito, Fàbregas pode ser peça-chave num lançamento certeiro para Hazard, Moses ou Morata.


Todo comprometimento tanto na parte técnica quanto tática só funciona se vier acompanhado do talento individual, ou seja, aquele que pode fazer a diferença e chamar o confronto para si. Em 2012, Didier Drogba foi o cara do Chelsea diante do Barça: oportunista no confronto de ida e guerreiro no jogo da volta. 


Dentro do elenco atual, apenas Eden Hazard inspira confiança da torcida para tal função. Dono da camisa 10, o belga terá que chamar a responsabilidade e fazer a leitura correta da partida, tais como saber o momento de acelerar e desacelerar o ritmo do jogo; cavar faltas, puxar contra-ataque e oferecer o máximo de perigo à meta de Ter Stegen. Ou seja, terá que fazer tudo e mais um pouco. 


É como dizem: só perde quem joga. O Chelsea não é favorito e o momento não é dos mais favoráveis, mas é preciso acreditar. Uma cabeçada certeira de Rüdiger? Cobrança de falta impecável de Marcos Alonso? Gol de canela do Morata? Nós aceitamos.


Se um raio realmente pode cair duas vezes no mesmo lugar não seria má ideia se caísse novamente em Stamford Bridge nesta próxima terça-feira.