No Coritiba, é confiar para vencer

Sabe quando você tem algo pra falar, está na ponta da sua língua, não sai de jeito nenhum e aí vem alguém e fala por você? É exatamente o que Adriano Gomes fez. De novo. Pela segunda vez, ele transformou o sentimento nas palavras mais corretas possíveis. Coube a mim trazê-las ao público. Leiam. Confiem. Não parem de lutar.

Há pouco mais de dois anos, escrevi um texto para o Quinta Coluna. O Coritiba precisava de uma arrancada nas rodadas finais para não cair e havia empatado, em casa, com o também ameaçado Figueirense. Tal como neste ano, já havia recebido dezenas, talvez centenas de mensagens, selando o destino coxa-branca.


O texto intitulado “É preciso aceitar e lidar com os erros do Coritiba” tinha um propósito muito simples: fazer ver que para o Coritiba permanecer na Série A faltava apenas um ingrediente – coincidentemente, o mesmo que falta hoje: confiança.


Isso não quer dizer que os problemas do Coritiba sejam poucos; eles são muitos. Mas esse é o único com o qual nós, torcedores e jogadores alviverdes, podemos lidar – e, neste momento, ele é o mais importante.


O Coritiba de 2017 é aquele que tem um dos elencos mais qualificados e com mais vontade dos últimos anos, mas esquecemos disso no primeiro passe ou chute que erramos. Esquecemos também da grandeza do Coritiba, que possui mais títulos do que seus dois rivais locais somados. Não conseguimos nem perceber por que nosso rival queria vestir com a sua camisa um de nossos ídolos: fosse eu paranista, também gostaria de ter ídolos da envergadura de Fedato, Dirceu Kruger, Zé Roberto, Aladim, Tostão e Alex (para ficar em pouquíssimos nomes). Mesmo com a suspensão injusta de um de nossos melhores jogadores por diversos jogos, esquecemos do nosso passado: enquanto diversos times são salvos do rebaixamento pelo tapetão, o Coritiba já foi derrubado dessa forma. E, na raça, reerguemo-nos. Estamos acostumados a jogar contra mais do que 11 jogadores, e nunca tivemos medo disso.


Não podemos esquecer quem somos em dois cruzamentos. Em algum momento, todos vamos errar. A diferença está em como encaramos os erros cometidos. Não podemos supor que todo erro é imperdoável e nos cobrarmos por isso. Fizemos isso nos últimos dois jogos e em mais da metade do campeonato: já vimos que não funciona.


Quando as coisas vão mal, superestimamos o erro e esquecemos que aquilo que torna o futebol apaixonante é justamente a nossa condição humana: nós, torcedores ou jogadores, erramos e falhamos. O melhor exemplo vem de dentro de campo: Messi e Cristiano Ronaldo, os dois melhores jogadores do mundo, já perderam juntos mais de 40 (!) penalidades.


A sugestão do texto de hoje, como há dois anos, é mudarmos de paisagem. Nós todos, torcedores e jogadores. A partir de agora, quando errarmos, a primeira coisa que vamos fazer é relaxar: errar é normal. Todos erram, sem exceção. Na sequência, devemos entender por que erramos e lembrar por que estamos na Arena Condá, na frente da TV ou no campo; vamos lembrar por que estamos gritando, lutando, jogando, vibrando.


Lembrando disso, vamos então aplicar mais energia para que na próxima vez consigamos acertar: vamos gritar mais alto, vamos correr mais, vamos chutar mais forte. Faremos isso com todos os erros, do primeiro ao último. Não podemos perder tempo nos cobrando por nossas falhas. Devemos confiar na nossa própria capacidade: a mesma que venceu a Chapecoense no primeiro turno, que freiou a sequência invicta do Cruzeiro, que virou contra o Sport na Ilha do Retiro. A mesma de Henrique Almeida que, em 2015, fez 12 gols em 19 jogos.


O Coritiba que não vai cair em 2017 é aquele que, no próximo jogo, confiará em si mesmo. No próximo jogo, a cada erro, levantaremos a cabeça; a cada erro, cantaremos mais alto; a cada erro, seremos mais fortes. Nós somos os que deixamos de ganhar salário para não onerar o time, os que jogam com dor e garantem uma vitória suada, os que cantam até o último minuto. Em Curitiba, em Chapecó, no Recife ou no Maracanã.


Somos todos Coxa. Quando ganhamos ou perdemos, ganhamos ou perdemos junto. Quando vaiamos ou xingamos, criticamos a nós mesmos. Quando abaixamos a cabeça, quando lamentamos uma chance perdida, quando nos cobramos por um erro bobo, fazemos isso juntos. O Coritiba somos todos nós, até o último minuto, até a última bola. Sempre!