Coritiba: o perfil de Samir Namur é o equilíbrio entre dois extremos perigosos

Antes que fossem especulados os candidatos à presidência do Coxa, perguntei ao Gibran, colega aqui do blog: “A gente fala sempre que tem que afastar esses que ‘estão sempre aí’ no Coxa. Os que ‘não largam o osso’. Eu falo isso também. Mas será que a gente confiaria no oposto? Num cara que ‘nunca esteve aí’?”. Muito melhor que a conversa que seguiu foi o que de fato aconteceu nas eleições do último sábado.


A pergunta era meramente especulativa, mas Vialle e Pedro Castro se encaixaram exatamente nos perfis que eu tinha em mente. O primeiro, velho de guerra, cheio de história no clube, títulos e fracassos acumulados; o segundo, desconhecido até de membros da própria chapa, surgido do nada, um candidato a Batman pra salvar o Coxa do inferno que vive.


Divulgação/Coritiba
Divulgação/Coritiba


É verdade que não tivemos tempo pra, na prática, procurar a resposta pra minha dúvida, porque nunca existiu um cenário apenas com os dois. Houveram especulações do tipo “se o Samir não estivesse aí, quem você preferia que ganhasse?”, mas nada mais que isso. O campo da hipótese ainda aceita essa discussão, mas ela é infrutífera, já que a resposta dada quanto ao perfil ideal foi: nem um nem outro.


A apresentação de Samir como candidato imediatamente colocou a opção que faltava à questão. Não se encaixa como figurão antigo, dado que entrou pra política do clube há apenas 3 anos. E também não se encaixa como novato, considerando a experiência adquirida como presidente do Conselho. Tanto é verdade que foi acusado até de omissão na campanha, coisa que alguém recém-chegado não costuma encarar com a mesma severidade.


Mas mais que o perfil, sempre defendi que o sócio do Coritiba não devia eleger uma pessoa, mas um projeto. No sábado, o torcedor elegeu o plano de metas mais objetivo e detalhado. Isto facilita o trabalho de fiscalização: tudo aquilo que foi prometido deve ser cumprido; e diferente dos outros planos apresentados, há pouca margem para interpretações no que a chapa Coritiba do Futuro apresentou.


Se em 2017 nós iniciamos lamentando um calendário apenas com Paranaense, Copa do Brasil e Brasileirão, 2018 será ainda mais pobre, não pelo número de jogos, mas pelos jogos em si, por conta do rebaixamento. Que seja de fato um ano de reconstrução. E que o profissionalismo proposto pela nova diretoria do Coxa nos devolva o Coritiba competitivo que aprendemos a amar.