Loss não é responsável por tudo, mas dá para fazer melhor

O Corinthians está passando pelo momento mais decisivo de seu ano. O planejamento não foi o correto, o investimento foi baixo, o time passou por alguns desmanches, e ainda assim, disputa mais um título. Acontece que a equipe está esbarrando nos próprios erros de seu comandante. Tem de se considerar tudo citado, mas com as peças atuais, dá para fazer melhor.


Osmar Loss foi elevado ao cargo de técnico do Corinthians em uma situação mais conhecida pelo povo como uma "sinuca de bico". O técnico sofre com a sombra de Fábio Carille, um comandante multicampeão, que não precisou de muito tempo para impor seu estilo de jogo e assim, conquistou a torcida rapidamente. Ele não escolheu os jogadores que comanda, não participou na formação do elenco, e ainda sofreu a perda de quatro titulares na pausa para a Copa do Mundo. Haja vista toda a situação desfavorável, o trabalho ainda não é suficiente. 


Gazeta Press
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Loss tem aproveitamento comparável com treinadores como Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira


Não ter encontrado um padrão de jogo até o momento, passados 24 jogos no comando, é inaceitável. O aproveitamento de 48% é assombroso. O elenco atual, considerando os desfalques e lesões, oferece oportunidades para o treinador testar jogadores nas posições ideais. Lembrando um pouco a teimosia de Tite, Loss ignora jogadores que parecem melhores que os titulares, seja em treinos ou nos poucos minutos que entram. O que também irrita a torcida do Corinthians são as declarações desconexas, que aparentam uma visão de jogo sem profundidade alguma, com objetivo de exaltar as atuações de todos os jogadores, independente das circunstâncias. 


Diferente de sua passagem na base, onde foi um monstro, o treinador não tem o respaldo necessário para errar e sofre com uma vitrine muito maior para demonstrar resultados. A pedrada vem muito mais forte. Não á toa, saiu vaiado da Arena Corinthians no duelo de sábado, contra o Atlético-MG. Jogadores foram poupados, mas outros foram ignorados por Loss. 


Considerando as ausências confirmadas de Fagner e Renê Jr.(machucados), além de Douglas e Clayson (suspensos), o treinador escalou mal. Gabriel não pode ser colocado como 2° volante, mesmo contra o melhor ataque do campeonato. O jogador é ineficiente na função já que peca muito na distribuição de jogo, e pouco se infiltra. O 2° volante Araos que deveria estar ali, na função que sabe fazer, não sendo sacrificado como armador, onde recebeu muitas bolas de costas para o gol, e pouco conseguiu produzir. Nesta vaga, temos um jovem muito talentoso que parece estar sendo esquecido por Osmar Loss: Mateus Vital. O menino precisa receber suas chances, e não somente aberto pelas pontas, por onde o próprio treinador teima que ele "rende mais". 


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Vital é um dos jogadores que merece mais regularidade


Destaque positivo para a zaga formada por Léo Santos e Marllon, que anulou o ataque do Galo e surpreendeu, abrindo novas opções de formação titular. Quanto aos titulares, nesta quarta-feira, contra o Ceará, temos a chance de estabelecer um time padrão para os grandes jogos que vem a seguir. Além do derby do final de semana, as semi-finais da Copa do Brasil estão logo ali.


Com Cássio no gol, Mantuan (Fagner) e Avelar pelas laterais, Léo Santos e Henrique formando a zaga principal, a tão invejada solidez defensiva dos últimos anos poderia ser readquirida em momento crucial. Ralf tem de comandar o meio campo, graças a fase ruim de Gabriel. Ao seu lado, Araos ou Douglas, com preferência ao chileno, já que o menino vindo do Flu pouco produz. Romero, Jadson (ou Vital) e Pedrinho, produzindo as jogadas para o centroavante Roger.


Se for esse um esqueleto de time titular, valorizando opções de qualidade no banco, o Corinthians tende a render mais. Marllon, Douglas, Vital, Clayson e Jonathas são boas alternativas de substituição, seja por necessidade ou mudança tática. Cabe a Osmar Loss saber usar o que tem de melhor. O grupo está fechado com ele, e a torcida toda concorda: dá, e está na hora de fazer melhor.