Corinthians pós-Copa sem Balbuena, Rodriguinho, Maycon, Romero...?

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Osmar Loss já está pressionado e terá muito trabalho pela frente no Corinthians


Depois da derrota para o Bahia, por 1 a 0, na rodada passada, Osmar Loss prometeu que surgirá um novo Corinthians após a Copa do Mundo. O técnico enxerga no período de um mês sem jogos o tempo que precisa para treinar a equipe e, enfim, tentar acertar o que não está funcionando.


Certamente, será um novo Timão, daqui 30 dias. Mas será que, necessariamente, essa mudança será para melhor?


Quais cenários são possíveis para a equipe, daqui para a frente na sequência da temporada?


Sim, porque o discurso de que haverá tempo para trabalhar não é errado. Faz todo o sentido, e todo mundo precisa de tempo para corrigir falhas. Ainda mais quando se trata de um treinador novo no cargo – por mais que Loss já esteja no clube desde 2013.


O problema é que essa janela de meio de ano se projeta tenebrosa para o Corinthians. A se confirmarem algumas expectativas, muita gente importante nem sequer voltará a vestir a camisa do clube.


Balbuena é um dos nomes que estão com um pé fora do Alvinegro. As últimas notícias dizem que o Benfica, que estava de olho nele, se afastou um pouco do negócio, mas está em Portugal, mesmo, outro interessado: o Sporting, que atravessa uma grave crise política e deverá reformular o elenco.


Muito se falou do Celta, da Espanha, mas, como o próprio paraguaio diz, é preciso cuidado antes de sair apontando o dedo e dizendo que ele vai par lá, para cá.


Outro compatriota, aliás, pode deixar o Timão. Há cerca de um mês, Andrés Sanchez deu uma entrevista dando a entender que Romero tinha boas chances de meter o pé. O destino seria a Itália. Ao contrário do zagueiro, o atacante costuma ser mais incisivo nas entrevistas, garantindo que não iria embora neste momento.


Mas você colocaria a mão no fogo e garantiria isso? Pois é, nem eu.


Mais um que está envolvido em muita especulação sobre o futuro é Rodriguinho. Desde que Fábio Carille acertou com o árabe Al-Wehda, existe o papo de que ele levaria o meia-atacante com ele. Isso, inclusive, já deixou boa parte da Fiel bastante irritada.


Rodriguinho, por sua vez, talvez já tenha começado a preparar o terreno com explicações para caso, de fato, vá embora. O tal do discurso de que “se aparecer alguma coisa boa para mim e para o clube, posso ser negociado” deixa muito corintiano com os cabelos em pé.


E sempre lembrando, claro, que Maycon já deu adeus. Foi para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, o clube do mundo, fora do Brasil, que mais ama jogadores brasileiros. O volante vai ser uma grande perda para Loss (pegou o trocadilho?). Ultimamente, podia não estar na melhor fase, mas é um atleta moderno e completíssimo, que chega à frente com muita qualidade, triangula bem, tem ótimo chute de média distância e ainda recompõe com velocidade e qualidade. O típico cara que gente como Tite, Mano Menezes e Carille adoram.


Caso essa tragédia seja concretizada, entraria uma grana boa nos cofres, pelo menos?


Olha...


Por Balbuena, seriam quatro milhões de euros (R$ 16,7 milhões). Uma mixaria.


Com Rodriguinho, a situação não é tão clara. Fala-se em multa de R$ 40 milhões, mas o valor de mercado dele, segundo sites europeus, seria menor do que isso: quatro milhões de euros (R$ 16,7 milhões). O clube tem 50% dos direitos, apenas.


A fatia sobre Romero é ainda menor: 20%. Valores sobre uma eventual negociação também não estão na mesa publicamente, até aqui.


E com Maycon, o Timão também não vai arrecadar o quanto um jogador como ele tem potencial para arrecadar. A venda foi na casa de seis milhões de euros (R$ 24 milhões), mas o Corinthians tem 80% disso (R$ 19,2 milhões).


Claro, isso em um cenário em que tudo daria “errado”, diga-se assim. Analisando friamente, até, a chance de todo mundo ir embora não é tão grande, por mais que Andrés, conhecidamente, não faça muita força para segurar atletas.


Mas, mesmo que dois desses quatro fossem embora (contando que Maycon já foi), o buraco na equipe já seria considerável.


Por outro lado, o time vai ganhar os reforços de Jadson e Clayson, que estão lesionados, mas voltarão a estar à disposição depois do Mundial da Rússia. Em condições normais, são dois titulares importantes.


Enfim, Loss tem razão quando diz que o pós-Copa vai trazer um Corinthians diferente. Dificilmente, ele vai passar ileso nesse período de assédio dos clubes de fora do país. O treinador terá tempo para trabalhar, mas não se engane: o segundo semestre não será fácil para o clube do Parque São Jorge – e olhe que pode vir por aí um Corinthians x Palmeiras nas quartas de final da Copa Libertadores...