Corinthians: não existe ateu aos 45 do segundo valendo vaga na final

- E aí 'Corintia' vai ganhar hoje?
- Olha, acho que se muito, vai pros pênaltis. Se muito.


Foi assim que saí do trabalho ontem, direto para Itaquera, imaginando o pior resultado. Não acreditava que o SPFC fosse capaz de fazer gols - mais pelo ataque médio deles do que por confiar na zaga do Corinthians - e também não conseguia crer no êxito do ataque corinthiano. Com a volta do Fagner para compor a defesa, estava mais tranquila, mas ainda pouco esperançosa com a idéia de conseguir abrir uma vantagem. Na minha cabeça, saíriamos com 0x0 ou um 1x0 no melhor dos cenários.


De todos os jogos que já fui na Arena, esse foi o primeiro em que eu não conseguia parar de acompanhar o relógio. Era luta contra o tempo e o Corinthians não conseguia produzir o esperado. Sheik perdeu um gol feito que com certeza me fez criar cabelos brancos naquele lance. Cássio ainda precisou fazer duas defesas absurdas. O jogo tava com jeito daqueles que a bola não entraria naquele gol jamais.


Então começou o famoso "abafa". O Corinthians veio pra cima e os números do jogo não mentem: 23 finalizações contra 13 do adversário, 399 passes certos contra 114 do adversário, 27 bolas levantadas na área contra 6 do adversário. Aquele clima terrível de "estamos tentando mas não está funcionando" ia tomando conta de todos ao redor, o clima de apoio já se transformava em nervosismo. Cobrança na arquibancada, gritos pro campo. "Vamo chegar, vamo cantar" e o tempo passando.


O São Paulo decidiu colocar a bola embaixo do braço, fazer cera, administrar o tempo. Era uma estratégia que estava funcionando bem. O tempo passava, a situação era desesperadora. As substituições já haviam sido feitas, Pedrinho, Mantuan e até Danilo em campo. Não surtia efeito. Era Corinthians rondando a área do São Paulo, chutes de longa distância com pouco perigo, bolas alçadas e afastadas pela zaga.


Não tinha como sair de Itaquera sem a classificação. Era jogo contra o São Paulo, era um tabu de 18 anos em jogo, na nossa casa. Não tinha condição alguma de sair dali com uma eliminação. Não ontem, não na nossa casa.


No desespero, por alguns segundos parei de olhar o campo. Olhei pro céu e logo de primeira avistei a lua. Estava um céu limpo depois de uma tarde de chuva intensa. A primeira coisa que vi foi a lua. Estava linda, quase cheia, em fase crescente. Precisava me agarrar a qualquer coisa extra racional, é futebol, é paixão, eu já não conseguia pensar que nada que eu fizesse podia surtir efeito prático em campo. Olhei pra lua, voltei a ver o jogo e fiz a promessa: se sair um gol eu rezo pra São Jorge.


Eu sou atéia. Eu nem sei o que estava fazendo da minha vida naquela hora. Era o que me restava. Talvez realmente não exista ateu depois dos 45 do segundo valendo a classificação.


E então: gol do Corinthians. Alguém subiu, cabeceou, bola no fundo da rede. Aos 47 do segundo arrependido, salvo e perdoado: Rodriguinho. Pode não ser nosso primeiro "vida loka" da história, mas foi nosso salvador. Euforia e delírio em Itaquera. Perdi o fio de voz que me restava. Gritei um sem fim de vezes "AQUI É CORINTHIANS". Repetidamente. Fim de jogo.


gazetapress
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Valeu, Cássio!


Depois da atuação do Cássio na partida, acreditava no potencial dele na disputa de pênaltis. Além da clássica disputa entre Cássio e Diego Souza, a defesa de mão trocada no último pênalti foi incrível. Que dia para estar viva, que dia para gostar de futebol.


É clichê, mas ganhar sofrido é muito melhor. Te amo, Corinthians. Mas te amo mais quando luta até o final do jogo, com gol aos 47 do segundo tempo.


Aqui é CORINTHIANS!


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