Flamengo não pode subestimar nenhum adversário em 2017

Gazeta Press
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Foi uma vitória sobre o Grêmio “B”? Claramente foi, já que amigos gremistas falaram que o mais perto de um titular que a equipe tinha era Bolaños, que só vai disputar uma vaga por conta da lesão de Douglas. Era uma equipe desentrosada e confusa? Até o técnico dos caras ser reserva pode atestar isso. Bressan continua parecendo menos um zagueiro e mais um vilão de Malhação numa temporada em que o esporte é futebol? Com certeza, amigos, eu sempre fico confuso que esse rapaz seja atleta profissional.

Ainda assim, a vitória da noite de ontem, por 2x0, foi mais um passo importante na curva de aprendizagem desse Flamengo 2017. Após vitórias contra equipes pequenas no Campeonato Carioca, todas em divisões inferiores do futebol, foi importante vencer um time da Série A, ainda que bem longe de sua força máxima, ainda que numa competição não tão importante, ainda que o capitão deles fosse o Léo Moura, primeiro lateral a tentar se aposentar por tempo de serviço no futebol brasileiro.

Nosso time atuou novamente bem. Os laterais continuam apoiando com intensidade – não quero acusar ninguém de preconceito, mas, se Pará se chamasse “Rio de Janeiro” ou “São Paulo”, já teria sido convocado alguma vez para a seleção diante da sua fase atual –, o meio de campo continua sabendo variar de maneira inteligente as jogadas, Muralha teve até mesmo a oportunidade de mostrar serviço em vários chutes complicados de longa distância. A recomposição segue um pouco problemática e a zaga não me transmite 100% de confiança, mas acredito que isso vá melhorar. Berrío mostrou que ainda precisa, claro, de mais tempo para se adaptar, já que parecia estar sempre chutando a bola com uma força que só faria sentido se ela estivesse cheia de chumbo e não de ar, mas ainda assim deixou o seu (de cabeça, claro) e mostrou que disposição e estrela não vão faltar.

Mas o mais importante é que o Flamengo continuou tentando, desde o começo, impor seu futebol, uma coisa que precisa fazer em todas as partidas, seja contra o Macaé em Volta Redonda, seja contra o Barcelona em Dubai – não estou falando que vai acontecer, estou apenas dizendo que, se acontecer, precisamos estar preparados. Não com a lentidão e preguiça de quem acha que pode vencer a partida na hora que quiser, mas sim com a calma e a frieza de quem sabe o que precisa fazer, como fazer e vai tentar achar a melhor oportunidade para fazer aquilo e decidir o jogo no momento oportuno.

E isso, não subestimar o adversário e tentar decidir a partida quando as oportunidades se apresentarem, é uma lição que esse grupo, desclassificado na Copa do Brasil pelo Fortaleza e na Sul-Americana pelo Palestino no ano passado, além de perder vários clássicos para rivais cariocas reconhecidamente inferiores no aspecto técnico, precisa muito ter aprendido. Tanto quanto no aspecto técnico e tático, o Flamengo esse ano precisa evoluir também no aspecto emocional, não desperdiçando mais vitórias fáceis, não se deixando vencer pelo salto alto, não perdendo totalmente o controle emocional porque o zagueiro Rodrigo tem o peculiar hábito de apalpar partes íntimas dos adversários.

Infelizmente, o clássico contra o Botafogo, que seria uma ótima oportunidade de testar esse controle e seguir avançando na complexidade e importância das partidas na temporada, não deve mais ser tão importante. Com o alvinegro cogitando usar uma equipe reserva por conta da Libertadores, a tendência é que Zé Ricardo escale ao menos um time misto, mas isso não muda o fato de que, independente de quem entrar, o Flamengo precisa vencer. Porque esse ano a mentalidade precisa ser essa, a de que não existem jogos fáceis ou complicados, importantes ou de treino, mas sim apenas jogos que precisamos sair com a vitória. Ano passado pensamos diferente e a gente lembra no que deu.