Coxa: contratações falhas, falta de vontade e esquema fixo

É evidente que não tá tudo certo. Nem no planejamento mais permissivo possível seria aceitável perder 4 jogos seguidos, sendo dois em casa contra times de pouquíssima expressão. O Coxa teve uma boa sequência fora de casa (mostrou consistência contra o Foz e o Uberlândia), venceu bem o Rio Branco e ganhou a primeira taça. Desde então, um gol marcado (aos 90 minutos de um jogo perdido) e nove sofridos.


É verdade que a filosofia do Coritiba para 2018 passa por uma reformulação gigantesca, e nenhuma mudança tão grande traz resultados imediatos. Se o planejamento traçado for bem executado, as melhorias serão percebidas num prazo maior que os quase 100 dias de gestão. Este contexto é necessário para a análise e, dentro dele, sigo o raciocínio.


Samir Namur, quando eleito, não prometeu mais para o Paranaense que um laboratório. Pois bem, já jogamos 11 jogos neste grande teste. Quatro vitórias, três empates e quatro derrotas. Na Copa do Brasil não é diferente: 3 jogos, uma vitória, um empate e uma derrota. O desempenho é, até pra um time reformulado, muito ruim. Até porque, em um time reformulado, não existe titular ou reserva, todo mundo tá ali buscando espaço. O resultado do teste, mesmo antes do fim dele, é evidente: tem muita coisa pra corrigir.


Divulgação/Coritiba
Divulgação/Coritiba


Um erro está nas contratações. De novo, e sempre, e mais uma vez, não se pode esquecer o contexto: o orçamento é menor, o salário proposto nas negociações é menor, o jogador procurado pode não se interessar em um time que não jogará a elite. Mas mesmo dentro desse cenário é certamente possível encontrar melhores peças que Simião e Alan Costa. As 5 derrotas consolidam isso: os adversários que foram superiores contam com jogadores dentro destes limites. A Série B começa em 33 dias, é este o tempo que temos para contratar com precisão. É necessário e difícil.


Outro erro está em Sandro Forner. Não na efetivação, que vi com bons olhos. Mas sim no desempenho, com o qual estou desapontado. Duas coisas chamam a atenção: a pouca variação tática (que a gente via com frequência com Pachequinho), restrita à troca dos pontas; e a falta de elã (em português, tesão), especialmente nos últimos jogos. No jogo de hoje, o terceiro gol do Foz saiu sob o olhar estagnado de todo o sistema defensivo. Perder é um problema, mas perder sem dejar todo em la cancha é revoltante.


É o momento de terra arrasada? Não, evidente. O principal ponto positivo até o momento é que, diferente dos últimos anos, não vamos colocar a base quando o time não tiver mais solução. Mas o melhor planejamento é aquele que lida bem com seus erros. Eles estão aí, a diretoria está ciente e há (pouco) tempo para corrgí-los. O que eles não podem ser é ignorados ou desdenhados. O alcance dos objetivos de 2018 passa fundamentalmente por esse próximo movimento do futebol.