O Corinthians está preparado para encarar as pedreiras?

O Corinthians vai pegar o Colo-Colo, no primeiro jogo das oitavas de final da Libertadores, no melhor momento possível.


Não, o time não está jogando o fino da bola, como se sabe.


Não, o time não está acertado como Osmar Loss e todos os corintianos querem.


Não, o time não está preparado para encarar qualquer adversário em nível de igualdade.


Mas, pelo menos, não é mais o Corinthians pré-Copa. O técnico prometeu que usaria a pausa do Mundial para treinar a equipe e, acredite, deu resultado.


Se ainda existe muita coisa para ser melhorada, pelo menos, dá para elogiar alguns pontos.


Sem Balbuena, Pedro Henrique entrou e, aos poucos, vai ganhando mais ritmo de jogo e entrosamento com Henrique – este, sim, que já vem bem como titular há um bom tempo.


A volta de Fagner, o melhor lateral-direito do Brasil disparado, é um alento. Não apenas porque defende e ataca bem, mas, principalmente, porque domina o setor. O camisa 23 impõe muito respeito no canto dele do campo. E o Corinthians estava precisando disso – não desmerecendo o que Mantuan vinha fazendo, mas, hoje, não se compara Fagner com ninguém no país.


Pela esquerda, Danilo Avelar, ao contrário do que se esperava, vem mantendo boa consistência defensiva e apoiando com timidez. Pena, porque tem qualidade e estatura (1,85m) para subir mais e ajudar no ataque. Quando fizer isso, vai crescer.


Douglas é um volante que, em pouco tempo, deu mostras de que não é um brucutu. Joga com a cabeça de pé, sai tocando sem ficar desesperado. Talvez ainda tenha de aprender a soltar um pouco a bola mais rapidamente, mas isso pode vir com o tempo. No mais, preenche bem uma lacuna na transição da defesa para o ataque, que vinha em baixa com as perdas recentes (venda de Maycon, lesão de Renê Júnior). O que é uma ironia, já que, nos últimos anos, o Timão teve muita gente boa passeando por ali (Elias, Paulinho, Jucilei, Bruno Henrique, o próprio Renato Augusto...).


Jadson, principalmente nos últimos jogos, esteve bem mais à vontade na armação. Atuando com inteligência, e em boa forma física – o que sempre fez muita diferença para ele, especificamente –, o camisa 10 ainda é um daqueles diferentes no Brasil. Tem uma visão de jogo privilegiada e, aos poucos, vai mostrando que a qualidade na bola parada, que andou em baixa – inclusive, perdendo três pênaltis no ano –, está voltando. Faltas (diretas ou não) e escanteios são, novamente, boas chances para a equipe.


Pedrinho ainda tem de brilhar mais, mas, claramente, já tem uma maturidade maior. Clayson traz uma boa opção no um-contra-um, o que falta ao Timão há um bom tempo.


E Romero... Bem, não espere que Romero vá fazer gols em absolutamente toda partida, mas, da mesma maneira, não tem como ignorar a fase artilheira do paraguaio. E curioso: justamente quando atua como centroavante, como referência centralizado no ataque, algo que, definitivamente, não é a característica dele.


Romero mesmo falou que não se enxerga como um camisa 9, e chega a ser até estranho quando dá entrevista e diz que, agora, não tem mais tanta obrigação de acompanhar a marcação na saída de bola adversária. Claro que, vez ou outra, isso tem acontecido, principalmente nos segundos tempos, mas está na cara que não tem sido como sempre foi com ele em campo.


E Cássio é Cássio.


O banco tem opções até que interessantes, como o “quase titular” Matheus Vital, Marquinhos Gabriel, Emerson e Roger – este último, ainda tendo de fazer muito pelo Corinthians, mas, ainda assim, representando uma opção de jogar com um 9 de verdade, se for preciso.


Mais do que tudo isso, talvez, seja o fato de que o time ganhou um pouco mais de confiança depois da Copa do Mundo. O começo ruim de Loss (quatro derrotas, dois empates e apenas uma vitória em sete jogos) trouxe com ele a sensação de que o time não tinha poder de fogo e, principalmente, havia se tornado frágil defensivamente. Mais uma vez: não, não se trata de uma nova equipe, em um intervalo de um mês e meio, mas, sim, de um grupo que, aos poucos, vai encontrando o seu lugar e entendendo o que pode render.


O Corinthians tem limitações e vai continuar tendo, pelo menos por enquanto. Não é favorito em nenhum dos torneios que disputa, porque existem times muito melhores. Mas, convenhamos: se havia um momento para dar uma encorpada para bater de frente com os grandes, principalmente na Libertadores (lembre-se de que, se ambos passarem, terá Corinthians x Palmeiras nas quartas), esse momento é agora.


A ver como será no primeiro teste, contra os chilenos, nesta quarta-feira.