Chelsea conseguiu a proeza de ser humilhado por 1 a 0

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Azpilicueta, coitado, evitou o pior e segurou a bronca ao longo dos noventa minutos


Na onda de memes pelo mundo afora, há uma imagem de um episódio dos Simpsons que ilustra perfeitamente o que rolou na partida entre Chelsea e Manchester City: o palhaço Krusty chuta seguidamente o personagem Krusty Burglar, que já se encontra no chão e rendido. Neste momento uma das crianças grita: “Stop! Stop! It’s already dead!”



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A reação do garoto, assustado diante de tanta brutalidade, pode ser aplicada ao que o torcedor dos Blues sentiu na derrota para os Citzens. O Chelsea já entrou em campo morto, completamente entregue e pronto para a pancadaria que levaria ao longo dos noventa minutos.


Foi como numa luta de boxe: de um lado, um oponente em alta vindo numa sequência de vitórias avassaladoras e o grande cotado a conquistar o cinturão; de outro, um adversário frágil, consciente da mínima chance de triunfo e que se contentaria em ser derrotado, mas faria de tudo para não ser humilhado como os demais lutadores.



"Neste momento você tem que aceitar as críticas, mas não sou tão estúpido para jogar aberto contra o City e perder 3-0 ou 4-0. Se me lembro bem, há alguns dias o Arsenal jogou duas vezes contra eles e você [a mídia] criticou [Arsene] Wenger porque eles concederam três gols em 20 minutos."



Essa foi a estratégia de Conte: não ser destroçado por Guardiola. Na cabeça do italiano foi tudo mil maravilhas: jogo fora de casa, adversário completamente superior e revés pelo placar mínimo? Sucesso, certo?! Bom, não é bem assim.


Afinal, o que significa o termo humilhação no futebol? Trata-se apenas de gols sofridos e placares elásticos? O conceito vai de pessoa para pessoa, de treinador para treinador, mas não é loucura admitir e aceitar que o Chelsea foi humilhado pelo City, que sufocou do começo ao fim.


O vídeo que anda rolando pelas redes sociais dos onze jogadores do Chelsea simplesmente estáticos e sem ao menos ameaçar o toque de bola dos Citizens é revoltante. Se o adversário fosse algum clube da segunda, terceira ou quarta divisão seria compreensível, mas o Chelsea (!) adotar essa postura covarde é chamar o torcedor de idiota.




Apesar do nível técnico e tático inferior, muitos clubes medianos já deram muito mais trabalho ao City na temporada (basta lembrar do Wigan pelo confronto na FA Cup). O Chelsea, apesar dos pesares, deveria ao menos se portar como time grande e incomodar de alguma forma a defesa adversária, mas isso passou longe de acontecer no Etihad Stadium.


Liverpool já tomou cinco do City no Etihad Stadium. Humilhação, sem dúvida. Em Anfield, no entanto, os Reds deram a cara pra bater, arriscaram, jogaram pra frente e ganharam com autoridade, impondo a primeira derrota na competição ao time de Guardiola. Os Spurs também foram goleados, mas não renunciaram ao estilo ofensivo de Pochettino.


Ser goleado é o pesadelo de todo técnico, jogador e torcedor. Dignidade (neste caso, a falta dela), por outro lado, é algo muito maior que seja lá quantos gols sofridos. Nem as goleadas para Watford e Bournemouth incomodaram tanto quanto o papelão que o Chelsea protagonizou neste último domingo (4). 


Se Antonio Conte mereceu todos os elogios pelo baile tático contra o Barcelona, desta vez ele é o principal culpado pelo vexame, de 1 a 0, para o poderoso Manchester City.


Pior é lembrar que, temporada passada, o Chelsea deu um banho tático nos Citizens na vitória por 3 a 1 no mesmo Etihad Stadium. Como o tempo passa...