Flamengo 2018: quem deveria ir e quem deveria ficar? (Parte 3)

E chegamos à terceira e última parte da nossa análise do elenco do Flamengo para 2018. Após na primeira analisarmos goleiros e zagueiros e na segunda discutirmos laterais e volantes, chegamos a dois dos grupos que conseguem ser ao mesmo tempo mais cheios de opções e mais desérticos de alegrias: os meias e os atacantes rubro-negros. Sim, prepara seu antiácido que vamos falar do Gabriel.

Meias

Se toda unanimidade é burra, como dizia Nelson Rodrigues, corremos pouco risco de ser burros falando do Flamengo, já que nenhum jogador agradou toda a torcida esse ano, ao menos dos que jogam do meio pra frente. Diego, apesar de craque da equipe, vem numa fase fraquíssima e decepcionou a equipe em momentos críticos, assim como Éverton, apesar de ser um dos jogadores mais regulares do elenco, não conseguiu realmente fugir desse verdadeiro Woodstock do futebol mediano que foi o time esse ano. Somando a isso à instabilidade de Éverton Ribeiro, que intercalou jogos brilhantes com partidas em que a única coisa que ele parecia conseguir fazer com precisão era partir o próprio cabelo, e você tem 3 dos principais jogadores ofensivos da equipe longe de realizar o que se esperava deles, com uma grande dívida para 2018.

Mas quem não deve ter a oportunidade de pagar ano que vem qualquer dívida contraída esse ano são jogadores como Conca, possivelmente uma das piores e mais mal planejadas contratações da história do Flamengo, e Mancuello, que nunca achou seu espaço na equipe e deve sair por ainda possuir mercado no continente, abrindo espaço no caixa e no banco de reservas, espaço esse que ainda deve se somar ao deixado por Matheus Sávio, que teve várias chances mas não mostrou a que veio, sendo talvez um ótimo exemplo de jogador que precisa de um empréstimo para se provar.


Diante da indisponibilidade de Éderson, que ainda está se recuperando após sua luta contra o câncer, temos como outra opção para o meio de campo apenas Lucas Paquetá, possivelmente a única surpresa positiva da temporada, pois não apenas mostrou a criatividade e disposição que faltaram aos veteranos, como talvez seja o único rubro-negro a ter alguma conquista relevante nessa temporada, se confirmado seu affair com MC Ludmilla.

Diante desse cenário, o Flamengo precisaria de no mínimo mais um meia para garantir que não passaremos por situações como a da lesão de Diego, em plena Libertadores, nos deixando sem opções pra posição, ainda mais caso tentemos alguma variação tática além do atual 4-3-3 que vem se mostrando basicamente a versão esquema tático da morte do tio Ben nos filmes do Homem-Aranha, tanto no sentido de repetição quanto no de que ou não tem impacto nenhum ou acaba fazendo a gente chorar.

Atacantes

Quando num setor do time o titular absoluto tem, segundo enquete do site Globoesporte, apenas 25% de aprovação da torcida, você imagina que as coisas não estão indo muito bem. E não, elas realmente não estão. Assim, nada mesmo.

Guerrero, o titular acima citado, não apenas se encontra nesse momento lutando contra uma suspensão por doping, como também estava discutindo uma renovação de contrato por valores que tornam sua relação custo-benefício no mínimo questionável para o clube – pesa ainda suas constantes ausências, seja por lesões ou na seleção, e o fato de já ser um jogador de 33 anos. A permanência do peruano no clube não é uma possibilidade exatamente animadora.


Gazeta Press
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Somando a isso o fato de que o único reserva imediato de Guerrero, Felipe Vizeu, apesar de ter mostrado potencial em diversos momentos não parece ainda pronto para ser o artilheiro da equipe, fica clara a necessidade do Flamengo de contratar ao menos um jogador de perfil goleador para disputar posição ou assumir a titularidade da camisa 9.

Já entre os atacantes de lado de campo, a situação não é exatamente melhor. Temos Berrío, atualmente machucado, e que, apesar do belo drible contra o Botafogo, nunca chegou a realmente convencer a torcida. Temos Geuvânio, que chegou em julho e até agora não apenas não mostrou a que veio, como talvez nem seja mesmo um atleta profissional e quem sabe nem se chame Geuvânio, mas seja sim apenas um homem que pegou por engano um voo na China e daí foi deixando rolar. E além deles temos, é claro, Gabriel, o primeiro gato reverso do futebol, já que obviamente se trata de uma criança de 7 anos fingindo ter 27 e seu lugar não é nos campos, mas sim no banco da escola, aprendendo e estudando para um dia se tornar um médico, um cientista, não sei.

Num cenário com a saída de Gabriel e/ou Geuvânio, teríamos então apenas Vinícius Jr como atacante veloz de lado de lado de campo, o que, apesar do potencial do garoto, mostra que o Flamengo vai precisar de reforços também nessa posição, com no mínimo um jogador mais móvel para ocupar esse espaço - e também não se sabe ao certo até quando Viicvius ficará por aqui. 

Ou seja, o saldo final do elenco que prometia ser o melhor e mais completo do Brasil é uma equipe desequilibrada, necessitada de titulares em posições chave e que, caso não passe por uma profunda reformulação, tende a repetir em 2018 o ano terrível que foi 2017. Acho que já podemos dizer, até com uma certa segurança, que o grupo não era tão bom assim.