Quanto mais Marcelo Oliveira, menos Galdezani

Galdezani foi muito mal no jogo do último sábado. Fez gol contra, tomou cartão, errou um em cada quatro passes que tentou. Os mais jovens o viram fazer quase -10 pontos naquele joguinho de escalar seu time. Já nos últimos jogos ele não vem bem, fazendo o torcedor questionar sua titularidade. Eu também questiono, não acho que ele deva iniciar com a farda contra o Sport. Mas antes disso, eu questiono o uso dele.


Muita gente já levantou uma questão imediata: há pouco tempo, “todo mundo” pedia a renovação urgente do jogador. Hoje, “todo mundo” critica ele. Ainda que se considere, por suposição, que os dois “todo mundo” não incluam as mesmas pessoas, é impressionante como o Galzidane virou Gal Se Dane em questão de 4 meses. Será que essa postura volátil da torcida não é exatamente a postura que ela critica no atleta?


Mas eu vou além. Quero trazer ao debate outra crítica comum da torcida: “esse time do Marcelo Oliveira é só chutão”. Você tem a impressão que o time de Pachequinho (que, não me canso de repetir, foi demitido em 13º lugar) jogava mais com a bola no chão, enquanto o time de Marcelo Oliveira investe demais nos lançamentos? Hoje, o Coritiba é o quarto time que mais fez passes longos no campeonato (60 por jogo, atrás de Vitória, Atlético-PR e Botafogo) e o quarto que faz menos passes curtos (315 por jogo, à frente de Avaí, Atlético-GO e Chapecoense). Não encontrei esse número referente apenas aos jogos com Pachequinho, mas supondo que o Coxa era, sei lá, o 10º nessas estatísticas, tem que ter dado muito balão pra chegar em quarto.


E aí vem a minha reflexão: qual é o estilo de jogo do Galdezani, aquele que nos motivou a pedir renovação? Ele busca a bola na saída de jogo, flutua nos dois lados do campo, apoia o ataque. É um futebol de bola no chão. Num time que rifa tanto a bola, qual seria a função dele? No lançamento, ou ele está atrás da bola (lançando, propriamente) ou à frente dela (posicionado pra impedir o contra-ataque). Nenhuma das duas funções é seu ponto forte.


Pra tentar embasar o que parece um devaneio, vejam as duas imagens abaixo. A primeira mostra os passes de Galdezani nos seus 14 jogos com Pachequinho. A média é 39.25 passes certos por jogo. Na segunda imagem, os mesmos números nos 14 jogos com Marcelo Oliveira, com média de 28.92 passes por jogo. Notem, também, a relação entre a participação de Galdezani e o resultado/desempenho do time. Há exceções, mas em geral nas participações mais relevantes o time teve bom desempenho.


Reprodução(Footstats)
Reprodução(Footstats)

Passes por jogo do Galdezani sob o comando de Pachequinho


Reprodução(Footstats)
Reprodução(Footstats)

Passes por jogo do Galdezani sob o comando de Marcelo Oliveira


Domingo o Coxa começa, contra o Sport, uma sequência de quatro jogos contra times que estão tão ameaçados quanto nós. Não espero uma mudança drástica no estilo de jogo, os lançamentos vão continuar. Mas espero que Galdezani não jogue. Não dá pra subutilizar o jogador. Se a função que se espera é lançamento e desarme, que jogue Jonas, que é melhor nessas duas características. E que Galdezani seja poupado até que um treinador mais versátil assuma o time e saiba utilizar o seu potencial. Caso contrário, aí sim, teremos pago caro demais por um jogador que faz pouca diferença no jogo.