O preço do planejamento do Coritiba

Se você não é do tipo que gostaria de viajar mais, provavelmente conhece alguém que seja. Conhecer os Estados Unidos, voltar pra Europa, fazer mochilão na América do Sul, sempre tem alguém pensando nisso - eu incluso. É evidente que ninguém vai levantar da cadeira agora e comprar uma passagem. É preciso antes pensar em quando serão minhas férias, quanto vou gastar, como vai ser, etc.


A analogia é bem óbvia, e eu talvez já tenha usado aqui antes. Mas é esse o principal ponto hoje. O Coxa fez 4 jogos no ano, sendo 3 deles no Couto e sem vitória. Não conseguimos ganhar de Prudentópolis, Rio Branco e do time reserva do Atlético. De quem é a culpa. Não é do Ruy, nem da base, nem do Sandro Forner. A culpa é da diretoria recém eleita, e eu diria que quase integralmente dela.


A questão é que esse desempenho é um preço que se paga pelo planejamento proposto. A gente chegou em 2018 sabendo: Paranaense é laboratório, Copa do Brasil é a primeira prioridade, Série B é meta do ano. Talvez nem todo mundo tenha lido as entrelinhas disso, mas é fácil entender: No Paranaense, nenhuma cobrança por resultado. Na Copa do Brasil, chegar o mais longe possível (quartas de final parece um objetivo coerente). Na Série B, aí sim, força máxima.


Planejamento custa. Como na analogia do começo do texto, planejar uma viagem custa cada coisa que a gente abre mão pra não gastar dinheiro. Dá pra ir no cinema hoje, mas aí não vai dar pra viajar no Carnaval.


E o custo inicial do planejamento do Coxa é alto. Especialmente porque a gente precisa sair de um buraco que entramos após cavar por seis anos; tem muito chão até sair dele. Os 3 primeiros resultados incomodam, mas vá lá, acontecem. Perder o Atletiba em casa já é caro demais. Até dá pra colocar panos quentes, pensar que é só o começo e etc. Mas é Atletiba e Atletiba não se perde nunca. E pior: o próximo jogo ganha uma pressão ainda maior, porque um eventual fracasso se soma ao Atletiba.


Pois é, o quinto jogo do ano já tem uma importância descomunal.


Eu acredito, sinceramente, que o time está sim sendo estudado e vai chegar mais forte na Série B. Mas pra chegar lá, a gente precisa pagar o preço de perder o clássico, de ter dois jogos fora de casa pra classificar pra semifinal, de ter receio de enfrentar um time de pouquíssima expressão.


Apesar de tudo isso, é como disse Garry Kasparov: é melhor ter um plano ruim do que nenhum plano. O que nos trouxe até aqui foi a total ausência de planejamento. E ter um plano hoje, mesmo que caro que ruim, é o que nos pode permitir alcançar objetivos.