O que os amistosos deixam para o Corinthians

Jogo é jogo, treino é treino e amistoso é amistoso.


Da mesma maneira que não se pode achar que “o novo Corinthians” vai arrebentar depois da Copa do Mundo, devido aos resultados dos amistosos, não se pode ignorar algumas coisas positivas vistas em campo.


Osmar Loss teve um pouco de tempo para trabalhar e mostrou certa evolução. Se isso vai se refletir no Brasileirão, na Libertadores e na Copa do Brasil, o que realmente vale, não se sabe. Mas uma ou outra análise pode ser tirada, sim.


O que foi bom?


• O lado esquerdo do ataque mostrou uma composição interessante. Rodriguinho voltou a jogar bem e Danilo Avelar, se não é um craque inquestionável (por mais que seja cedo fazer qualquer avaliação precisa sobre ele, ainda), tem algumas qualidades importantes, como habilidade e apoio. Precisa, agora, recompor mais defensivamente, mas OK, dê-se um desconto, já que ainda falta ritmo de jogo a ele. O diálogo entre os dois na frente teve seus momentos e, com treino e entrosamento, pode render ainda mais.


• Alguns reservas mostraram trabalho. Marquinhos Gabriel foi o melhor deles, indo bem nas chances que teve. Fez gol, deu assistência, mostrou a vontade que, muitas vezes, tem faltado. Léo Santos no meio de campo, como volante, é outra opção, com saída de jogo interessante. Mas dificilmente terá espaço, já que o setor tem algumas opções.


• O time, no geral, mostrou muita obediência, aquilo que sempre foi uma marca registrada de Tite e Fábio Carille. É o tal papo de os atacantes ajudarem na marcação e o pessoal do meio tentar, a todo custo, recuperar a bola nos segundos iniciais depois de a perderem. Há de se alinhar ainda mais esses conceitos, evidentemente, mas pode ser um caminho com Loss, também.


• Peças um pouco mais constantes se mantiveram bem, com os altos e baixos normais de uma sequência de três partidas. Destaque para Henrique e Pedrinho. O primeiro, ainda mais agora, sem Balbuena, tem uma responsabilidade grande de liderar essa zaga; o segundo ainda vem sofrendo para se manter regular, mas, em linhas gerais, foi bem contra Cruzeiro e Grêmio.


• Paulo Roberto, que teve os momentos dele no ano passado, por mais que tenha jogado pouco, fez o primeiro gol com a camisa do Timão. Pouco? Sim. Mas dá confiança, é importante. Até Juninho Capixaba reapareceu e mostrou serviço. Fica na mesma em relação a brigar por espaço no elenco, já que Sidcley foi embora, mas Avelar chegou. Não tem como ser titular, mas é outro que precisava aumentar a autoestima e a confiança. Deu o primeiro passo, ao menos.


• Matheus Matias, enfim, teve tempo de jogar. Até fez gol. Mas calma, claro. O garoto carrega uma expectativa exagerada, até, mas certamente ganhará mais rodagem a partir daqui.


O que foi ruim?


• A defesa, em geral. Henrique foi bem, claro, mas, coletivamente, houve falhas. Não dá para ser leviano e dizer que, se Balbuena estivesse no time, as coisas seriam diferentes. Mas contra o Cruzeiro, em Itaquera, por exemplo, os dois gols da Raposa saíram pelo alto, em falhas de posicionamento e marcação. E os mineiros tiveram três chances de ganhar a partida nos cinco minutos finais, e só não fizeram o gol por erros de finalização. Em todos os lances, houve mau posicionamento, que deixaram o recém-chegado Cássio louco da vida, aos gritos.


• Jadson é um cara importante no meio de campo alvinegro. Principalmente, porque sempre teve uma característica essencial: a bola parada. Por isso, quando o camisa 10 perde dois pênaltis seguidos, três no ano, já, é preciso, sim, ligar uma luz amarela. Pênalti se converte e se perde, é normal na rotina de um jogador, mas, no caso dele, é hora de afinar a concentração e parar de errar. Mata-matas vêm aí e isso pode acabar fazendo falta...


• Lesões, algumas vezes, não podem ser evitadas, e tomara que Mantuan e Ralf não tenham nada tão grave. Claro que a volta de Fagner e as opções existentes para o meio minimizam essas possíveis ausências, mas Loss precisa de todo mundo à disposição e 100% para encarar as três competições que terá pela frente no segundo semestre.


Teve a janela, também, com algumas novidades.


Evidentemente, a perda de Balbuena foi um baque, mas, convenhamos, era mais do que certa. Depois da novela da renovação, e pela multa rescisória baixa (4 milhões de euros, ou R$ 18 milhões, quando foi vendido), ele quase sempre deu a entender que não teria vida longa no clube. O paraguaio era o melhor jogador do miolo de zaga e fará falta. Pedro Henrique é bom, mas precisará, agora mais do que nunca, se firmar, ter regularidade e assumir a responsabilidade.


Kazim, que foi para o México, não vai deixar saudade, assim como Júnior Dutra, se fechar com o Fluminense. Sidcley tinha qualidades, claro, mas nunca foi uma unanimidade. Romero ainda sustenta um climinha de mistério, falando que hora ou outra pode dar adeus, e Rodriguinho, ao que parece, ficará, já que Fábio Carille disse que até tentou levar o meia, mas não deu negócio. Mas vai que...


Por outro lado, a chegada de Jonathas pode ser uma boa. É o típico centroavante que Tite e Carille sempre gostaram, e que Loss parece apreciar da mesma maneira. Alto (1,92m), pode ser o finalizador que tem faltado, por mais que Roger venha tentando ocupar essa lacuna. Ou seja, o novo matador pode dar samba, sim. Quem viver, verá.


Além dele, mais uma vez, Avelar. A missão é ajeitar de vez essa lateral esquerda, ainda sem solução desde a saída de Guilherme Arana, no fim do ano passado.


Enfim, o Corinthians não passou, da noite para o dia, para a condição de candidato a títulos. Por outro lado, não vai brigar na parte de baixo da tabela. A tendência é de que, com tempo, Loss siga evoluindo, mas, para isso, precisa de mais. Mais tempo, mais treinos, mais preparação, mais jogos, mais jogadores...