Os títulos brasileiros do Corinthians: o esquadrão Tricampeão

Às vezes, os deuses do futebol se permitem bater uma bola dos gramados pelo mundo, mas a chance de você conseguir vê-los é muito rara. Mas para nós que vivemos o time campeão brasileiro de 1999 a impressão era de ver o talento dos próprios deuses do futebol em campo. O time de 99 foi um esquadrão para ser emoldurado na história.


*Esse é o quinto post da série de Títulos Brasileiros do Corinthians em ordem regressiva. A música que escolhi para o Tri é Garra Corinthiana:




Os outros posts da série:
A quarta força heptacampeã


- Os seis melhores momentos do Hexa do Corinthians


- Pentacampeão na raça!


- O Tetra das tretas



NOTA: Texto feito pelo convidado Clayton Bezerra - @claytonbezerra. Agradeço a colaboração!


O Corinthians entrou no Campeonato Brasileiro de 1999 para lutar pelo tri-campeonato como favorito. Isso mesmo, favorito!


Houve algumas alterações no elenco em relação ao bi-campeonato, como as saídas de Gamarra e Sylvinho. Em contrapartida, o Corinthians promoveu para o time principal grandes revelações da Copa São Paulo de Futebol Júnior, principalmente Kleber, que assumiu o lugar de Sylvinho, e Edu. E ainda chegaram para o elenco Luizão e Dida. O time, além de ser uma máquina de jogar futebol, estava mordido e era recém campeão paulista (lembra das embaixadinhas?). Seria praticamente impossível parar o Corinthians.


E o Corinthians foi implacável no inicio do campeonato: aplicou 3 goleadas nas quatro primeiras rodadas e manteve-se invicto até a oitava. Uma campanha que seria histórica.


gazetapress
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Um time tão forte que a foto vai pesar para carregar: Em pé(da esquerda para a direita): Nenê, o goleiro Maurício, Fernando Baiano, o goleiro Dida, Gilmar, João Carlos, Vampeta, Kléber, Márcio Costa e Edu - Agachados: Augusto, Marcos Senna, Luizão, Ricardinho, Dinei, Marcelinho Carioca, Edílson e Índio


O mata-mata


A classificação para as quartas-de-final veio com muita antecedência e o cuidado foi para manter a liderança para jogar por 3 empates na "melhor de três", com duas partidas em casa. Primeiro objetivo foi conquistado, terminamos em primeiro, seguido de perto pelo Cruzeiro, atual vice-campeão na época.


No primeiro confronto da fase de mata-mata, contra o Guarani, empatamos no Brinco de Ouro em 0x0. O Corinthians decidiu que na fase eliminatória utilizaria o estádio do Morumbi, que seguiu como nossa casa até a final. No segundo jogo do confronto, vencemos o bugre com gols de Marcelinho e Ricardinho. Na terceira partida o Corinthians jogava com certa folga para avançar para as semifinais. No primeiro tempo o Guarani abriu o placar e no segundo tempo Luizão empatou o jogo e acabou com qualquer possibilidade de eliminação.

Dida x Raí: mais uma vez eliminando nosso eterno freguês


Finalmente chegou a inesquecível semifinal contra o São Paulo. O primeiro jogo com certeza foi o mais marcante dessa campanha. O Corinthians abriu o placar com o zagueiro Nenê, logo em seguida Raí empatou para o São Paulo, mas, enquanto a reduzida torcida tricolor comemorava, Ricardinho tratou de desempatar. Ainda no final do primeiro tempo, sofremos o empate novamente. Que jogo! A gente mal sabia que no segundo tempo esse jogo ficaria ainda melhor.

De pênalti Marcelinho Carioca fez 3x2 pro Timão. Enquanto a Fiel Torcida comemorava, o juiz já marcava outro pênalti, dessa vez para o tricolor. Raí, que já havia marcado o seu tento e se tornava uma pedra no sapato corinthiano, pegou a bola e foi para cobrança. A Fiel estava aflita, mas confiante no goleiro Dida, especialista em pênaltis. O ídolo tricolor bateu forte à meia altura no canto esquerdo de Dida, que se esticou todo e espalmou a bola pra longe. Festa na arquibancada!


Daí pra frente, foi um jogo de ataque contra defesa. Mordido, o São Paulo veio com tudo em busca do empate, e o Corinthians, que não tinha em seu sistema defensivo um ponto forte, se segurou como pôde. De tanto insistir, o São Paulo conseguiu no final do jogo outro pênalti! Quem esteve no Morumbi nesse dia viu algo inusitado. Acredito que nunca houve uma torcida tão confiante num pênalti adverso. A torcida tricolor tentou incentivar o seu ídolo Raí, mas foi engolida pelos gritos da Fiel: Dida! Dida! Dida! Não poderia ser diferente: Raí inverteu o canto bateu forte e rasteiro, mas o calculista Dida foi buscar novamente e ali mesmo ele aposentou Raí. O atacante ficou muito irritado e tirou nosso paredão de jogo com uma entrada violenta. Por fim, depois desse lance, se aposentou de forma melancólica.



Veio o segundo jogo e o Corinthians controlou com facilidade, fazendo 1x0 com Ricardinho no final do primeiro tempo. No segundo tempo, o São Paulo empatou, mas não deu nem tempo de comemorar: o capetinha foi lá e enterrou as esperanças do tricolor. Com duas vitórias seguidas, o Corinthians eliminou o São Paulo e não precisou jogar a terceira partida.


A grande final

Como previsto desde a primeira rodada, o Corinthians chegou à final. O adversário era o improvável Atlético-MG, que tinha como a principal arma Guilherme, artilheiro do campeonato. Não tirou o sono de nenhum corinthiano, no ano anterior fomos campeões também sobre um time de Minas Gerais que teve o artilheiro do campeonato.

Como em 98, o Corinthians fez o primeiro jogo da final no estádio do Mineirão lotado! A Fiel fazia a festa no início do jogo e subiu um bandeirão gigantesco, mas, quando desceu o bandeirão, o placar já apontava 1x0 para o Atlético-MG, uma surpresa para todos. O galo continuou pressionando e chegou ao segundo gol, novamente com o artilheiro do campeonato. Como em 98, também no Mineirão, saímos perdendo de 2x0 e a Fiel manteve-se confiante. O time engrenou, começou a jogar bola e, ainda no final do primeiro tempo, Vampeta arriscou de longe e diminuiu para 2x1. E então veio o balde de água fria, Guilherme foi as redes pela terceira vez no jogo. No segundo tempo o Corinthians entrou sereno, pois sabia que a vantagem do galo poderia ser revertida em São Paulo e equilibrou o jogo até conseguir outro gol, dessa vez de Luizão. Acabou 3x2 para o Atlético-MG. A parada seria resolvida em casa.


No domingo seguinte, no Morumbi, o Corinthians mostrou o motivo de estar naquela final. Luizão, antes de ser expulso, se despediu do campeonato com dois gols e deixou o Corinthians a um empate do tricampeonato.

A finalíssima seria em 22 de dezembro, mas o horário do jogo ainda era dúvida. Na época, rolou uma trapalhada entre Prefeitura de São Paulo e a emissora que estava com a grade de TV lotada - talvez não esperassem o terceiro jogo? A torcida, aflita, não sabia o horário em que assistiria o Coringão. Enfim, o  jogo ocorreu à noite sob um dilúvio, não existia a menor chance de adiar o jogo e o Corinthians ainda iria para o Mundial de Clubes já em janeiro.



O Coringão jogou com o regulamento debaixo do braço e, sem Luizão, sobrou cautela. Houve um pênalti claro em cima do Edilson que o juiz não marcou. O jogo seguiu e o Atlético não ofereceu o menor perigo. O grande lance do jogo foi uma falta cobrada pelo Marcelinho de muito longe, mas a bola explodiu na trave. Logo depois o Atlético teve Belletti expulso e, daí pra frente, foi só festa. Partida acabou 0x0 e o Corinthians se sagrou tricampeão. O nosso último título do Brasileirão no formato mata-mata.


Agradecimentos mais uma vez ao amigo Clayton Bezerra - @claytonbezerra pela colaboração!



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