Síndrome de Estocolmo? Como explicar o fanatismo do atleticano pelo Flamengo?

Por Hugo Serelo


Minas Gerais está em festa por ver, mais uma vez, o grande clássico das duas maiores torcidas do estado: Cruzeiro x Flamengo.


Em terras mineiras, a rivalidade é forte entre os torcedores do Cruzeiro Esporte Clube e os nativos neo-colonizados que dizem torcer pro forasteiro rubro-negro.


Rivalidade de Fato


O auge da disputa foi a final da Copa do brasil 2003, que colocou os gigantes pela primeira vez em rota de colisão numa final. Alex mandou a letra pra escrever com "C" de Cruzeiro e redigir pro goleiro Júlio César uma página heróica imortal.


Foi pouco.


Uol
Uol

Quinta taça, a segunda contra o Flamengo.


Em 2017, Arrascaeta e seus amigos sacramentaram o Penta em cima do freguês. Minas Gerais, que fora humilhada pelo Flamengo na final do Brasileiro 80, vingou a surra do caçula acionando o irmão maior.


Atleticanos-mineiros flamenguistas: a maior paixão do Brasil


Apesar da tradicional rivalidade entre os gigantes Cruzeiro e Flamengo, é curioso observar o fanatismo do torcedor do Atlético Mineiro pelo Flamengo. Nem o mais apaixonado rubro-negro torce tanto pelo Urubu como os atleticanos-mineiros.


Em 2017, a Massa alvi-negra torceu eufórica pelo Flamengo na final da Copa do Brasil. Não funcionou. Sofreram tendo de ver Henrique erguer a quinta taça celeste.


Mas como semi-flamenguistas fiéis que são, os alvi-negros torceram mais uma vez pelo Flamengo um mês depois, na final da Copa Sul-Americana. Afinal, é um amor genuíno que não se entrega facilmente. Não funcionou também, mas a paixão é tão arrebatadora que voltou com tudo em 2018.


Sem dúvida, o maior amor interestadual de todo o Brasil.


Síndrome de Estocolmo


Acervo TV Bandeirantes
Acervo TV Bandeirantes

O Flamengo impediu o crescimento do Atlético Mineiro à condição de clube médio em 80, 81 e 87.


Mas como explicar isso se o mesmo Flamengo foi o responsável por esculachar a maior geração do Atlético Mineiro? As chupuletadas na final do Brasileiro 80, na Libertadores 81 e na semi-final do Brasileiro 87 foram doídas. Freud explica? Síndrome de Estocolmo? Sadomasoquismo? Não sei. Mas quem somos nós para julgar os amores alheios, meu nobre leitor?


Carregando Minas nas Costas


O fato é que, mais uma vez, as menores torcidas de Minas Gerais se unem contra o Cruzeiro Esporte Clube, que conhece o caminho dessa América com suas quatro finais e duas taças.


Rumemos à quinta, pois.


Hugo Serelo, 31 anos. Pesquisador esportivo, repórter policial, radialista. Nasceu em Andradas-MG e mora em Divinópolis-MG. Torce pro Rio Branco de Andradas e tem uma leve simpatia pelo Cruzeiro Esporte Clube.