As primeiras impressões sobre o Flamengo 2017

ESPN
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Ainda que avaliar uma equipe depois de duas partidas, ainda mais sendo as duas primeiras do ano, ainda mais sendo pelo campeonato estadual, ainda mais sendo contra Boavista e Macaé, soe um pouco como tentar avaliar um filme baseado apenas na fonte que usaram nos créditos de abertura, acredito que já podemos tirar algumas conclusões sobre o Flamengo desse ano.

Após duas vitórias seguras – um 4x1 e um 3x0 –, você nota que o Flamengo de Zé Ricardo adquiriu uma dinâmica de jogo mais intensa do que ano passado. Não sei se por mudanças na orientação da equipe ou apenas pela qualidade inferior dos adversários, sumiu aquele ímpeto de se contentar com 1x0 e agora vemos uma equipe que mesmo com a vantagem segue pressionando, segue buscando espaços, segue atacando e tentando acuar o adversário. Após deixarmos tantos resultados escaparem pelas dedos em 2016, é animador ver o time aprender que o critério de morte súbita não vale quando você abre o placar com 15 minutos do primeiro tempo e é preciso continuar jogando.

Outros pontos positivos que podemos notar são o crescente apoio dos laterais, com Trauco e Pará se destacando nas duas partidas com constante participação, Pará nas jogadas de ultrapassagem e Trauco nos cruzamentos e lançamentos, assim como Mancuello cada vez mais confortável aberto pela direita, participando muito do jogo e ajudando bastante na criação das jogadas.

Outras coisas ainda precisam melhorar, claro. Arão e Rômulo ainda necessitam de mais tempo para adquirir entrosamento, principalmente dada a tendência dos dois de se apresentar mais para construir jogadas, coisa que Márcio Araújo não costumava fazer, ocupado que estava em tocar a bola pro lado. Também é importante lembrar do cartão bobo levado por Guerrero e da expulsão infantil de Éverton. Se um jogador não consegue manter a tranquilidade durante uma vitória de 3x0 contra o Macaé no estadual, é razoável imaginar que numa partida decisiva fora de casa pela Libertadores ele vai sair algemado ou terá um colapso nervoso e deitará debaixo do banco de reservas em posição fetal.

A verdade é que ainda que não sejam exatamente testes de fogo – o armador do Boavista era o Erick Flores, vamos ser realistas - essas duas primeiras partidas serviram pra entender a ideia de Flamengo que o Zé Ricardo quer implantar esse ano e mostrar que aparentemente algumas das lições que precisávamos tirar de 2016 foram mesmo aprendidas. Temos um grupo que parece ter qualidade e que, conforme for recebendo os reforços e integrando os jovens da base, vai apenas se tornar mais encorpado e cheio de opções. Temos Berrío, que vai disputar posição com Mancuello na direita, temos Vizeu para o ataque, temos Paquetá e Matheus Sávio na meia, temos um Juan no banco pra zaga, isso sem contar Éderson, que gosto de pensar que ainda vai voltar e ajudar em algum momento decisivo da campanha. Gabriel, não, Gabriel pode continuar machucado mais um tempo, ninguém aqui está com pressa, não se pode acelerar o tratamento.

Neste fim de semana encaramos o Nova Iguaçu, em mais uma partida onde se pode esperar algum nível de tranquilidade. Mas depois temos pela frente, um depois do outro, dois times classificados para a Libertadores: Grêmio e Botafogo. Ótima oportunidade para mostrar que a equipe também está preparada para vencer os grandes e para tirar uma certa incapacidade de vencer clássicos que a equipe demonstrou em 2016. Que esse time continue nos dando motivos para confiar e acreditar.