Entre heróis e ídolos, o 29º título paulista do Corinthians no derby foi tão gigante quanto Cássio

Talvez eu não tenha dimensão da grandeza do que foi a final do Paulistão 2018. Talvez seja preciso aguardar algum tempo, dias, anos até para digerir o que foi esse derby.


Talvez também seja preciso voltar um pouco no tempo. Antes mesmo da partida em Itaquera começar era inevitável lembrar daquela final do Paulistão de 99. Não a toa, o pôster desse título é um dos que compõe a tríade de títulos favoritos em minha casa: Paulistão 99, Penta Brasileiro 2011 e Bi Mundial 2012. Em 99, nas embaixadinhas do Edílson moravam a esperança e a vingança do último ápice da rivalidade. Levamos o Paulistão e irritamos eles a ponto do Paulo Nunes chamar o título de "Paulistinha". O rancor do derrotado quase sempre revela a importância da vitória.


Em 1999 descansavam meus heróis da adolescência. Todos os males vividos foram apagados ao ver aquele time jogar e levantar a taça contra eles. Em 2018, o time que chegou ali aos trancos e barrancos precisava repetir o feito.


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gazetapress
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Cássio: gigante com feitos gigantes.


Me perdoem o clichê: mas aqui é Corinthians. Não dava pra deixar barato tudo o que aconteceu. A derrota em casa com um time exaurido depois de uma semifinal monstruosa, descansando só dois dias, com um monte de empecilhos de horário de treino, o Palmeiras tumultuando como podia nos bastidores. Não tinha como aceitar isso. A diretoria pode ter sido omissa, pode ter tido suas razões para aceitar as condições, mas não havia condições da torcida fazer o mesmo.

E não a toa a festa feita pela torcida no treino aberto foi uma das coisas mais emocionantes da história. Andar com os jogadores lado a lado no mesmo caminho feito até entrada no estádio. Armar aquela recepção absurda com tudo que hoje é proibido no futebol: bandeirinhas, bandeirões, papéis picados, fogos, pisca piscas. Se houve algum ponto de virada para os jogadores, talvez tenha sido esse novamente. Foi assim na reta final para o título brasileiro antes do derby em 2017. Foi assim em 2018.


Se em algum momento uma fagulha de esperança para o jogo decisivo ressurgiu, foi ali. Era impossível não se contagiar com aquela energia. Sabia que ainda que a missão fosse muito difícil, nos pés daqueles jogadores estariam a mesma vontade que tinhamos de ver o Corinthians vencer. Eles receberam o apoio, sabiam que estavamos com eles.


Era preciso mais do que ser melhor que o adversário no jogo, era preciso fazer isso na casa deles. Brincadeiras a parte sobre termos mais vitórias lá dentro, isso nunca é fator determinante. Era preciso jogar mais do que nunca e ainda lidar com a falta de um atacante de área. Admiro quem achou que seria tarefa fácil, pois tinha certeza que não era.


Se dos pés do Rodriguinho mais uma vez voltamos para o jogo, foi nas mãos de Cássio que nossa redenção chegou.


Mais que isso: ganhamos novamente com um time mais modesto que o deles. No tempo regulamentar e nos pênaltis. Com Cássio nos vingando dentro da casa deles. Pegando pênalti de Dudu e Lucas Lima. Nem nos meus maiores sonhos eu poderia construir essa história. Talvez nem o próprio Cássio tenha dimensão do tamanho da história que escreveu ali. 


Vai demorar muito para compreender o tamanho dessa vitória. Sonharemos anos e anos com esses lances. Nas mãos do Cássio e nos pés de Maycon, filho do Terrão, nosso 29º título Paulista foi sacramentado. Se meus heróis de adolescência descansam num pôster simples de 99 na minha casa, hoje o altar corinthiano receberá um novo título. Entre ídolos e heróis, o Paulistão de 2018 sem dúvida se tornou um dos meus mais novos títulos favoritos.


Te amo, Corinthians. 


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