A torcida do Cruzeiro tem que cobrar e criticar mais o Mano Menezes

Thomas Santos/Agif/Gazeta Press
Thomas Santos/Agif/Gazeta Press

Com a sua filosofia e estilo de jogo, técnico é peça importantíssima na Raposa


Antes que você torcedor cruzeirense, ou de outro clube que esteja lendo este texto, comece a me xingar, criticar nas redes sociais por causa do título, ou dizer que a ESPN só sabe falar mal do Cruzeiro, saiba que isso é apenas uma ironia. Alguns vão dizer que é clickbait, mas para esses nem confirmo nem discordo.


Pois bem, o que é inegável aqui é que Mano Menezes chega ao seu jogo de número 150 comandando o Maior de Minas, somando-se as suas duas passagens pelo time azul. Além do penta da Copa do Brasil e de mais um Mineiro, os cruzeirenses podem agradecer ao treinador gaúcho por nos livrar duas vezes do rebaixamento e organizar a cozinha dentro de campo.


Não sou defensor do futebol pregado por ele e nem do estilo de jogo ‘Manobol’. Não passa nem de perto da escola cruzeirense de como tratar a pelota e o esporte bretão, mas não há como negar que é eficiente, vencedora e rende títulos.


Por outro lado, gosto muito do profissional Mano. É um cara sério, trabalhador, competente no que faz e convicto nos seus princípios e nas suas perspectivas. Desde a sua reestreia no comando do Cruzeiro, no primeiro semestre de 2016, é nítido o amadurecimento do treinador frente ao clube e sua evolução técnica e tática. Além de ser um paizão que blinda os jogadores de problemas internos e externo.


Para quem não se lembra, o primeiro contato do Mano com o Cruzeiro foi em 1997, ano em que fomos campeões da América pela segunda vez, quando ele fez estágio de treinador com o Paulo Autuori.


Claro que fiquei chateado com o ele quando ele preferiu treinar o Corinthians, na Série B, e também quando ele saiu do Cruzeiro para receber um caminhão de dinheiro, como me disse um dirigente celeste que não está mais no clube. Um grande negócio da China. O importante é que as mágoas passam e os bons momentos é que ficam.


Depois de um bom começo de ano, uma turbulência inesperada, mas normal na temporada (ainda mais depois de perder a nossa principal peça de ataque), o Cruzeiro volta a mostrar um bom futebol na hora certa. Estamos classificados para o mata-mata da Libertadores; com uma boa vantagem na Copa do Brasil e focados no Brasileirão antes da Copa do Mundo. Terminar entro do G4 ou até em uma possível liderança é possível e real.


O jogo contra o Palmeiras foi até de certa forma chato e burocrático no primeiro tempo, mas que melhorou muito na etapa final. Esse é o tipo de futebol que o Mano gosta. Tranquilo, com domínio de bola, sem afobação, construindo o resultado durante toda a partida.


Se fosse pela afobação da torcida, e depois da derrota no primeiro jogo da final do Mineiro e do empate com o Vasco, até a minha também, acho que o Mano não estaria aí para colher os louros das vitórias. Nem ele, nem o Sóbis que marcou o gol ontem.


Mano Menezes é peça importantíssima na equipe do Cruzeiro hoje. E sempre dá um jeito de melhorar um pouco mais quando é questionado e criticado pela pela torcida celeste. E como sempre quero o melhor para o Maior de Minas, saiba que não é implicação, Mano, é apenas uma forma de ver sempre o Cruzeiro no seu devido lugar.