Clínico e cirúrgico, o Corinthians é o camaleão do futebol brasileiro

Clayson, Rodriguinho, Jadson e Romero.


Este foi o quarteto ofensivo que começou jogando contra o Independiente, em Avellaneda, na noite de quarta-feira (18). Para um jogo de Copa Libertadores, fora de casa, contra um time argentino, a previsão era de um jogo chato, pegado, com pressão extrema e pouca bola rolando. A parte certa disso tudo foi só a pressão. E dos argentinos.


O jogo, em si, foi muito bom. Poucas faltas, chances criadas para os dois lados e os setores defensivos trabalhando muito. Apesar de toda a dificuldade de jogar contra um grande argentino, Fábio Carille encontrou um esquema que defende extremamente bem e consegue criar jogadas perigosas, pelas pontas, nos contra-ataques.


Ontem, apesar de o gol sair de uma jogada ofensiva trabalhada, e não de um contra-ataque rápido, o time se adaptou ao jogo e conseguiu uma vitória importantíssima.


Dá para comparar o Corinthians com um camaleão. Assim como o lagarto, encontrado na África, Europa e Ásia, o clube paulista se adapta ao ambiente em que está e consegue manter-se frio para mudar sua postura e apresentar seu jogo.


Gazeta Press
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Jadson garantiu uma vitória importantíssima para o Corinthians na Libertadores


Mesmo quando não dá certo, é característico ver que o time não joga de uma maneira única como Tite fazia, por exemplo. Carille busca um padrão de jogo e já deixou isso claro, mas, enquanto não encontra, conseguiu criar um mecanismo interessante de jogo, alterando posições, mudando as formas de jogo e confundindo os adversários. Seja em qualquer estádio ou em qualquer país. Talvez trabalhar e aperfeiçoar isso seja o caminho. 


A vitória encaminha uma classificação que parecia possível, mas não fácil. E este texto vale um destaque para o grande Mateus Vital. Vinte anos, jogando uma bola absurda e com uma visão de jogo incrível. Junto com Ralf e Sidcley, mais uma vez, a diretoria acertou na contratação. E, embora ainda esteja devendo um centroavante para a gente - que deve ser Roger mesmo -, é inegável que os dirigentes encontraram um talento incrível no Rio de Janeiro. O garoto tem um futuro brilhante no Corinthians.


Voltando para o jogo, não dá para deixar de falar do gol mal anulado do Independiente e afirmar que, sim, os caras foram prejudicados e nós fomos beneficiados pelo lance.


Agora, independente de lado, é impossível julgar o bandeirinha pelo erro. Haviam quatro atletas argentinos impedidos no lance e apenas um - o que fez o gol - estava em posição legal no momento do chute, em um rebote.


Muito difícil de conseguir ver.


Isso não anula o fato de que o jogo seria 1 a 1 e, ainda assim, um bom resultado pro Corinthians. Mas é algo que continuará acontecendo enquanto o VAR não for implantado no esporte.



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