Que as derrotas vão embora com Loss e seu nome irônico

O desempenho patético do Corinthians na derrota contra o Ceará não surpreendeu ninguém. A frase pode soar impactante, mas não para quem vem acompanhando o futebol do Timão. Nem o mais fanático torcedor conseguia olhar para seu banco de reservas e sentir firmeza no comandante. Foi assim, de maneira melancólica, que a passagem de Osmar Loss chegou ao final. Ainda que não fosse o responsável único pelo mal futebol do time, e toda a pressão que a torcida tem exercido em cima do clube, não havia um santo que aguentasse mais um jogo dele no comando. 


Como se além de apático, e visivelmente aéreo em relação às atuações do time, Loss parece carregar uma sina de azarado. Afinal, quem seria demitido um jogo antes de um derby, antes de uma semi-final de Copa do Brasil, levando um gol de goleiro do vice-lanterna da competição e outro gol contra?! Ele não teve tempo de, mais uma vez, elogiar todos os jogadores em campo, ignorando a péssima atuação coletiva. Não teve tempo de justificar seus erros crassos de escalação e mudanças durante o jogo, com justificativas que desafiam o conhecimento futebolístico de todos os fãs do esporte. Mas se foi para ser assim, talvez tenha sido para um bem maior. 


Stephan Eilert/ Agif/ Estadão Conteúdo
Stephan Eilert/ Agif/ Estadão Conteúdo

Contra o Ceará, o time pouco produziu. Osmar volta a ser auxiliar do Corinthians


Logo após o empate contra o Atlético-MG, Andrés Sanchez sinalizou um respaldo ao técnico, para que ele continuasse seu trabalho com calma. Não durou três dias. Um dos grandes responsáveis pelas dívidas estratoféricas do clube, o presidente agiu diferente de seu padrão. Talvez o homem não tenha visto em Loss o que viu em Tite ao segurar o gaúcho em 2011, no seu maior acerto da carreira. Ou talvez esteja poupando a trajetória do treinador, mantendo-o como auxiliar. Quiçá, se beneficie dessa vez fazendo exatamente o contrário do que fez. Apostando em novidade. 


De 2008 para cá, mais especificamente, o Corinthians foi o antro de "revelação" de grandes técnicos para o futebol. Não é menosprezar os trabalhos que tiveram em times anteriores, mas Mano Menezes, Tite e Fábio Carille chegaram sem pompa, e saíram como potências do mercado. A fórmula deu errado com Loss, seja por que motivo for, e talvez seja hora de jogar com o seguro. Não se passou cinco minutos de pós-jogo para os diretores confirmarem que a aposta da vez será alguém de nome. 


André Yanckous/Agif/Gazeta Press
André Yanckous/Agif/Gazeta Press

Luxa é um dos cogitados para a vaga de técnico


Desconsiderando por ora nomes que poderiam interessar como Roger Machado e Jair Ventura, já que não se assemelham com o perfil procurado pela diretoria, Abel Braga é o queridinho dos corinthianos nas redes sociais, mas o que tem menor chance de contratação, já que não pretende assumir um time em meio de temporada. O folclórico Vanderlei Luxemburgo também aparece com chances grandes, e uma expectativa interessante de "chacoalhar" o elenco, que não é ruim, nas vésperas da decisão de um derby e da fase decisiva da Copa do Brasil. Levir Culpi e Dorival Junior são dois que também têm seus nomes ecoados, mas não agradam em nada a torcida. 


Enfim, corinthianos, independente de que seja com Abel, ou Vanderlei, ou qualquer outro que assuma, está na hora de apoiar e cobrar com coerência. O momento é decisivo. Derby, semis, busca pelo G-6. O ano ainda não acabou, e precisamos de nossa torcida na Arena mais do que nunca. Que as derrotas de Loss vão embora junto com seu nome, que ironicamente quer dizer derrota em inglês.