A chance que Fagner tem na Copa do Mundo da Rússia

Pedro Martins/MoWA Press/18-6-2018
Pedro Martins/MoWA Press/18-6-2018

Fagner está representando muito bem o Corinthians na Copa do Mundo


Pare para pensar como as coisas aconteceram para Fagner recentemente...


É sempre ruim quando se tem a oportunidade de jogar depois que um companheiro se machuca, mas caiu no colo do corintiano a chance de disputar (e jogar) a Copa do Mundo da Rússia. Primeiramente, com a convocação, após a lesão de Daniel Alves, e, depois, sendo titular, já que Danilo se machucou.


A questão é que, contra a Costa Rica, ele foi bem. Representou tanto o país como os milhões de corintianos que comemoraram a oportunidade.


Fagner é um jogador experiente e rodado, mas não seria um absurdo se sentisse um pouco o peso da partida. Não é todo dia que se estreia em um Mundial, ainda mais na situação em que a seleção brasileira se encontrava. Ainda mais depois do desenvolver do jogo, que terminou como se sabe, com alívio vindo apenas aos 46 e aos 52 minutos do segundo tempo.


Dê uma olhada nos números de Fagner na última sexta-feira:


   - Fez quatro desarmes, todos certos, e foi o melhor do Brasil


   - Deu 86 passes, sendo 84 certos, e foi o segundo melhor


   - Deu três cruzamentos, todos certos, e foi o melhor


   - Criou uma boa chance de gol


   - Não cometeu nenhuma falta


Claro, números assim, frios, às vezes não dizem muito. Passes, por exemplo, podem ser de lado, sem serem objetivos. Mas é melhor tê-los positivos do que não, convenhamos.


Fagner é um jogador que entende bem o que tem de fazer em campo. É taticamente muito inteligente. Ainda mais quando olha para o banco de reservas e enxerga Tite, com quem trabalhou e teve sucesso no Corinthians.


O lateral tem uma qualidade muito grande no apoio ao ataque. Mas perceba que, contra a Costa Rica, não conseguiu fazer muito isso no começo. Claramente, o técnico o colocou em uma posição mais defensiva, segurando demais a subida ao ataque. Aí, Fagner também mostrou consistência.


Do meio para o fim, com a necessidade de se vencer o jogo, o camisa 22 se soltou um pouco mais. Era preciso e, aí, foi quando apareceu com qualidade, avançando pela lateral e puxando um pouco as jogadas para o meio, como também gosta de fazer no Corinthians.


Com a lesão de Danilo, Fagner ainda continuará na equipe contra a Sérvia. Depois de quebrar o gelo da estreia, a tendência é de vê-lo ainda mais solto, por mais que os europeus, claro, tenham muito mais qualidade do que os costa-riquenhos. Por outro lado, se jogam mais, vão deixar jogar, e aí pode pintar um espaço aqui, outro ali.


Fagner tem sido injustamente tachado como jogador violento no Brasil. Tudo por causa da entrada em Ederson, do Flamengo, em 2016. Esta, sim, uma jogada desnecessária, exagerada. A força do carrinho não precisava ser tão grande, mas, daí, dizer que houve a intenção de machucar o meia, talvez seja um pouco maldoso demais (sem trocadilhos).


Em geral, Fagner é um jogador duro. Ele mesmo admite isso. Mas há uma diferença entre ser duro e querer machucar alguém. Até que se prove o contrário – e pode até haver certa ingenuidade aqui –, são raros os casos em que alguém vai a campo com a intenção de quebrar um adversário.


Mas Fagner tem sofrido com a fama. Tem conquistado a antipatia de muita gente. Certamente, quem tem torcido por ele na Rússia são os corintianos, mesmo que isso signifique ir contra a própria seleção brasileira. Coisa da rivalidade, tão necessária, mas que, muitas vezes, é cega.


Na Copa, Fagner tem uma grande oportunidade de escrever um capítulo marcante da carreira. Sendo campeão, claro, fecharia a experiência da melhor maneira possível e imaginável. Mas, mais do que nunca, é essencial entender a responsabilidade que terá ao assumir os compromissos que precisará assumir, por mais que já seja assim no dia a dia com o Corinthians.


Desde 2006, um jogador do Timão não entrava em uma partida de Copa do Mundo. O último havia sido o meia-atacante Ricardinho, na Alemanha. É uma estatística bobinha, inofensiva, claro, mas não há quem não sinta orgulho quando um atleta do seu clube atinge esse nível.


Fagner precisa aproveitar cada momento. Cada treino, cada jogo. O contato com os companheiros de Brasil, o que enriquece demais, visto que atuam nos clubes em que atuam. O contato com Tite, que se renovou ainda mais depois de deixar o Corinthians e pode transmitir isso para ele. E crescer com isso tudo. Assimilar e reverter para a carreira, para ser um jogador ainda mais completo. Sorte dele, sorte do Corinthians.