É preciso encarar o óbvio: Morata ainda está em dívida com o Chelsea

Getty Images
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Morata esteve encurralado pela defesa do United durante toda a partida


Se o bandeirinha não anulasse erroneamente o gol anotado por Álvaro Morata, que empataria a partida diante do Manchester United, talvez este texto nem viria à tona, já que o atacante supostamente salvaria o Chelsea da derrota e sua fraca atuação nem entraria em discussão. 



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A verdade é que, tendo marcado o gol ou não, o camisa 9 dos Blues está devendo bom futebol há bons meses - sua última grande participação foi em novembro justamente contra os Red Devils, quando anotou o gol da vitória em Stamford Bridge.


Desde então, Morata chegou a marcar em mais alguns jogos, depois veio o jejum de gols e posteriormente a lesão que o afastou por algumas partidas. Seu retorno ao time foi bem ruim - sempre muito lento, tomando decisões erradas e, quando pintava a oportunidade, reencarnou Fernando Torres em seus piores dias, por exemplo no empate por 2 a 2 frente ao Arsenal. 


Enquanto escrevo já prevejo os comentários e as inevitáveis comparações com Diego Costa e a burrice de Antonio Conte nesta decisão - e dessa polêmica já expliquei neste post.


Mantenho a opinião que Morata não chegou pronto e no auge aos Blues, diferente de Costa, que já era um centroavante consolidado no cenário europeu e fazia estrago pela La Liga a cada temporada pelo Atleti. Isso, no entanto, não pode mascarar as atuações bem ruins do espanhol. 


Em comparação com o pelotão top 6 dos times ingleses, Álvaro, com dez gols marcados, está atrás de basicamente todos os demais artilheiros dos clubes rivais (Kane, Salah, Firmino, Lukaku, Agüero e Sterling) e à frente apenas de Lacazzette, o que não significa muita coisa. 


Apesar de tanto Liverpool, City, United e Tottenham serem clubes com grandes nomes em todas as posições, há partidas em que o coletivo não funciona e, dessa forma, o individual precisa entrar em jogo - não à toa Agüero e Kane decidem confrontos numa bola, sempre muito bem colocados e oportunistas.


Esse oportunismo é o elemento que faz a diferença, principalmente em grandes duelos. Isso ficou muito claro na derrota dos Blues para o United: quando a equipe de Mourinho estava desnorteada e perdida após o gol de Willian, Lukaku chamou a responsabilidade e foi disparado o nome do jogo. Morata, por outro lado, esteve completamente desconexo, alheio e fisicamente sofrível durante os noventa minutos - mal conseguiu fazer um mísero pivô. 


A questão da pouca quantidade de gols em relação aos centroavantes rivais é algo à parte, mas o que realmente preocupa é o desempenho. Se a fase é difícil e a bola não entra é preciso ao menos contribuir coletivamente, seja dando assistência, incomodando a zaga, abrir espaço para os pontas e meias avançarem, fazer o pivô... e nem esses fundamentos básicos o camisa 9 tem feito.


Não é questão de crucificá-lo e decretar sua passagem no Chelsea como fracassada sem ao menos completar sua primeira temporada. Mas no futebol tudo é muito rápido: ou cai nas graças da torcida ou em desgraça - e Morata atualmente passa por um período sombrio, mas somente gols e boas atuações podem salvá-lo das críticas. Potencial ele tem, mas é preciso fazer muito, muito mais.