A cabeça na liderança, mas os pés bem firmes no chão

E nos encontramos diante de um cenário que, apesar de ser esperado para um clube das dimensões do Flamengo, não é comum para o nosso futebol no período recente. Com 10 jogos disputados no primeiro turno do Campeonato Brasileiro nos encontramos não apenas na liderança como possuímos cinco pontos de vantagem, o maior número de vitórias, o ataque mais positivo e também a terceira defesa menos vazada, além da melhor campanha fora de casa.


Não bastasse isso, vencemos na noite de ontem um clássico, dominando completamente o nosso rival, do começo ao fim, em uma superioridade tal que levou o adversário a fazer um pênalti em Marlos Moreno, o atacante mais misterioso do continente - de onde veio? por que veio? do que se alimenta? o quão ruim Geuvânio precisa ser para perder a vaga para ele? - e permitir o fim do jejum de Henrique Dourado, um especialista em cobrança de pênaltis cujo desempenho infelizmente é prejudicado pela obrigação de permanecer em campo em momentos que envolvem outras atividades como dominar, passar ou mesmo se mover em uma direção específica.


Somando a isso a segunda partida consecutiva em que temos um gol de Felipe Vizeu - o atacante brasileiro que mais parece ter entrado em campo vindo diretamente de uma chopada do quarto período da faculdade e vestido a camisa achando que era um abadá - e você tem um cenário em que o Flamengo não apenas tem vencido e convencido como até mesmo seus mais peculiares coadjuvantes vem ganhando oportunidades de brilhar.


Gazeta Press
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Gol de Dourado é talvez um dos mais pesados golpes que o ateísmo sofreu em 2018


Mas ainda que seja fácil se empolgar com esse cenário, ainda mais quando Vinícius Jr parece estar possuído pelo espírito da caneta bem sucedida da mesma maneira que Leandro Damião se mostrava possuído pelo espírito da bicicleta desnecessária, é importante lembrar que não apenas mal ultrapassamos 25% da duração do campeonato como ainda temos duas outras grandes competições pela frente, que vão exigir não apenas que o time titular mantenha esse nível, mas também que cada um dos reservas faça a sua parte e justifique sua presença no grupo.


Porque sim, claro, o Flamengo precisa e muito recuperar a hegemonia nacional e vencer um Campeonato Brasileiro que não conquista desde 2009, quando Adriano Imperador ainda atuava, Petkovic era um jogador profissional e Leó Moura namorava a cantora Perlla. Mas, ao mesmo tempo, já passou da hora de voltarmos a brigar de verdade pelo título de uma Libertadores da América, uma competição que só ganhamos na Era Zico, além de não ser possível ignorar o valor de uma Copa do Brasil com a alta premiação que ela possui atualmente.


Mas cada um desses projetos, cada um desses títulos, precisa ser conquistado ponto a ponto, vitória a vitória, gol a gol, e, para isso, o Flamengo precisa manter a seriedade, os pés no chão, e o Paquetá precisa, por mais lindo que seja ver ele dando lençol e elástico, aceitar que fazer essas coisas antes do meio de campo pode custar não apenas o resultado como também a saúde de vários torcedores.


O Flamengo vive hoje um momento favorável e que finalmente inspira otimismo, mas cabe ao time manter esse momento, justificar esse otimismo, e garantir que esse ano não viemos para disputar, não viemos para participar, mas sim viemos para vencer. E isso vai ser provado jogo a jogo, gol a gol, vitória a vitória.