Está mais fácil o Cabo Daciolo ser presidente do que o Flamengo ser campeão brasileiro

Esperar alguma melhoria entre o Flamengo da última quarta-feira e o Flamengo desse sábado era mais ou menos a mesma coisa que esperar um milagre. Afinal, o que teríamos em campo seria uma versão piorada do elenco do meio da semana - os dois Diegos desfalcaram a equipe em Salvador, ainda que Lincoln tenha substituído Dourado no ataque - comandada por um treinador recém-chegado que obviamente não teria tido tempo de realizar qualquer grande mudança tática e atuando fora de casa na ressaca de uma eliminação que causou a demissão do técnico anterior e deixou ainda mais pressionado um elenco que já se mostrava totalmente atordoado.


E de onde não se esperava mudança é que realmente não veio nenhuma mudança mesmo. Não, Dorival não conseguiu consertar o Flamengo apenas com um discurso, como um treinador de time de colégio num filme da Disney; não, o elenco não estava fazendo corpo mole para derrubar Barbieri e subitamente melhorou quando ele saiu; não, São Judas Tadeu não desceu no campo de lança e tudo, expulsou Vitinho, pegou a camisa 14 e fez 3 gols. O que tivemos foi, mais uma vez, aquele mesmo Flamengo que nós já conhecemos tão bem.


Porque não, não conseguimos criar jogadas no ataque. Corremos sem rumo, erramos passes, não soubemos nos movimentar, desperdiçamos as poucas oportunidades que apareceram, sempre de maneiras vagamente bizarras. Éverton Ribeiro corria mas não conseguia resolver, Lincoln mal tocava na bola, Vitinho caminha triste e confuso pelo campo como se carregasse uma mochila cheia de paralelepípedos, Paquetá segue acreditando que o caminho mais curto entre dois pontos é um drible desnecessário.


Gazeta Press
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Um jogo tão feio que a torcida deve ter puxado ola pra comemorar o apito final


No meio de campo Cuellar segue tão atarefado e cansado quanto uma mãe que precisa cuidar sozinha de três filhos, enquanto Arão continua alternando momentos em que você pensa “esse é o meu volante” com outros em que você balbucia “meu deus, no que que esse doido tá pensando?”. As laterais seguem sendo, bem, as laterais, e Réver e Léo Duarte, que já haviam vivido ótimos momentos juntos, começam a cair de nível, possivelmente pra não se sentirem desenturmados com o resto da equipe.


Ou seja, faltando 11 jogos para o fim do Brasileirão o Flamengo já está na 5ª colocação, com 2 pontos atrás mas um jogo a mais do que o líder do campeonato, com um técnico recém-chegado, uma equipe que não parece ter mais nada de diferente a oferecer e se vendo em situação de, quando uma partida se complica, ter que usar Marlos Moreno ou Matheus Sávio como solução.


É impossível ser campeão? Não, porque diferenças maiores já caíram em menor tempo. Mas dá pra acreditar, nesse momento, que um Flamengo se mostra incapaz de articular qualquer situação de gol vá vencer as partidas que precisa e tirar uma diferença contra times que vem em fases bem melhores? Olha, aí fica realmente muito complicado. A não, é claro, que você acredite em milagres.