Coritiba: uma queda cruel e merecida

Geraldo Bubniak/Gazeta Press
Geraldo Bubniak/Gazeta Press

Já conheço os passos dessa estrada / Sei que não vai dar em nada


Nenhum dos 20 clubes que disputaram a Série A de 2017 merecia tanto cair como o Coritiba. Nem mesmo o lanterna, Atlético Goianense, que ficou em nossa frente no returno, requereu tanto a queda para a Série B como o Coritiba.


Um time cuja direção eleita não terminou seu mandato. Um clube que há seis anos luta para não cair. Uma equipe que precisava de apenas um mísero ponto nos nove pontos decisivos do campeonato e não conquistou um sequer. Ainda esteve, por duas vezes, na frente do placar nos últimos dois jogos determinantes do campeonato. Um amontado que contava com Henrique Almeida como titular e Keirrison como opção no banco de reservas.


O Coritiba caiu porque nenhum outro adversário mereceu tanto cair e, olha, não é fácil admitir isso. Mas, diante de tanto merecimento, não poderia ser apenas uma queda. Ser rebaixado com um empate fora de casa seria muito merecimento para esse bando que dirigiu e vestiu a camisa Coxa em 2017. Quem não era desinteressado era incompetente, quem não era incompetentes era desinteressado.


Existe, é claro, raras exceções. Como Wilson, a única figura a sair totalmente ilesa desse ano desastroso. Mas, justamente por serem raras, é que as exceções não puderam garantir o mínimo, a continuidade do Coxa na Série A de 2017.


Confesso: assisti o jogo preparado para o rebaixamento. É bem verdade que Kleber me garantiu alguns minutos de pequena ilusão, mas aquela ainda desconfiada, de quem não acredita no que está vendo. Ou melhor: que aquilo não ia durar, como não durou. O gol por acaso de empate da Chapecoense pode ter sido resultado de um acidente do jogo, mas não de trajetória como equipe. Aquele gol foi um castigo por toda uma temporada, por todo um ano.


Esperança, admito, realmente senti quando o perdido narrador do jogo falou que o jogo do Flamengo contra o Vitória tinha acabado, para segundos depois, corrigir e avisar que tinha um pênalti. Foram aproximadamente 20 segundos de esperança. Porque a probabilidade de ficar não dependeria de nós, mas sim, de uma cobrança de pênalti de um terceiro. Mas, eis, que de forma cruel, o futebol deu ao Coritiba o que ele tanto pediu e mereceu: o rebaixamento.


Não há um responsável pela queda. Não é o Henrique Almeida, ruim de bola, que matou inúmeros ataques e criou outro sem fim de contra-ataques para adversários. Tampouco nosso inexistente meio campo capaz de articular jogadas ofensivas. Nem o técnico Marcelo Oliveira, que pegou o time na 13ª posição e o deixou na zona de rebaixamento. Tampouco o presidente Rogério Bacellar e sua diretoria, os que ficaram, os que entraram ou os que saíram.


A queda mais cruel da história do Coritiba é resultado da sua coletividade que como um todo foi medíocre. Seja por eleger quem elegeram, seja pela passividade com que encararam os erros e o afastamento do povão das arquibancadas ao longo dos últimos anos, ou ainda, ao achar que tudo estava resolvido largaram a bola se voltaram para as eleições.


A queda de 2017, meus amigos, foi a mais cruel e merecida da nossa história. O pior é que nada vai mudar.