Chelsea 1-1 Barça: o futebol nem sempre é justo - e por isso é tão fascinante

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Explosão em Stamford Bridge: torcida foi à loucura após o gol de Willian


Em poucas palavras, Frank Lampard resumiu de forma bem clara e objetiva o sentimento dos jogadores e torcedores após o apito final: “It feels like a what-could-have-been kind of night”.



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E se os chutes de Willian no primeiro tempo tomassem outra direção? E se Christensen, soberano em praticamente toda a partida, desse um bico na bola ao invés daquele passe arriscado? E se Fàbregas tentasse se antecipar e afastar a bola daquela região? E se o carrinho de Azpilicueta fosse mais certeiro a ponto de impedir o avanço de Iniesta?


O “se” não existe - e isso é o que torna o futebol cruel e fascinante ao mesmo tempo. Cruel para o Chelsea, que teve atuação impecável e deveria ter deixado Stamford Bridge com a vitória. Fascinante para o Barcelona, que se viu encurralado na estratégia adversária, pouco criou e se aproveitou de uma bola para castigar os Blues. Quando uma bola cai de bandeja nos pés de Iniesta com Messi completamente desmarcado você deve se preparar para o pior.


Da mesma forma que o Barcelona, em 2012, não merecia ter perdido por 1 a 0 em Stamford Bridge. Coisas do futebol: azar de um, sorte do outro. 


Apesar do gosto amargo pelo empate, o Chelsea sai deste primeiro embate muito maior do que entrou. Não teve onze homens no campo de defesa, não teve retranca e muito menos park the bus. Diferente do que aconteceu na semifinal há seis anos, os Blues vieram para incomodar e jogar de igual para igual - e o Barcelona certamente escapou do pior. Isso tudo graças ao trabalho e conhecimento tático daquele maluco apaixonado que entende muito de futebol.


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É muito bom ver este homem feliz e motivado à beira do gramado


Como qualquer outro treinador, Antonio Conte tem seus defeitos. Paga caro pelas coisas que diz e faz porque é um apaixonado e fanático pelo seu trabalho, sempre muito mais impulsionado pela emoção do que a razão. A torcida compreende o esforço do italiano, apesar de suas falhas, e não à toa demonstrou total apoio com cânticos e bandeiras mesmo após as humilhantes goleadas sofridas na Premier League.


Sorte a nossa que Conte esteve à beira do gramado para este primeiro embate contra o Barça. Nenhum auxiliar, outro técnico ou até mesmo Guus Hiddink seria capaz de fazer uma leitura tão precisa sobre o adversário como fez o italiano. É bem simples: ruim com ele, definitivamente pior sem ele.


Ainda sobre o confronto, Christensen não pode ser apontado como vilão. É como naqueles clichês do futebol: quando ganha, ganha todo mundo; quando perde, perde todos. Esse vacilo não apaga a temporada espetacular do jovem de apenas 21 anos, que tem um futuro brilhante pela frente.


Além da entrega dos jogadores e a perfeita aplicação tática, a performance de Willian, que beirou a perfeição, é um capítulo à parte. Muitas vezes ofuscado pelo protagonismo de Hazard, o camisa 22 puxou pra si a responsabilidade e foi o nome do jogo: lindo gol, duas bolas na trave, muita disposição física para puxar os contra-ataques… Definitivamente o Man of the Match.


O placar, sem dúvidas, favorece o Barcelona, que pode jogar pelo empate, mas é inimaginável que o clube espanhol jogará pelo 0 a 0, até mesmo pelo DNA ofensivo da equipe blaugrana. Não há nada decidido, e o Chelsea indiscutivelmente dará a vida pela classificação. Se cair, cairá de pé. Já buscamos uma vez e temos condições de repetir a mesma façanha - basta acreditar.