Os títulos brasileiros do Corinthians: Bicampeão e a estrela de Dinei

*Esse é o sexto post da série de Títulos Brasileiros do Corinthians em ordem regressiva. A música que escolhi para o Bicampeonato do Coringão é o famoso samba enredo de 1998:




Os outros posts da série:

A quarta força heptacampeã


- Os seis melhores momentos do Hexa do Corinthians


- Pentacampeão na raça!


- O Tetra das tretas


- O esquadrão Tricampeão



NOTA: Texto feito pelo convidado André Araujo - @DeAraujoAndre. Agradeço a colaboração!


O Corinthians vinha de um Brasileiro de 97 bem difícil, se salvando do rebaixamento nas últimas rodadas. O time de 98 foi montado como uma mescla entre alguns remanescentes da era Excel, como Mirandinha, jogadores recém promovidos da base, como Cris e Índio, alguns jogadores bem esquecíveis, como o goleiro Nei, o lateral Rodrigo, o zagueiro Batata, o coringa Marcio Costa e o folclórico atacante Didi, e algumas apostas pouco conhecidas e que viriam a dar muito certo, como Vampeta e Ricardinho, e alguns reforços de peso, como Edilson, Gamarra, Rincón e a volta de Marcelinho Carioca. O time fez um Campeonato Paulista muito bom, tendo perdido apenas a última partida da final. Ainda assim, o favoritismo eram dos times badalados no momento, Palmeiras e Cruzeiro. Porém não era nenhum absurdo imaginar o Corinthians como candidato ao título.



Primeira fase

Logo no primeiro jogo o time mostrou que vinha forte. O Corinthians enfrentou o atual campeão Vasco fora de casa e venceu por 1 a 0 com um gol antológico de Marcelinho, em falta de muito longe, e com uma atuação monstruosa de Gamarra, que acabava de voltar como uma lenda da Copa de 98. A partir daí, veio uma sequência de 9 jogos sem derrotas, com goleadas contra Juventude e Atlético-MG e vitórias dificílimas, como o jogo contra o Sport na Ilha do Retiro, com mais um gol de falta cheio de efeito de Marcelinho. Depois desta sequência o time pareceu demonstrar relaxamento. A primeira derrota veio contra o Bragantino por 1 a 0. Em um jogo em Campinas, o Corinthians abriu 5 a 1 contra a Ponte e quase permitiu o empate, em uma tarde de causar calafrios ao torcedor, que via um time que poderia passar 9 jogos sem perder e 5 jogos sem ganhar, inclusive sendo goleado pelo Flamengo por 4 a 1, em jogo que Luxa decidiu "experimentar" o 3-5-2. (sim, nessa época era moda.)


O Corinthians conseguiu fechar a primeira fase em primeiro lugar graças a uma arrancada final de 3 vitórias seguidas, tomando o lugar do Palmeiras apenas na última rodada.


O mata-mata de 3 jogos


Na fase final, o Corinthians enfrentou o Grêmio e venceu o primeiro jogo no Sul com gol de Rincón. Todos empolgados para eliminar o Grêmio no Pacaembu em apenas dois jogos (mais uma das novidades dos playoffs de 3 jogos ou "mata-mata-mata) e o time além de perder em casa, perdeu por 2 a 0, conseguindo perder a vantagem do empate no último jogo. Mas Edílson foi decisivo garantindo a classificação no terceiro jogo vencido por 1 a 0.


A semifinal contra o Santos foi bem nervosa, muita provocação de Viola, agora no Santos (artilheiro do campeonato). Na ida, o Santos venceu por 2 a 1, de virada, no finzinho do jogo. Na volta, vitória do Corinthians por 2 a 0. No terceiro jogo Viola abriu o placar no primeiro tempo e Edilson mais uma vez foi decisivo, fazendo um golaço com ótima jogada de Índio.


gazetapress
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Dinei, o herói do bicampeonato Brasileiro do Corinthians, é reverenciado pelos companheiros de equipe


O herói Dinei e a final contra o forte Cruzeiro 


A final era contra o Cruzeiro, que se classificou em sétimo, sempre em desvantagem, mas eliminou Palmeiras e Portuguesa para chegar na final e era um time muito forte, com Dejair, Valdo, Muller e Fabio Junior. As coisas não começaram bem para o Corinthians, com os mineiros abrindo 2 a 0 no Mineirão. Aí veio do banco o herói improvável que estava esquecido no elenco. Dinei, o único remanescente de 1990, fez o primeiro gol e cruzou na cabeça de Marcelinho para o segundo.


Com o empate no primeiro jogo, o segundo se tornou muito nervoso, e o gol do Corinthians só saiu no meio do segundo tempo, de novo em jogada de Dinei e gol de Marcelinho, mas o Cruzeiro empatou menos de 5 minutos depois.


Como ficou tudo para o último jogo, o Corinthians jogou pelo empate, mas mesmo assim dominou o Cruzeiro. No começo do segundo tempo, Edílson mais uma vez foi decisivo no terceiro jogo e marcou 1 a 0 depois de um lindo passe do herói improvável Dinei. Pouco depois, Marcelinho fez o segundo de cabeça, em mais um passe pra gol de Dinei, que ainda dentro do campo foi reverenciado pelos colegas de time. Se antes de 1990, Dinei era mais um torcedor na arquibancada, naquele momento ele se tornava o único jogador bicampeão brasileiro pelo Timão e ainda estaria no grupo vencedor do ano seguinte.


O título de 1998 foi totalmente incontestável. Gamarra foi o capitão que levantou a taça, Edílson, o Bola de Ouro, e Marcelinho, o vice-artilheiro com inacreditáveis 19 gols no campeonato.



Agradeço a colaboração do amigo André Araujo - @DeAraujoAndre



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