Poderia ter sofrido menos, mas o Corinthians teve méritos para avançar

O objetivo do mata-mata é atingir dois resultados melhores que o do seu adversário em 180 minutos para avançar à próxima fase da competição. Em caso de empates, o vencedor é decidido nos pênaltis. Nesta segunda, no estádio do Pacaembu, esse foi o Corinthians. Desmerecer a classificação, ou ignorar o primeiro jogo é analisar com viés e ignorar que, no final do dia, é o resultado positivo que dará alegria ao torcedor. Também é raso dizer que Carille e seu time se acovardaram, ignorando todo o mérito que teve o time rival, que soube atacar durante os 90 minutos. 


Em clássicos no geral, Fábio Carille tem números monstruosos. Contra o Santos, tem o "pior" desempenho entre eles, mas mesmo assim muito positivo. No próprio ano de 2019, o técnico saiu superior em dois embates diretos com Jorge Sampaoli, nos quais se encontrou com situações de jogo diferentes e conseguiu anular o esquema ofensivo do time da baixada. No jogo da ida se constatou a infelicidade do Timão, que não conseguiu fazer um placar maior pelos erros de finalização.


Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

Cássio foi o destaque do jogo com pelo menos seis defesas difíceis.


Ontem, no entanto, do meio para frente niguém rendeu. Quando a bola subia, nenhum jogador conseguia segurá-la e dar continuação às jogadas. Carille errou aí: quando não teve tato para perceber logo que o jogo precisava mais de Jadson, Boselli e Love do que Sornoza, Gustavo e Pedrinho. Cresceram aqueles que estavam mais devendo: a linha defensiva. Com exceção de Fagner e Cássio - que fizeram jogos espetaculares - mas mantém esse nível em todos jogos, Henrique, Manoel e Avelar se impuseram de maneira impressionante, como ainda não haviam jogado. Quando não conseguiram anular os ataques constantes, contaram com o maior goleiro da história do clube em baixo das traves. Às vezes se esquece que do outro lado existem onze profissionais muito qualificados e nesse caso, muito bem treinados.


Divulgação
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Nos pênaltis, apenas cobranças bem colocadas e Cássio acertando todos os cantos.


Nos pênaltis, a frieza que parece ter se tornado característica. A quinta disputa vencida em sequência, com jogadores cobrando muito bem e ignorando o momento psicológico todo desenhado para o rival. Mais uma torcida calada, enquanto a nossa sorria, aliviada após outro jogo de sofrimento. 


O duelo no geral foi bom, e expôs defeitos do time que Carille precisa corrigir e tem tempo hábil para fazê-lo. A diferença entre nós e o rival foi apenas uma: estamos classificados. E quanto aos críticos momentâneos, os engenheiros de obra pronta, uma indagação que vence o clubismo: qual seleção te faz mais feliz? A de 82 ou a de 94? 


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