Os 5 piores estrangeiros da história do Flamengo

Depois do texto da semana passada, duas coisas ficaram claras. Uma é que o Flamengo já fez um volume tão alto de contratações equivocadas que cada um de nós consegue ter a sua lista pessoal com nomes totalmente diferentes, que vai variando de acordo com a idade, preferência e temperamento do torcedor.

Uns se irritam mais com falta de técnica, outros com falta de comprometimento, alguns com reforço obscuro, outros com contratações milionárias, alguns odeiam mais o atacante que tem fobia de entrar na pequena área, outros o zagueiro que passa tempo demais fora da grande.

E a outra coisa é o carinho especial que o flamenguista tem pelo reforço estrangeiro. O jogador que tinha feito uma boa Libertadores e aqui não aguentou um turno do Carioca, o destaque gringo que só treinava no Barra Music, o estrangeiro que apareceu no clube sem grandes explicações e sumiu sem maiores justificativas. Atendendo aos pedidos nos comentários e ao meu incontrolável desejo de hostilizar o meia Lucas Mugni, segue a lista dos 5 piores estrangeiros da história recente do Flamengo.

Aluspah Brewah: Um misto de história de superação pessoal com fracasso institucional, o atacante de Serra Leoa chegou com fama de velocista – diziam que corria os 100m em 10,2 segundos, tempo de final olímpica – e se tornou o 3º africano a vestir a camisa do Flamengo. E nessa parte a superação acaba, porque, mesmo tendo sido aprovado nos treinos apesar da pouca qualidade técnica, acabou não disputando partidas oficiais porque pendências do clube com o INSS impediram a regularização do atleta. O Flamengo de 2004 era tão endividado que não tinha dinheiro nem pra história de superação com final feliz.


Reprodução - Livro "A Nação"
Livro - A Nação


Horacio Peralta: Resultado de um período muito peculiar da história do Flamengo em que jogadores eram contratados com base em imagens de DVD – o que tornaria viável a contratação, por exemplo, do cão Bud, que tantos gols já fez em filmes e ainda sabe jogar basquete –, o uruguaio Peralta chegou com a promessa de ser uma meia-atacante habilidoso que chutava com as duas pernas e buscava o gol. Quando sua rescisão de contrato foi assinada, nove meses depois, a torcida o conhecia mais por levantar copos com as duas mãos e buscar sempre a noite carioca. Versátil e ofensivo, mas não do jeito que a gente esperava.


Gazeta Press
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Cristian Borja: Também fruto de um período confuso da história rubro-negra, quando o clube contratava pro ataque os primos menos famosos de outros atacantes, Borja era um primo menos famoso do Rentería, o que já deveria ter sido um sinal. Vindo do Caxias para fazer dupla com Val Baiano (outro péssimo sinal), o atacante colombiano ficou marcado por perder um gol feito contra o Vasco e, depois, numa trajetória meio Bejamin Button, ser enviado para o time sub-23. Boatos dizem que seguindo sua caminhada iniciada em 2010, hoje Borja já está na equipe fraldinha do Flamengo e passa bem.


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Rubens Sambueza: Mais um estrangeiro que veio com status de solução e mal conseguiu se tornar um problema, Sambueza chegou, recebeu a camisa 10 e ficou com a função de articular o time. Sete jogos depois já estava fora do clube após sofrer da “síndrome de Toró” e ser sistematicamente recuado, até atuar na lateral e se mostrar tão ruim quanto na articulação. Saiu sem deixar saudades e com o apelido de “Framboesa”, porque ninguém nem se importava em pronunciar o nome dele direito.


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Lucas Mugni: Ao contrário dos outros casos citados, que ficaram no clube por períodos curtos ou mesmo nem chegaram a atuar, Mugni ficará marcado na história rubro-negra como um dos jogadores que mais se esforçaram para continuar no Flamengo - contra a vontade do clube e da torcida. Meia que une mediana habilidade com baixa disposição e nível de confiança totalmente desproporcional tanto a essa habilidade quanto a essa disposição, Mugni é em essência aquele seu amigo peladeiro que se acha craque e considera que por isso não precisa correr e pode tentar qualquer besteira. Com a diferença de que nenhum de nós é amigo do Mugni. No clube desde 2014, rapidamente desgastou a paciência da torcida e dos dirigentes, não apenas com suas fracas atuações, mas também com sua recusa a qualquer proposta de saída, preferindo continuar morando no Rio de Janeiro mesmo se for sem jogar e treinando separado. Essa semana finalmente teve seu contrato rescindido e imagino que nem planeje voltar ao futebol, mas, sim, vá usar o valor da multa pra abrir um bar no baixo Gávea.


Gilvan de Souza/Fla Imagem
ESPN