Flamengo 2 x 3 Chapecoense: Era pra ser um mistão, não foi nem um pão na chapa

Analisar a atuação de um time reserva ou misto é sempre uma atividade que precisa ser realizada com muita calma. Você não pode reclamar do entrosamento de jogadores que raramente atuam juntos, não pode cobrar a parte física de atletas que estão sem ritmo de jogo, não pode criticar ou pressionar tanto um treinador que está exatamente poupando a equipe para partidas maiores e mais importantes.


Mas, ao mesmo tempo, não é por não ter todos os titulares em campo que a equipe automaticamente ganha um passe livre para tudo. Um time misto não justifica falhas individuais bizarras, um time misto não justifica baixo nível técnico e acima de tudo um time misto não justifica, assim como nem mesmo um time formado metade por titulares e metade por homenzinho feitos usando batata e palitos de fósforo, levar um gol do meio-campista Héctor Canteros, um dos seres humanos mais cognitivamente desafiados a já vestir a camisa do Flamengo.


Mas vamos ao que realmente pode ser discutido após a derrota desse domingo para a Chapecoense na Arena Condá.


Gazeta Press
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Quando o técnico te coloca no 2º tempo usando a frase 'entra e resolve', mas o resto do time não quer resolver junto


Primeiro temos o eterno paradoxo de Miguel Trauco. Se por um lado é um atleta defensivamente infantil, com grandes dificuldades de cobertura e que não consegue roubar uma bola nem mesmo usando uma arma e diante de um adversário já desacordado, por outro é um jogador que cruza com muita qualidade, tem visão de jogo e consegue dar duas assistências perfeitas na mesma partida. Então o que fazemos com Trauco? Avançamos o jogador para a meia esquerda? Pesquisamos na internet um supletivo de marcação? Amarramos Renê nas costas dele e torcemos pro juiz não notar que cada hora tem um homem diferente de frente pra bola? Com um ano e meio do peruano no clube fica óbvio que ninguém na Gávea encontrou ainda a solução certa para esse caso.


Já quanto aos outros estrangeiros, temos boas e más notícias. Se Marlos segue se mostrando a contratação mais “Football Manager” do grupo atual do Flamengo, um atacante aleatório e incapaz de mostrar a que veio, ao menos Guerrero segue interessado em recuperar seu espaço na equipe, ainda que continue obviamente carente de ritmo de jogo e claramente não tenha melhorado muito suas aptidões para essa atividade chamada “chute a gol” enquanto cumpria sua suspensão.


Mas agora é a hora de virar a chave, porque independente do que tenha acontecido hoje e independente do quão traumatizante seja perder para uma equipe cujo meio-campo tem Márcio Araújo e Canteros, quarta-feira tem jogo contra o Emelec pela Libertadores. E lá teremos Maracanã lotado, teremos titulares, teremos Cuéllar, já canonizado pelo Vaticano como o santo padroeiro da cobertura defensiva, e teremos Paquetá, o homem que serviu de inspiração para a canção “quando deus te desenhou ele tava namorando”. E claro, esperamos ter a vitória que o Flamengo precisa pra se garantir no mata-mata continental. Chapecó foi triste mas já acabou, é hora de mirar na América.