Genialidade de Messi à parte, Chelsea precisa repensar muita coisa para o futuro

Getty Images
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Tomar dois gols embaixo das pernas num jogo decisivo é revoltante demais. Parabéns, Courtois


As coisas como elas são: há seis anos o Chelsea nunca sofreu tanto diante de um dos melhores times do Barcelona nos últimos anos. Foram onze jogadores na defesa, postura bem covarde e a única tática era evitar o pior e, se possível, marcar um golzinho cagado. No final das contas, apesar do sufoco, os Blues chegaram à final e conquistaram a taça da Champions.



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Não há outra forma de encarar essa eliminação como dívida do que foi a semifinal de 2012. De modo geral, o Chelsea fez confrontos equilibrados diante do Barcelona (sendo sincero, jogou até melhor), criou inúmeras oportunidades de construir bons resultados tanto na ida quanto na volta, chutou quatro bolas na trave ao todo... E de nada adiantou. Faz parte.


Pode soar como dor de cotovelo, mas o Chelsea não protagonizou o mesmo papelão que Manchester United, por exemplo. A missão era muito mais complicada que a do rival, e o time, por incrível que pareça, caiu de pé. Mesmo os torcedores do Barça sabem que o resultado não reflete o que foi a partida - a classificação é justa, porém não condiz com o placar no agregado.


O grande detalhe do confronto tem nome e sobrenome: Lionel Messi. O Chelsea se preparou para o Barcelona, mas foi surpreendido pela genialidade do camisa 10, assim como tantos outros clubes já passaram pela mesma situação. A maldição do argentino contra os Blues definitivamente foi quebrada: executou com perfeição tudo aquilo que tentou. Deitou e rolou. Ser vítima do talento de Messi não é motivo de vergonha. Afinal, não tem como parar aquilo que não pode ser parado.


O Chelsea, no entanto, facilitou demais. Inclusive, os quatro gols concedidos poderiam ser evitados, uma vez que aconteceram por conta de erros individuais (Christensen, Fàbregas, Courtois e Azpilicueta tiveram parcela de culpa nos gols sofridos). Se erros contra times médios na Premier League já é complicado, imagina contra o Barcelona? Completamente inaceitável, e até por conta disso é injusto criticar Antonio Conte, porque a parte tática funcionou bem na medida do possível, mas ele não pode fazer nada quando seus jogadores erram passes ridículos.


Dentre as muitas coisas que o Chelsea precisa repensar para o futuro, talvez a principal seja a montagem do elenco. Era muito claro que o título da Premier League na temporada passada, apesar da campanha excelente e indiscutível, foi algo fora da curva no sentido que grande parte dos jogadores que brilharam em campo naquele período, principalmente Moses, Alonso e Pedro, não manteriam o mesmo rendimento para 2017/18. Ou alguém realmente acreditava que Moses era o melhor ala direita em atividade?


Era óbvio que ia dar merda, mas a diretoria do Chelsea fez vista grossa e presenteou Antonio Conte com contratações duvidosas, arriscadas e medianas. Passou o recado do tipo: "Trouxe uns mimos pra você, Antonio, agora se vira aí e tente um novo milagre". Não é assim que funciona - e o comandante italiano também não é inocente neste processo todo (entenda como o episódio com Diego Costa). 


Essa questão ficou escancarada diante do Barcelona. A equipe de 2012, embora decadente taticamente, a parte técnica era excelente: Cech, Ivanovic, Terry, Ashley Cole, Lampard, Ramires (em grande fase) e Didier Drogba. Não só esses jogadores eram acima da média como exerciam uma liderança absurda dentro de campo que norteou a equipe rumo à taça. 


Quando nos deparamos com os onze iniciais dos Blues nesta temporada é impossível citar um jogador que tenha espírito de liderança - Courtois não tem moral para dar ordens a ninguém enquanto segue tomando gols ridículos; Fàbregas? Vem atuando só por conta do nome. Hazard é bom, mas não reúne o necessário para chamar a responsabilidade quando necessário, algo que ficou evidente diante do Barça. O Chelsea, portanto, pode se resumir a um amontoado de jogadores bons e esforçados, mas que, justamente pela falta de líderes em campo, torna-se uma equipe extremamente vulnerável. 


O clube precisa tirar lições valiosas desta temporada. Das duas uma: ou se reforça com jogadores decentes e capazes de mudar o status da equipe tanto técnica quanto taticamente ou continuará sendo coadjuvante e presa fácil aos principais clubes do mundo. E os Blues, diferente de tantos outros clubes, tem condições para isso, mas a impressão é que a diretoria se acomodou e apenas torce para o melhor, mas não faz acontecer - e aí fica difícil. É como se esperassem que aquela loucura que foi a Champions de 2012 voltasse a acontecer num passe de mágica.


É loucura.