O Flamengo já abraçou a mediocridade, mas trazer Dorival é convidá-la para dormir de conchinha

Não imagino que ninguém tenha, neste momento, muitas razões para defender o já demitido treinador Maurício Barbieri. Membro sobrevivente de uma comissão técnica que foi totalmente demitida, o jovem treinador foi desde o começo uma aposta arriscada motivada 80% por falta de opções no mercado, 15% pelo baixo custo e 5% pela eterna mística rubro-negra do treinador substituto que numa hora você não sabe o nome e no momento seguinte está ali levantando uma taça pra gente.


Ou seja, apesar do bom começo, quando classificou o Flamengo na Libertadores, Copa do Brasil e chegou até a nos levar pra liderança do Brasileirão, não é exatamente uma grande surpresa que um técnico que até março desse ano só havia treinado Audax, Red Bull, Guarani e Desportivo Brasil não tenha dado conta de conduzir o Flamengo num mata-mata internacional, por exemplo. Barbieri tem potencial, tem boas ideias, tem chances de ainda se tornar um grande técnico, mas claramente ainda era muito cru e encontrou um Flamengo com problemas que ele não foi capaz de resolver.


Mas o fracasso de Barbieri, apesar de deixar como legado um Flamengo em crise, um departamento de futebol desgastado, um time eliminado de duas competições e tentando com dificuldades ainda se manter na briga em outra, ao menos fez surgir no coração do torcedor o único aspecto positivo de toda demissão de técnico: a esperança de mudança.


Afinal, se Barbieri não conseguiu extrair o melhor do atual grupo do Flamengo, possivelmente por ser um técnico ainda jovem, sem experiência em grandes competições, sem a trajetória vitoriosa e as ideias ofensivas que o Flamengo precisa, temos aí uma grande oportunidade para a chegada de um técnico capacitado, vencedor, que tenha o perfil rubro-negro e que possa chegar para não apenas injetar a vontade que falta no time da temporada 2018 como já começar a planejar um trabalho de sucesso para 2019.


Gazeta Press
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Você confiaria nesse homem pra ressuscitar o seu time?


Ou, é claro, o Flamengo pode apenas contratar Dorival Junior.


E aparentemente é isso que o Flamengo vai fazer.


Trazer Dorival Junior.


Sim, o mesmo treinador que demitimos em 2013 após uma derrota para o Resende no Campeonato Carioca. O mesmo Dorival vitorioso que até hoje em toda a sua carreira ganhou dois títulos nacionais, sendo um deles uma Série B. O mesmo treinador de pulso firme que não conseguiu impor respeito a Neymar e Ganso quando os dois eram moleques no Santos. O mesmo Dorival que, eu sei, você sabe, provavelmente já vai estar demitido no meio do Campeonato Carioca do ano que vem, obrigando o Flamengo a procurar um novo treinador e começar tudo do zero.


Mesmo assim todos nós vamos torcer para que Dorival tenha sucesso, ajeite o time, resolva nossos problemas, ganhe títulos, queime minha língua? Claro. Mas a simples decisão de demitir Barbieri não para trazer um técnico que realmente anime a torcida e possa aprimorar a filosofia de trabalho e de jogo do Flamengo, mas sim apenas um outro nome que faça girar a engrenagem da mediocridade rubro-negra deixa claro o quão baixos são os sonhos do Flamengo hoje.


Quem traz treinador que só ganha estadual está admitindo que só quer ganhar estadual. Quem tem Rodinei e Pará e acha que não precisa contratar lateral está admitindo que não almeja nada além do que Rodinei e Pará podem oferecer. E se confirmada a vinda de Dorival o Flamengo conseguiu transformar um dos poucos momentos de esperança e possível renovação dessa temporada em mais uma prova de que está disposto a oferecer para sua torcida apenas mais do mesmo.