Danilo Avelar não é o lateral que o corinthiano se acostumou

Danilo Avelar deve ser o jogador mais criticado em algum time brasileiro no ano de 2019. São apenas 3 jogos, mas as atuações do lateral parecem não evoluir, e o nível baixo de 2018 cada vez mais aparenta ser o comum dele. Agora, o erro foi não perceber que o jogador não serve para o estilo de jogo do Brasileirão, principalmente para alguém que passou 10 anos em times pequenos da Europa.


O problema pode ser psicológico, de uma cobrança tão forte sobre alguém que havia jogado para torcidas pouco expressivas até hoje, ou até um potencial que já foi atingido e não consegue ser mais desenvolvido. Acontece que Avelar não consegue jogar em alto nível pelo Corinthians. A desculpa da pré-temporada não existe mais, e o tempo para se acostumar ao futebol brasileiro já se esgotou. Os erros crassos de posicionamento ou fundamentos escancaram um jogador que não tem o calibre necessário para o time, e acaba por desequilibrar toda uma formação. 


Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Danilo Avelar tem dois gols com a camisa do Corinthians - ambos decisivos - mas ainda não agrada nenhum torcedor


Vamos para um longínquo 2014, quando Avelar se destacava em algum jogo ou outro pelo Campeonato Italiano, e despertava algum interesse de brasileiros. Com a camisa do Cagliari, enfrentando o Empoli de Mauricio Zarri - hoje técnico do Chelsea - o lateral acertou uma linda cobrança de falta e foi exaltado pelos jornais italianos como um dos melhores em campo. Na ocasião, vestia a 8, atuava mais avançado, como ala, e tinha o suporte de um zagueiro pela esquerda, no esquema de três zagueiros, para quando errasse seus botes. A exigência física era diferente, e seu estilo de jogo completamente outro. Mesmo pela ala do campo, costumava centralizar e bater de longe, como se fosse um volante. Não à toa, marcou golaço icônico, acertando voleio de longe no Campeonato Francês, que concorreu na lista prévia do Puskas, em 2017. Ainda era chamado de meio-campista por veículos franceses.


Reppublica.It
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Avelar (camisa 8 no canto esquerdo) marcava até de falta com a camisa do Torino.


Ele rodou por Schalke, Torino, Amiens, Karpary Lviv e Cagliari até que o CIFUT julgou necessário, e encontrou um lateral que poderia suprir a ausência de Sidcley. Acabou por errar feio. Mesmo quando atuando pela lateral propriamente dita, era considerado como um jogador que marcava mal. Em números crus, foram 153 jogos com 4 gols e 13 assistências. Uma assistência a cada 10 jogos e pouco. O número não é assombroso, mas nada que se pudesse destacar em meio às opções do mercado. O jogador chegou ao Brasil sem ter feito temporadas com mais de 35 jogos. Em um calendário de 80 jogos por ano, é o mínimo se esperar que ele esteja abaixo. 


Divulgação/SofaScore
Divulgação/SofaScore

Com a camisa do Torino, Avelar chegou a ser escalado pelo portal Sofascore como um dos melhores meio-campistas da rodada na temporada 2015/16.


Considerando que o setor estará desfalcado do jovem Carlos Augusto até o fim de sua particpação na Copa América Sub-20, com a Seleção, um reforço seria perfeito para reencontrar o futebol bem construído e organizado pelo lado esquerdo que Carille tanto prezou. Afinal, quando perdeu Arana para o futebol europeu, encontrou Sidcley, ambos combativos e fortes nas criações de jogadas, que equilibravam bem com o impecável Fagner, pela direita. O jovem Guilherme Arana, inclusive pode estar de volta em breve, por valor milionário. 


Matérias de véiculos europeus como a TSN e a Reppublica Sport exaltam partidas específicas de Avelar em uma posição que praticamente não existe no país. Pouquíssimos times conseguem (ou conseguiram em um passado recente) instaurar um time com alas, e isso não acontecerá no Corinthians. Se Carille realmente confiasse no jogador, uma compra de outro atleta para mesma posição não estaria sendo negociada por quase 40 milhões de reais. Foi curioso ver o camisa 35 com o manto alvinegro por uma temporada, mas em junho, o mínimo que se espera é a devolução do jogador ao Amiens, onde pode voltar a jogar em sua posição de origem e dar fim ao desespero do torcedor corinthiano.


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