Os títulos brasileiros do Corinthians: Em 1990, a Fiel soltava o grito de campeão

*Esse é o sétimo post da série de Títulos Brasileiros do Corinthians em ordem regressiva. A música que escolhi para o título de 1990 é a famosíssima "Vai Corinthians" cantada nas arquibancadas:




Os outros posts da série:

A quarta força heptacampeã


- Os seis melhores momentos do Hexa do Corinthians


- Pentacampeão na raça!


- O Tetra das tretas


- O esquadrão Tricampeão


- Bicampeão brasileiro e a estrela de Dinei



NOTA: Texto feito pela convidada Mariana Cordovani


1990.


Em 18 de agosto desse ano, o Corinthians iniciava sua saga rumo ao primeiro e mais emocionante título nacional já conquistado em sua história.
Ronaldo, Giba, Marcelo Djian, Guinei, Jacenir, Márcio, Wilson Mano, Neto (Ezequiel), Tupãzinho, Fabinho e Mauro (Paulo Sérgio) e Dinei. O elenco comandado por Nelsinho Batista não tinha nenhum prestígio diante dos adversários que eram favoritos ao título.


No brasileiro daquele ano, 20 times disputavam a taça com um turno único de duas chaves onde todos se enfrentavam e uma fase final de mata-mata. O Timão começou o campeonato desacreditado e perdeu as duas primeiras partidas. Entretanto, com um elenco unido e com raça de sobra, começou a se fazer observar durante o campeonato e acabou o primeiro turno em segundo lugar. Ao final do segundo turno se classificou para as quartas-de-final ficando na quarta posição atrás de Grêmio, Atlético Mineiro e São Paulo.


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O time de 1990


Eu tinha apenas dezesseis anos e sentia na alma a emoção de ser Corinthians. Frequentava os estádios com amigos de colégio que não me deixavam pra trás em nenhum jogo (amém!) e algumas vezes com meu pai. Era um enorme evento na minha vida o dia do jogo. Me sentia importante na arquibancada fazendo coro à Fiel que empurrava o time jogo após jogo.


A reta final foi das mais emocionantes da história do clube. Não, o Corintihans não jogava um futebol bonito e cheio de categoria, não carregava em seu elenco nomes de peso, tampouco apresentava as maiores chances de conquista. Mas foi durante o mata-mata que provou sua grandeza, sua raça e garra, o tal do “jogar com o coração na ponta da chuteira”. E convenhamos, cada jogo era uma emoção mais forte. Neto puxava o time com seus gols de falta, bicicleta e até de escanteio. Mas ele sozinho não poderia carregar o time nas costas. Cada um dos jogadores que pisou em campo com a camisa alvinegra em 1990 teve enorme responsabilidade por esse título. Era um time que se encaixava perfeitamente, desde as defesas sensacionais de Ronaldo, até os gols mais chorados lá no ataque.


Nas quartas-de-final o Corinthians enfrentou o Atlético-MG e no primeiro jogo, num Pacaembu lotado, tomou um gol aos 15 minutos. Daqueles jogos de se roer todas as unhas, sabe? E depois, com dois gols de Neto (o primeiro de cabeça!), virou o jogo e garantiu a vantagem do empate para o jogo seguinte fora de casa. No jogo de volta, empatamos em 0 X 0 e garantimos a passagem para a semifinal.


Vinha então o Bahia. Mais uma vez não éramos favoritos. E mais uma vez o Corinthians saiu atrás no jogo de ida no Pacaembu. Naquela época os ingressos eram de papel e eu guardava (guardo!) todos, anotava resultados, gols e informações pertinentes ao jogo. Nesse dia choveu tanto, que meu ingresso se desintegrou e acabei registrando num pedaço de papel o pseudo-ingresso. Bahia abriu o placar aos dois minutos de jogo com um gol de falta de Wagner Basilio, que mandou a Fiel calar a boca. Amigo, não mexa com a Fiel! O jogo inflamou e o Corinthians buscou a virada sofrida e suada. Numa cobrança de escanteio, o Bahia fez um gol contra e Neto garantiu a virada com gol de falta e a vitória por 2 x 1. No jogo de volta na Fonte Nova, o Timão segurou o zero a zero e garantiu a classificação para a final.


Eram 14 anos sem participar de uma final de campeonato nacional. E a gente estava lá! Diante de um SPFC comandado por ninguém menos do que Telê Santana e que tinha em seu elenco jogadores de renome como Raí, Zetti, Cafu, Leonardo, Antônio Carlos, Tilico, entre outros. Do lado de cá, depositávamos toda confiança na raça, entrosamento, na determinação dos nossos jogadores e na voz da Fiel que precisava colocar pra fora o grito de Campeão Brasileiro!


Foram dois jogos nas finais, no estádio do Morumbi. No primeiro jogo, em 13/12/1990, aos 4 minutos, Neto cobrou uma falta e Wilson Mano empurrou de joelho pra dentro do gol! Eu era muito fã do Wilson Mano! O meio de campo era todo dele e não tinha pra ninguém! 1 x 0, vitória que revertia a vantagem do empate para o alvinegro do Parque São Jorge. Era isso mesmo, estávamos a um empate do caneco nacional.


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O gol que vale por mil palavras


E foi no dia 16/12/1990, num Morumbi com mais de 100 mil pessoas, quase que totalmente invadido e tomado pela Fiel Torcida, que o Corinthians deixou de ser um time que só vencia estaduais, para se tornar, quase três década depois, o maior campeão brasileiro da história. Aos 9 minutos do segundo tempo, o talismã Tupãzinho, de carrinho, garantiu a faixa de Campeão Brasileiro ao Corinthians.  


E foi assim que o elenco de 1990 eternizou título de campeão brasileiro, sem estrelas, mas com sangue alvinegro correndo nas veias de cada jogador, equipe técnica e torcedor. Pra mim, o título mais a cara do Corinthians que o Corinthians já pode vencer. Talvez o mais importante e marcante na minha vida alvinegra.



Obrigada, Nayara, pelo convite de me fazer voltar 27 anos na história e resgatar essa emoção de dentro do peito.

Vai Corinthians!

Agradecimentos pela colaboração de Mariana Cordovani!



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